Kamma e Renascimento [1]

por

Nyanatiloka Thera

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Quando se contempla o mundo e pensa-se acerca do destino dos seres, para muitas pessoas parece que tudo na natureza injusto. Por que, pode-se perguntar, uma pessoa rica e poderosa e outra pobre e aflita? Por que algum leva uma vida boa e saudvel enquanto outro desde o nascimento doente e fraco? Por que uns so dotados de aparncia agradvel, inteligncia e sentidos perfeitos enquanto outros so feios e repulsivos, mentalmente deficientes, cegos, surdos e mudos? Por que uma criana nasce em meio misria mais completa e cercada de pessoas vis, criada como criminosa, enquanto outra nasce cercada de fartura e conforto, filha de pais de mente nobre, e desfruta todas as vantagens de um tratamento agradvel, a melhor educao mental e moral, e v to somente boas coisas ao seu redor? Por que alguns, freqentemente sem o mnimo esforo, so bem sucedidos em todos os seus empreendimentos, enquanto todos os planos de outra pessoa falham? Por que alguns vivem no luxo enquanto outros vivem na pobreza e na aflio? Por que uns so felizes e outros infelizes? Por que alguns vivem uma longa vida, enquanto outros so levados pela morte no auge da vida? Por que as coisas so desse modo? Por que tais diferenas existem na natureza?

Dentre todas as circunstncias e condies que constituem o destino de um ser, nenhuma, de acordo com o ensinamento do Buda, pode vir a existir sem causa prvia e sem a presena de um nmero de condies necessrias. Assim como, por exemplo, de uma semente podre de manga nunca surgir um p de manga com frutos doces e saudveis, do mesmo modo ms aes volitivas ou mau kamma, produzido em nascimentos prvios, so as sementes ou causas-razes de um destino ruim num nascimento posterior. um postulado necessrio do pensamento que o destino bom e ruim de um ser, bem como seu carter latente, no pode ser o produto de mero acaso, mas necessariamente tem suas causas num nascimento prvio.

De acordo com o Budismo, nenhuma entidade orgnica, fsica ou psquica, pode vir existncia sem uma causa prvia, isto , sem um estado apropriado precedente a partir do qual se desenvolva. De modo semelhante, nenhuma entidade orgnica pode jamais ser produzida por algo externo a si mesma. [2] Esta pode originar-se apenas de si mesma, isto , deve existir desde j no embrio. Para ser preciso, alm desta causa e condio-raiz, ou semente, existem ainda muitas condies menores requeridas para seu efetivo surgimento e desenvolvimento, assim como o p de manga, alm de sua causa principal a semente requer para que germine, cresa e se desenvolva outras condies como gua, terra, luz, calor, etc. Deste modo, a causa verdadeira do nascimento de um ser, junto com seu carter e destino, remonta s volies kmmicas produzidas num nascimento anterior.

De acordo com o Budismo, existem trs fatores necessrios para o renascimento de um ser humano, ou seja, para a formao de um embrio no tero materno. So eles: o vulo da fmea, o esperma do macho e a energia-do-karma (kammavega), que nos suttas chamado metaforicamente de "gandhabba", isto , "esprito" ou "alma". Esta energia do kamma projeta-se do indivduo moribundo no momento da morte. O pai e a me fornecem apenas material fsico necessrio para a formao do embrio. No que diz respeito aos traos caractersticos, as tendncias e faculdades latentes no embrio podem ser explicadas pelo ensinamento do Buda da seguinte maneira: o moribundo, com todo seu ser convulsivamente apegado vida, no momento exato da morte emite as energias kmmicas que, como um raio de luz, atingem o tero pronto para a concepo. Assim, mediante o encontro entre energias kmmicas, esperma e vulo, surge a clula-ovo como um precipitado. [3]

Podemos comparar este processo com as vibraes do ar produzidas pela fala, que, ao atingir o rgo auditivo de outro ser humano produzem som, que uma sensao puramente objetiva. Neste caso, no ocorre uma transmigrao do som, mas apenas uma transferncia de energia, chamada de vibrao do ar. De modo similar, a energia do kamma, emitida pelo moribundo, produz, a partir do material fornecido pelos pais, o novo ser embrionrio. Mas nenhuma transmigrao de um ser real, ou entidade-alma ocorre nessa ocasio, simplesmente a transmisso da energia kmmica.

