Um Verbo para Nibbana

Por

Ajaan Thanissaro

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Na poca do Buda, nirvana (nibbana em Pali) tinha o seu prprio verbo: nibbuti. Que significava extinguir como uma chama. Porque se pensava que o fogo estava num estado de aprisionamento enquanto ardia apegado e aprisionado ao combustvel do qual se alimentava a sua extino ento era vista como o desapego ou desatamento. Extinguir era o mesmo que tornar-se desatado. Algumas vezes um outro verbo era usado parinibbuti pari significando total ou completo, para indicar que a pessoa desatada, ao contrrio do fogo desatado, nunca mais seria aprisionada.

Agora que nirvana foi incorporado ao nosso vocabulrio, seria bom se tivesse o seu prprio verbo para tambm transmitir a noo de estar desatado. Em geral dizemos que uma pessoa alcana nirvana ou entra em nirvana, sugerindo que nirvana seria um lugar para onde podemos ir. Mas, sem dvida nenhuma, nirvana no um lugar. Nirvana s realizado quando a mente pra de se definir em relao a um lugar: aqui ou ali, ou entre os dois.

Isto pode parecer um problema de um neologista que benefcio um ou dois verbos traria para a nossa prtica? Mas a idia de que nirvana um lugar j criou muita confuso no passado e pode facilmente criar mal-entendidos agora. Houve uma poca em que alguns filsofos na ndia argumentaram que se nirvana um lugar e samsara outro, ento ao entrar em nirvana voc ficaria preso: o seu mbito de movimentao seria limitado, pois voc no poderia retornar para o samsara. Ento, para solucionar esse problema eles inventaram aquilo que pensavam ser um novo tipo de nirvana: um nirvana no estabelecido, no qual uma pessoa poderia estar em ambos os lugares - nirvana e samsara - ao mesmo tempo .

No entanto, esses filsofos no entenderam dois pontos importantes acerca dos ensinamentos do Buda. Primeiro, nem samsara e nem nirvana so um lugar. Samsara um processo de criao de lugares e at mesmo de mundos completos, (isso chamado de ser/existir ou devir) e depois perambular neles, (isso chamado nascimento). Nirvana o fim desse processo. Podemos encontrar uma forma de estar em dois lugares ao mesmo tempo, mas no podemos alimentar um processo e vivenciar o seu fim ao mesmo tempo. Ou estamos alimentando samsara ou no. Se sentirmos a necessidade de trafegar livremente em ambos, samsara e nirvana, ento estaremos simplesmente engajados em mais samsar-izao, mantendo-nos aprisionados.

Segundo, desde os primrdios, nirvana era realizado atravs da conscincia no estabelecida - aquela que no vem, no vai, tampouco permanece no mesmo lugar. No possvel que algo no estabelecido fique de algum modo preso a qualquer coisa, pois essa conscincia no s no localizada como tambm indefinida.

A noo de um ideal religioso que esteja alm do espao e das definies no exclusiva aos ensinamentos Budistas, mas as questes de localizao e definio, aos olhos do Buda, tinham um significado psicolgico especfico. E por isso que importante entender a no localizao de nirvana.

Como todos os fenmenos esto enraizados no desejo, a conscincia se localiza atravs da cobia. A cobia o que cria o ali onde a conscincia pode pousar ou se estabelecer, quer esse ali seja uma forma, sensao, percepo, formao mental ou algum tipo de conscincia mesmo. Uma vez que a conscincia se estabelea em qualquer um desses agregados, ela se apega e depois prolifera, alimentando-se de tudo ao seu redor e criando todo o tipo de confuso. Onde quer que o apego se estabelea, ali haver a definio de um ser. Nesse ponto criada a identidade, e ao fazer isso uma limitao estabelecida. Mesmo se o ali for uma noo da conscincia infinita se estabelecendo, envolvendo ou permeando todo o restante, ainda assim h limitao, pois o estabelecer, e assim por diante, so aspectos de lugar. Onde quer que haja espao, no importando o quo sutil, a cobia encontra-se latente, buscando mais alimento para comer.

No entanto, se a cobia puder ser removida, no haver mais ali. Um sutta ilustra isso com um smile: um raio de sol entrando pela janela do lado leste de uma casa e pousando na parede do lado oeste. Se a parede do lado oeste, o solo e os lenis freticos contidos no solo fossem todos removidos, o raio de sol no teria onde pousar. Do mesmo modo, se a cobia pela forma, etc., pudesse ser removida, a conscincia no teria onde pousar e assim se tornaria no estabelecida. Isso no significa que a conscincia seria aniquilada, mas que, como com o raio de sol, ela simplesmente no teria localidade. Sem localidade, ela no mais seria definida.

por isso que se diz que a conscincia de nirvana sem superfcie, (anidassanam), pois ela no pousa. Como o agregado da conscincia abrange apenas a conscincia que prxima ou distante, passada, presente ou futura, isto , em conexo com o tempo e espao, a conscincia sem superfcie no est includa nos agregados. Ela no eterna porque a eternidade uma funo do tempo. E como sem localidade tambm significa indefinida, o Buda insistiu em que uma pessoa iluminada, ao contrrio de uma pessoa comum, no pode ser localizada ou definida de nenhum modo em relao aos agregados nesta vida; aps a morte, ele/ela no pode ser descrito como existindo, no existindo, nenhum dos dois, ou ambos, porque as descries s se aplicam a coisas que podem ser definidas.

O passo essencial na direo dessa realizao sem localidade e indefinida reduzir as proliferaes da conscincia. Em primeiro lugar, contemplar as desvantagens de manter a conscincia aprisionada ao processo de comilana. Essa contemplao gera a urgncia para os passos seguintes: trazer a mente para a unicidade da concentrao, refinando-a gradualmente e a declin-la at zero. As desvantagens da comilana so descritas de modo mais claro no SN XII.63, A Carne de um Filho. O processo da refinao gradual da unicidade est provavelmente melhor descrito no MN 121, O Pequeno Discurso sobre o Vazio, enquanto que o declnio at zero est melhor descrito no discurso para Malunkyaputta (SN XXXV.95): Aqui, Malunkyaputta, com relao s coisas vistas, ouvidas, sentidas e conscientizadas por voc: no visto haver apenas o visto; no ouvido haver apenas o ouvido; no sentido