Portanto, podemos dizer que o atual processo vital (upapatti-bhava) a objetificao do correspondente processo kmmico pr-natal. Assim, nada transmigra de uma vida para outra. E aquilo que chamamos nosso ego na verdade apenas o processo contnuo de mudana, de contnuo surgir e perecer. Os momentos, pois, seguem-se uns aos outros, dia aps dia, ano aps ano, vida aps vida. Exatamente como a onda, que aparentemente corre pela superfcie do lago, no passa de contnuo surgir e desaparecer de sempre novas massas dgua, cada momento renovado pela transmisso de energia, quando visto de perto e em sentido ltimo, no representa uma entidade-ego que passa pelo oceano do samsara, mas apenas um processo de fenmenos fsicos e psquicos que ocorre sempre de novo, movido pelo apego vida.

sem dvida verdade que a condio mental dos pais, no momento da concepo, tem influncia considervel sobre o carter do ser embrionrio, e que a natureza da me pode produzir grande impresso no carter do ser que ela carrega no ventre. A unidade indivisvel da individualidade psquica da criana, entretanto, no pode ser produzida pelos pais. No se deve aqui confundir a causa efetiva estado anterior a partir do qual o atual estado surge com as influncias e condies externas. Se fosse realmente o caso que o novo indivduo, como unidade inseparvel, fosse o produto dos seus pais, gmeos nunca exibiriam tendncias totalmente opostas. Em tal caso, crianas e especialmente gmeos possuiriam, sem exceo, o mesmo carter dos pais.

Em todos os tempos e pases da terra, a crena no renascimento foi sustentada por muitas pessoas; esta crena deriva de um instinto ou intuio que jaz dormente em todos os seres. Em todos os tempos grandes pensadores ensinaram a continuidade da vida aps a morte. Desde tempos imemoriais alguns ensinavam acerca da metempsicose [4], ou seja, transformao da alma, ou metamorfose, ou transformao do corpo, etc., como por exemplo, as doutrinas esotricas do Egito antigo, Pitgoras, Empdocles, Plato, Plotino, Pndaro, Virglio, bem como algumas tribos africanas. Muitos pensadores modernos tambm ensinam a continuao do processo vital depois da morte.

O grande cientista alemo Edgar Dacque, no livro The primeval World, Saga and Mankind," [5] falando acerca da crena difundida entre todos os povos do mundo numa transmigrao aps a morte, nos d o seguinte aviso:

Pessoas cultas e familiarizadas com cincia, como os antigos egpcios e indianos, agiam e viviam de acordo com esta crena. Eles abandonaram estas crenas somente depois do surgimento do realismo e racionalismo ingnuo dos gregos e judeus. Por esta razo seria melhor, quanto a este problema, no assumir a atitude fria da pseudo-civilizao moderna, mas ao invs disso, adotar uma atitude reverente ao tentar resolver este problema em toda sua profundidade.

Esta lei de renascimento pode tornar-se compreensvel mediante a suposio de um fluxo vital subconsciente (em pli, bhavanga-sota), mencionada no Abidhamma Pitaka e explicada em detalhe nos comentrios, especialmente o Visuddhimagga. A importncia fundamental de bhavanga-sota, ou corrente vital subconsciente, como hiptese para explicao de vrias doutrinas Budistas como renascimento, kamma, lembrana de vidas passadas, etc., no foi at agora suficientemente reconhecida ou compreendida pelos estudiosos ocidentais. O termo bhavanga-sota idntico aquilo que os psiclogos modernos como Jung, chamam de alma ou subconsciente, no querendo dizer com isso, obviamente a entidade eterna dos ensinamentos cristos, mas um processo subconsciente sempre em mudana. Esta corrente de vida subconsciente condio necessria para toda a vida. Nele, todas as impresses e experincias so armazenadas, ou melhor, aparecem como um processo mltiplo de imagens passadas, ou fotografias da memria, que, entretanto, como tais se escondem da conscincia completa, mas que, especialmente nos sonhos, cruzam o limiar da conscincia tornando-se totalmente conscientes.

O professor James [6] (cujas palavras traduzo aqui a partir da verso alem) diz: "muitas realizaes de gnio tm aqui seu incio. Na converso, na experincia mstica e como orao, tal fato coopera com a vida religiosa. Contm todas as reminiscncias momentaneamente inativas e fontes para todas as nossas paixes vagamente motivadas, impulsos, intuies, hipteses, fantasias e supersties; em resumo, todas as nossas operaes no-racionais da resultam. a fonte dos sonhos, etc."

Jung, em seu livro Problemas da Alma em Nossos Dias, afirma: "da fonte viva do instinto brota toda criatividade." E em outro lugar: "o que quer que tenha sido criado pela mente humana resulta de contedos que so germes inconscientes (ou subconscientes)." E mais: "o termo instinto , obviamente, nada mais que um nome coletivo para todos os fatores orgnicos e psquicos, cuja natureza em grande parte desconhecida para ns."

A existncia de um fluxo vital subconsciente, ou bhavanga-sota, um postulado necessrio de nosso pensamento. Caso tudo que ns vimos, ouvimos, pensamos, experienciamos e fizemos no fosse, sem exceo, registrado de algum modo em algum lugar, quer seja no extremamente complexo sistema nervoso (comparvel a um gravador ou disco fonogrfico ) ou no subconsciente ou inconsciente, nunca seramos capazes de lembrar o que estivemos pensando num momento precedente; no saberamos da existncia de outros seres e coisas; no saberamos quem so os nossos pais, professores, amigos e assim por diante; nem saberamos como pensar, visto que o pensamento condicionado pela lembrana de experincias anteriores. Nossa mente seria uma completa tabula rasa, mais vazia que a mente de um recm nascido, mais vazia at que o embrio no tero materno.

Portanto, o fluxo vital subconsciente, ou bhavanga-sota, pode ser chamado de precipitado de nossas aes e experincias anteriores, que deve estar ocorrendo desde tempos imemoriais e deve ainda continuar por um perodo incomensurvel de tempo por vir. Portanto, o que constitui a natureza mais ntima do ser humano, ou de qualquer outro ser, este fluxo vital subconsciente, do qual no sabemos de onde vem nem para onde vai. Como disse Herclito: Nos mesmos rios [7] entramos e no entramos, somos e no somos. [8] De forma semelhante diz o Milindapanha: na ca so, na ca anno; nem o mesmo, nem um outro (que renasce). Toda a vida, seja corprea, consciente ou subconsciente, um fluxo, um processo contnuo de vir-a-ser, mudana e transformao. No h elemento persistente a ser descoberto neste processo. Dessa forma, no h um ego permanente, uma personalidade a ser encontrada, somente estes fenmenos transitrios.

Acerca da irrealidade do ego, o psiclogo hngaro Volgyesi em sua Mensagem para um Mundo Nervoso disse:

"Sob influncia das mais recentes descobertas, os psiclogos comearam a perceber a verdade acerca da entidade-ego, o valor meramente relativo do sentimento do eu (ego-feeling), da grande dependncia deste homenzinho em relao ao complexo de fatores inexaurvel do mundo ... a idia de um eu independente, de um livre arbtrio autnomo: devemos abandonar estas idias e reconciliar-nos com a verdade de que no existe eu real algum. Aquilo que tomamos por nossa sensao de eu no nada alm da mais maravilhosa fata-morgana [9] feita pela natureza."

Em sentido ltimo, no existem nem mesmo coisas tais como estados mentais, isto , coisas estacionrias. Sensao, percepo, conscincia, etc., so na realidade meros processos de sentir, perceber, tornar-se consciente, etc., dentro dos quais e fora dos quais no se esconde nenhum tipo de entidade separada e permanente.

Posto isto, um entendimento real da doutrina do Buda acerca de kamma e renascimento possvel apenas para aquele que vislumbrou a natureza sem ego, ou anatta, e a condicionalidade, ou idappaccayata, de todos os fenmenos da existncia. Desta forma, diz-nos o Visuddhimagga (Cap XIX):

Por todo lugar, em todos os reinos de existncia, o nobre discpulo v somente fenmenos mentais e corporais que operam devido concatenao de causas e efeitos. Nenhum produtor do ato volitivo ou kamma ele v, alm do prprio kamma, nenhum recipiente do resultado do kamma, alm deste mesmo resultado. E ele sabe muito bem que os sbios usam apenas linguagem convencional quando, no que diz respeito ao ato kmmico, eles falam de um agente, ou com respeito ao resultado do kamma, de um recipiente.

Nenhum agente das aes encontrado,
ningum que colha os frutos;
fenmenos vazios prosseguem:
isto apenas a viso correta.

E enquanto as aes e seus resultados
seguem sempre de novo, tudo condicionando,
no se encontra um princpio,
como com a semente e a rvore.

Nenhum deus, nenhum Brahma, pode ser chamado
o criador desta roda da vida:
fenmenos vazios seguem,
todos dependentes de condies.

No Milindapanha o rei pergunta a Nagasena:

O que isto, venervel senhor, que renascer?
Uma combinao psico-fsica (nama-rupa). Rei.
Mas como, Venervel Senhor? Essa seria a mesma combinao psico-fsica atual?
No, Rei. Mas a presente combinao psico-fsica produz kmmicamente atividades volitivas saudveis e prejudiciais, e graas a tal kamma, uma nova combinao psico-fsica ir renascer.

Uma vez que em sentido ltimo (paramathavasena) no h uma entidade-ego, ou personalidade, no se pode falar apropriadamente que tal ente renasce. O que nos interessa aqui este processo psicofsico, que cessa com a morte, de modo a continuar depois em outro lugar.

De modo similar, lemos no Milindapanha:

O renascimento, Venervel Senhor, ocorre sem transmigrao?!
Sim, Rei.
Mas como, Venervel senhor, pode ocorrer renascimento sem o passamento de algo? Por favor, d-me um smile.
Se, Rei, um homem acende uma vela com a ajuda de outra vela, a luz de uma vela passa para a outra vela?
No, Venervel Senhor.
"Assim mesmo, Rei, ocorre o renascimento sem transmigrao."

Alm disso, temos no Visudhimagga (Cap. XVII):

Quem quer que no tenha uma idia clara acerca da morte e no saiba que esta consiste na dissoluo dos cinco agregados da existncia (i.e. corporeidade, sensaes, percepes, formaes mentais, conscincia) pensa que h uma pessoa, ou ser, que morre e transmigra para um novo corpo, etc. Quem quer que no tenha uma idia clara acerca do renascimento, e no saiba que este consiste no surgimento dos cinco agregados da existncia, pensa que uma pessoa ou ser que renasce, ou que a pessoa reaparece em um novo corpo. Quem quer que no tenha uma idia clara de Samsara, o ciclo de renascimentos, pensa ser uma pessoa real que vaga deste mundo para um outro, que vem daquele mundo para este, etc. Aquele que no tem uma idia clara acerca da fenomenalidade da existncia, pensa que o fenmeno o ego ou algo pertencente ao ego, ou algo permanente alegre ou prazeroso. Aquele que no tem uma idia clara acerca da origem condicionada dos fenmenos da existncia bem como acerca da origem das volies kmmicas condicionadas pela ignorncia, pensa que o ego que compreende ou que falha em compreender, que age ou provoca a ao, que entra numa nova existncia com o renascimento. Ou ele pensa que os tomos ou o Criador, etc., com a ajuda de processos embrionrios, moldam o corpo dotando-o com suas vrias faculdades; que o ego que recebe as impresses dos sentidos, que sente, que deseja, que se apega, que entra na existncia novamente em outro mundo. Ou ele pensa que todos os seres passam a existir devido ao destino ou ao acaso.

Isso um mero fenmeno, uma coisa condicionada,
que surge na existncia seguinte.
Mas no transmigra para l de uma vida anterior
e no entanto, no pode surgir sem uma causa prvia.

Quando esse fenmeno fsico-mental (o feto) condicionalmente originado surge, diz-se que o ser entrou na (prxima) existncia. Entretanto, nenhum ser (satta), ou princpio vital (jiva) transmigrou da existncia prvia para esta existncia, e ainda assim, este embrio no poderia ter surgido sem uma causa prvia.

Tal fato pode ser comparado com o reflexo do nosso rosto no espelho, ou com o eco de nossa voz. Assim como a imagem no espelho e o eco so produzidos por nosso rosto ou voz sem que haja o passamento do rosto ou da voz, o mesmo ocorre com a conscincia-do-renascimento. Caso existisse uma completa identidade ou mesmidade entre a vida anterior e a atual, o leite nunca se tornaria coalhada; e caso ocorresse uma alteridade absoluta, a coalhada nunca poderia ser condicionada pelo leite. Portanto, no se deve admitir nem uma completa identidade, nem uma absoluta alteridade com relao aos diferentes estgios da existncia. Assim, na ca so, na ca anno: nem o mesmo, nem um outro. Como dito acima: toda a vida, seja corprea, consciente ou subconsciente, um fluxo, um contnuo processo de tornar-se, mudana e transformao.

Para resumir o precedente podemos dizer: em sentido ltimo no h seres ou coisas reais, nem criadores ou criaes; existe apenas este processo de fenmenos corpreos e mentais. A totalidade desse processo de existncia tem um lado ativo e um passivo. O lado ativo ou causal da existncia consiste do processo do kamma (kamma-bhava), ou seja, atividade kmmica benfica ou prejudicial. O lado passivo ou causado consiste dos resultados do kamma, ou vipaka, o assim chamado processo de renascimento (upapatti-bhava), i.e. o surgimento, crescimento, decadncia e passamento de todos esses fenmenos neutros sob o ponto de vista de kamma.

Desta forma, em sentido absoluto, no existe ser real que vague pelo ciclo dos renascimentos, mas meramente o que ocorre este duplo processo de atividades kmmicas e resultados kmmicos. A vida presente , por assim dizer, o reflexo da passada, e a vida futura o reflexo da presente. A vida presente o resultado da atividade kmmica passada, e a vida futura o resultado da atividade kmmica presente.

Portanto, no h em lugar algum uma entidade-ego a ser encontrada que possa ser o executor da atividade kmmica ou o recebedor do resultado kmmico. Assim, o Budismo no ensina uma transmigrao real, visto que em sentido absoluto no h tal coisa como um ser ou entidade-ego, menos ainda a transmigrao desta.

Em cada pessoa, como dito antes, parece que jaz dormente a dbil noo instintiva de que a morte no pode ser o fim de todas as coisas, mas que algum tipo de continuidade deve existir. Em que sentido pode acontecer isso, entretanto, no imediatamente claro.

Talvez seja verdadeiro que uma prova direta do renascimento no possa ser dada. Temos, porm, relatos autnticos acerca de crianas em Burma e outros locais que s vezes so capazes de lembrar de modo bastante claro (provavelmente em sonhos) eventos de sua vida anterior. A propsito, aquilo que vemos nos sonhos em grande parte reflexos distorcidos de eventos e coisas reais experimentados nesta ou em outra vida. E como poderamos explicar o surgimento de prodgios como Jeremy Bentham, que aos quatro anos era capaz de ler e escrever grego e latim; ou John Stuart Mill, que aos trs anos j lia grego e aos seis escrevera uma histria de Roma; ou Babington Macaulay, que aos seis escreveu um compndio de histria mundial; ou Beethoven, que aos sete dava concertos pblicos; ou Mozart, que compunha antes dos seis anos; ou Voltaire, que leu as fbulas de La Fontaine aos trs anos de idade. No teriam estes prodgios e gnios, que em grande parte vieram de famlias de pais iletrados, construdo em vidas anteriores as fundaes de suas faculdades extraordinrias? "Natura non facit saltus: a natureza no d saltos."

Podemos afirmar corretamente que a doutrina Budista de kamma e renascimento oferece a nica explicao plausvel para todas as variaes e dissimilaridades na natureza. De uma semente de maa pode surgir apenas uma macieira, no uma mangueira; de uma semente de manga somente uma mangueira, no uma macieira. Assim, todas as coisas animadas como seres humanos, animais, etc., provavelmente mesmo as plantas e at os cristais devem, necessariamente, ser manifestaes ou objetificaes de algum tipo especfico de impulso subconsciente ou vontade de viver. Quanto a estes ltimos pontos citados o Budismo nada diz; simplesmente afirma que toda vida vegetal pertence a ordem germinal ou bija-niyama.

O Budismo ensina que se em nascimentos anteriores, o kamma corporal, verbal e mental, ou as atividades volitivas, foram ms e inferiores e assim influenciaram de modo desfavorvel o fluxo vital subconsciente (bhavanga-sota), ento tambm os resultados, manifestos na vida presente devero ser maus e desagradveis. O carter e as novas aes induzidas ou condicionadas pelos quadros e imagens negativas do fluxo mental subconsciente tambm devero ser maus e desagradveis. Se os seres, entretanto, semearam boas sementes nas vidas passadas, iro colher bons frutos na vida atual.

No Culakammavibhanga Sutta (MN 37.3) um brmane apresenta o problema:

"Mestre Gotama, qual a causa e condio pela qual os seres humanos so vistos como inferiores ou superiores? Pois, as pessoas podem ter vida curta ou vida longa, podem ser doentias ou saudveis, feias ou bonitas, sem poder ou poderosas, pobres ou ricas, nascidas em classes inferiores ou superiores, tolas ou sbias. Qual a causa e condio, Mestre Gotama, pela qual os seres humanos so vistos como inferiores ou superiores?"

O Abenoado respondeu:

"Os seres so os donos das suas aes, estudante, herdeiros das suas aes, nascem das suas aes, esto atados s suas aes, possuem as suas aes como refgio. a ao que distingue os seres entre inferiores ou superiores."

No Anguttara Nikaya III, 40 se diz: Matar, roubar, adulterar, mentir, caluniar, fala grosseira e ftil, quando praticados, cultivados e quando nos engajamos freqentemente nessas atividades, isto nos conduzir ao inferno, ao mundo animal ou ao mundo dos fantasmas famintos. E mais: Aquele que mata e cruel vai para o inferno ou, caso renasa como humano, ter uma vida curta. Aquele que tortura outros seres, ser afligido por doenas. O que odeia ser horrendo, o invejoso no exercer influncia, o teimoso ocupar posies inferiores, o indolente ser ignorante. Em sentido contrrio, beleza, influncia, riquezas, status nobre e inteligncia.

George Grimm, no livro A Doutrina do Buda, tenta mostrar como a lei da afinidade pode no momento da morte regular o alcance da ligao com o novo vulo. Ele diz:

Aquele que desprovido de compaixo e mata seres humanos ou mesmo animais, carrega dentro de si a inclinao para abreviar vidas. Ele encontra satisfao, mesmo prazer, na vida abreviada de outras criaturas. vulos de vida curta tm, portanto, alguma afinidade que faz com que eles sejam conhecidos por tal pessoa aps a morte, o que pe o indivduo no campo de ao de um novo vulo, para seu prprio prejuzo. De modo semelhante, vulos que carregam em si a potencialidade de desenvolver um corpo deformado, possuem afinidades com pessoas que encontram prazer em maltratar e desfigurar outros.
Qualquer pessoa raivosa origina dentro de si mesma uma afinidade por corpos feios e seus germes respectivos, pois marca caracterstica da raiva desfigurar o rosto.
Aquele que ciumento, avarento, arrogante, carrega dentro de si a tendncia de invejar as coisas dos outros e desprez-los. Em conformidade com isso, os vulos destinados a se desenvolver em circunstancias externas de pobreza possuem afinidades com tais pessoas.

Gostaria aqui de retificar vrias aplicaes erradas do termo kamma prevalecentes no Ocidente e afirmar de uma vez por todas: a palavra pli kamma vem da raiz kar, fazer, fabricar, agir, significando, portanto, ao, feito, etc. Como termo tcnico Budista, kamma o nome para as volies ou intenes benficas e prejudiciais (kusala e akusala-cetana), os fatores mentais e a conscincia com eles associados, manifestados como ao fsica, verbal ou mental. J nos suttas encontramos: Inteno (cetana), monges, que eu chamo kamma. Mediante a inteno que se executa o kamma por meio do corpo, linguagem e mente (cetanaham bhikkhave kammam vadami; cetayitva kammam karoti kayena vacaya manasa). Portanto, kamma ao volitiva ou intencional, nada mais, nada menos.

Deste fato resultam as trs afirmaes seguintes:

1. O termo kamma nunca compreende o resultado da ao, como muitas pessoas no Ocidente, desorientadas pela teosofia, desejariam que fosse. Kamma a ao volitiva benfica ou prejudicial e kamma-vipaka o resultado da ao.

2. Algumas pessoas consideram cada ocorrncia, mesmo nossas novas aes benficas e prejudiciais, como resultado de nosso kamma pr-natal. Em outras palavras, eles acreditam que os resultados de novo se convertem em causas de novos resultados, e assim sucessivamente ad infinitum. Desta forma eles caracterizam o Budismo como fatalismo; eles chegam a concluso de que, neste caso, nosso destino no pode ser influenciado ou mudado, e nenhuma libertao pode ser alcanada.

3. H uma terceira aplicao errada do termo kamma, que uma ampliao da primeira viso segundo a qual o termo kamma diz respeito ao resultado da ao. a suposio de um assim chamado kamma conjunto, kamma de massa, kamma grupal ou kamma coletivo. De acordo com esta viso, um grupo de pessoas, p.ex. uma nao, deve ser responsvel pelas ms aes praticadas anteriormente pelo mesmo povo. Na realidade, entretanto, o povo presente pode no ser constitudo pelos mesmos indivduos que fizeram as aes prejudiciais. Para o Budismo, verdade que qualquer pessoa que sofra fisicamente, sofre pelas suas aes passadas e presentes. Portanto, cada um daqueles indivduos nascidos na nao sofredora se est sofrendo fisicamente, tal fato se deve ao mal praticado em outro lugar, aqui ou em alguma das inumerveis esferas de existncia, ele pode no ter nada a ver com as ms aes da nao. Podemos dizer que pelo mau kamma ele foi atrado condio infernal apropriada para si mesmo. Em resumo, o termo kamma se aplica, em cada caso, somente atividade volitiva benfica e prejudicial de indivduos singulares. O kamma, dessa forma, a causa ou semente da qual os resultados adviro ao individuo, nesta vida ou numa outra. [10]

Conseqentemente, est nas mos do ser humano o poder para moldar seu destino futuro mediante a vontade e a ao ou kamma, seja este um destino elevado ou inferior, de felicidade ou misria. Alm disso, o kamma a raiz ou semente no apenas para continuao do processo vital aps a morte, ou seja, o renascimento, mas mesmo nessa vida presente, nossas aes ou kamma podem produzir bons ou maus resultados, bem como exercer influncia decisiva em nosso carter e destino atuais. Assim, por exemplo, se praticamos diuturnamente a benevolncia (amor-bondade) em relao a todos os seres vivos, tanto humanos quanto animais, iremos crescer em bondade enquanto o dio e todas as ms aes feitas atravs do dio, bem como os estados mentais aflitivos assim produzidos, no iro surgir facilmente em ns; nossa natureza e carter se tornaro firmes, felizes, pacficos e calmos.

Se praticarmos altrusmo e liberalidade, a cobia e a avareza iro diminuir. Se praticarmos amor e benevolncia, a raiva e o dio iro desvanecer. Se desenvolvermos sabedoria e conhecimento, a ignorncia e a deluso iro gradativamente desaparecer. Quanto menos cobia, dio e ignorncia (lobha, dosa, moha) habitarem em nossos coraes, menos vezes iremos cometer aes ms e prejudiciais com o corpo, a linguagem e a mente. Isto porque todas as coisas ms, todos os destinos ruins, na verdade so enraizados na cobia, no dio e na ignorncia; dessas trs coisas, ignorncia ou deluso (moha, avijja) a raiz mestra e causa primeira de todo mal e misria no mundo. Se no existir mais ignorncia, no haver mais cobia e dio, nem renascimento, nem sofrimento.

Tal objetivo, entretanto, em sentido ltimo, ser realizado apenas pelos Santos (arahants), quer dizer, aqueles que, de uma vez por todas, se libertaram dessas trs razes; isto realizado atravs do insight penetrativo, ou vipassana, em relao impermanncia, insatisfatoriedade e insubstancialidade (anicca, dhukkha e anatta) de todo este processo vital e pelo desapego a todas as formas de existncia que dele resultam. To logo cobia, dio e ignorncia se tornem extintas total e completamente, e, portanto, a vontade e a sede pela vida, que produzem um apego convulsivo existncia cheguem a um fim, ento no haver mais renascimento, e ter sido realizado o objetivo mostrado pelo Iluminado, a saber, extino de todo renascimento e sofrimento. Assim, o arahant no executa mais kamma, isto , no produz mais aes volitivas kmmicamente benficas ou prejudiciais. Ele est livre desta vontade afirmadora da vida expressa em aes fsicas, palavras ou pensamentos, livre desta semente ou causa de toda vida e existncia.

Agora, aquilo que chamamos de carter na realidade a soma dessas tendncias subconscientes produzidas em parte pelas atividades volitivas (kamma) pr-natais, em parte por nossas aes volitivas atuais. Tais tendncias podem, ao longo da vida, tornarem-se indutoras de atividade volitiva benfica ou prejudicial do corpo, fala ou mente. Caso, entretanto, a sede pela vida enraizada na ignorncia seja completamente extinta, ento no ocorrer a entrada numa nova existncia. Uma vez que a raiz de uma palmeira seja completamente destruda, a palmeira morrer. Da mesma maneira, uma vez que as trs razes ms da afirmao da vida cobia, raiva, ignorncia forem para sempre destrudas, no ocorrer o ingresso numa nova existncia. Aqui no devemos esquecer que tais expresses relativas a uma pessoa como eu, ele, santo, etc., so meros nomes convencionais para o que em realidade no passa de um processo vital impessoal.

Devo dizer, em conexo com isto, que de acordo com o Budismo, somente a ltima volio kmmica imediatamente anterior a morte, chamada de kamma prximo da morte, que decide quanto ao renascimento que seguir imediatamente. Nos pases Budistas, portanto, costume fazer com que o moribundo relembre suas boas aes, de modo a que surja nele um estado mental feliz e kmmicamente puro, como preparao para um renascimento favorvel. Ou os parentes mostram a ele coisas belas que sero ofertadas ao Buda para seu bem e benefcio, dizendo: Isto, meu querido, iremos oferecer ao Buda para seu prprio bem e benefcio. Tambm podem deixar que ele oua um sermo religioso, ou que sinta o aroma de flores, ou que prove doces ou toque roupas preciosas dizendo: Isto, meu querido, iremos oferecer ao Buda para seu prprio bem e benefcio.

No Visuddhimagga (Cap. XVII) dito que, no momento que antecede a morte, como regra, na memria do malfeitor vai aparecer a imagem de qualquer mal por ele cometido; ou que pode aparecer em seus olhos mentais uma circunstncia auxiliar ou objeto, chamada de kamma-nimitta, conectada com a m ao, como sangue, uma adaga manchada de sangue, etc.; ou ele pode ver diante de sua mente uma indicao de seu renascimento miservel iminente, gati-nimitta, como chamas ardentes, etc. Para outro moribundo, pode aparecer diante da mente a imagem de um objeto voluptuoso incitador de seu desejo sensual.

Para um bom homem pode aparecer diante de si qualquer ato nobre, kamma, feito antes por ele; ou um objeto presente naquele momento, o kamma-nimitta; ou ele pode ver em sua mente uma indicao de seu iminente renascimento, gati-nimitta, como palcios celestiais, etc.

Encontramos nos suttas a distino entre trs tipos de kamma ou aes volitivas, considerando o tempo de amadurecimento, a saber: (1) kamma que produz frutos nessa vida (ditthadhamma-vedaniya-kamma); (2) kamma que produz fruto na vida seguinte (upapajja-vedaniya-kamma); (3) kamma que produz fruto em vidas posteriores (aparapariya-vedaniya-kamma). As explicaes acerca destes tpicos so muito tcnicas para o leitor em geral. Elas implicam o seguinte: o estgio do processo chamado de kamma volitivo consiste, na mente, de uma srie momentos de pensamento impulsivos, ou javana-citta, que se sucedem em grande velocidade. Destes momentos impulsivos, o primeiro dar resultado nesta vida, o ultimo na prxima e os intermedirios em vidas posteriores. Os dois tipos de kamma que do frutos nessa vida e na seguinte podem por vezes se tornar inefetivos (ahosi-kamma). O kamma, portanto, que d frutos em vidas posteriores ser sempre efetivo, em qualquer tempo e lugar que surja uma oportunidade para que ele produza seu resultado; e enquanto o processo vital continue este kamma nunca se tornar inefetivo.

O Visuddhimagga divide o kamma, de acordo com suas funes, em quatro tipos: kamma gerador, kamma mantenedor, kamma neutralizador e kamma destrutivo, dos quais todos podem ser saudveis ou prejudiciais.

Dentre estes quatro tipos, o gerador (janaka-kamma) produz no momento do nascimento e ao longo da vida os fenmenos neutros corpreos e mentais, tais como os cinco tipos de conscincia sensria e os fatores mentais a eles associados, como sensao, percepo, impactos sensoriais, etc.

O kamma mantenedor (upatthambhaka-kamma), entretanto, no produz nenhum tipo de resultado kmmico; mas to logo qualquer outra volio kmmica tenha efetivado o renascimento e um resultado kmmico tenha sido produzido, este kamma mantm ou suporta segundo sua natureza, o fenmeno agradvel ou desagradvel e faz com que ele prossiga.

O kamma neutralizador (upapilaka-kamma) tambm no produz resultado kmmico algum; mas to logo qualquer outra volio kmmica tenha efetivado o renascimento e um resultado kmmico tenha sido produzido ele neutraliza conforme sua prpria natureza, o fenmeno agradvel ou desagradvel e no permite que este continue.

O kamma destrutivo (upaghataka-kamma) no produz resultado kmmico algum; mas to logo qualquer outra volio kmmica tenha efetivado o renascimento e um resultado kmmico tenha sido produzido ele ento destri o kamma mais fraco e permite apenas seu prprio resultado kmmico agradvel ou desagradvel.

No Comentrio ao Culakammavibhanga Sutta, o kamma gerador comparado a um fazendeiro semeando; o kamma mantenedor, com a irrigao, adubao e cuidado com a plantao, etc., kamma neutralizador seria a seca que causa uma colheita pobre e o kamma destrutivo se compara com o fogo que destri toda colheita.

Outro exemplo o seguinte: o nascimento de Devadatta numa famlia real foi devido a seu bom kamma produtivo. O fato de ele tornar-se monge e realizar elevados poderes espirituais deveu-se a seu bom kamma mantenedor. Sua inteno de matar o Buda foi um kamma neutralizador enquanto que o fato dele causar um cisma na Ordem foi um kamma destrutivo, devido ao qual ele renasceu num mundo de misria. Descrever em detalhe todas as multifacetadas divises do kamma encontradas nos Comentrios algo que vai muito alm do escopo desta breve exposio. O que eu queria deixar claro nesta conferncia o seguinte: a doutrina Budista do renascimento nada tem a ver com a transmigrao de uma alma ou entidade-ego, uma vez que em sentido ltimo no existe um tal ego, to somente um processo continuadamente mutante de fenmenos fsicos e mentais. Alm disso, foi minha inteno apontar que o processo do kamma e o do renascimento podem tornar-se ambos compreensveis apenas pela suposio de um fluxo subconsciente de vida por trs de tudo na natureza.

 


 

Notas:

[1] Palestra, Universidade do Ceilo, 1947. [Retorna]

[2] Tudo que um corpo est contido, como semente ou possibilidade, no embrio, (nota do tradutor). [Retorna]

[3] Chama-se precipitado ao slido resultante ou de uma reao qumica, ou da excessiva saturao de um composto. A metfora aqui, portanto, consiste em comparar o processo e os componentes do novo ser com uma reao qumica. [Retorna]

[4] O termo metempsicose encontrado na filosofia grega, associado principalmente aos nomes de Pitgoras e Plato. Grosso modo metempsicose refere-se a noo de transmigrao das almas atravs de vrios corpos, humanos e no-humanos. Outro nome metensomatose, usado por Plotino. Plato no Fedro atribui a metempsicose um papel purificador, ou seja, depois de um certo nmero de vidas, retorna-se ao convvio dos deuses, e caso se viva uma vida filosfica, esta purificao pode ser abreviada. [Retorna]

[5] Paleontlogo de renome que pretendia investigar o fundo de verdade presente nas vrias tradies mticas da humanidade. Referncia: The Scientist and the Fairy Tale, por: E.H. Krauss. In: http://www.theosophy-nw.org/theosnw/world/general/my-kraus.htm [Retorna]

[6] Provavelmente William James em The Varieties of Religious Experience. Traduo publicada pela cultrix: As Variedades da Experincia Religiosa. [Retorna]

[7] H, aqui um jogo de palavras intraduzvel, a palavra stream (fluxo, correnteza) que traduzimos por fluxo (de conscincia) tambm se refere a correnteza de um rio. [Retorna]

[8] Herclito, fragmento 49a. In: Pr-socrticos, Coleo os Pensadores. [Retorna]

[9] Oefeito de Fata Morgana, do italianofataMorgana(ou seja:fada Morgana), em referncia fictcia feiticeira (Fada Morgana) meia-irm doRei Arturque, segundo a lenda, era uma fada que conseguia mudar de aparncia, um efeito deiluso ptica.
Trata-se de umamiragemque se deve a umainverso trmica. Objetos que se encontrem nohorizontecomo, por exemplo, ilhas, falsias, barcos ou icebergues, adquirem uma aparncia alargada e elevada, similar aos "castelos de contos de fadas".
AFata Morganamais clebre a que se produz noEstreito de Messina, entre aCalbriae aSiclia. Com tempo calmo, a separao regular entre o ar quente e o ar frio (mais denso) perto da superfcie terrestre pode atuar como umalenterefractante, produzindo uma imagem invertida, sobre a qual a imagem distante parece flutuar. Os efeitos Fata Morgana costumam ser visveis de manh, depois de uma noite fria. um efeito habitual em vales dealta montanha, onde o efeito se v acentuado pela curvatura do vale, que cancela a curvatura da Terra. Tambm se costuma ver de manh nos mares rticos, com o mar muito calmo, e habitual nas superfcies geladas daAntrtida.
Os efeitos de Fata Morgana so miragens ditas superiores, diferentes das miragens inferiores, que so mais comuns e criam a iluso de lagos de gua distantes nosdesertosou em estradas com oasfaltomuito quente. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Fata_Morgana. [Retorna]

[10] Devo adicionar aqui que o termo pli vipaka, que geralmente traduzo por efeito ou resultado no realmente idntico a estes dois termos. De acordo com o Kathavatthu, ele diz respeito apenas ao resultado mental produzido pelo kamma, tal como a sensao fsica prazerosa e dolorosa e todos os demais fenmenos mentais primrios. Os fenmenos corporais, como os cinco rgos dos sentidos, etc., no so chamados vipaka e sim kammaja ou kamma-samutthana, ou seja, nascido do kamma ou produzido pelo kamma, (nota do autor). [Retorna]

 

 

Revisado: 16 Abril 2013

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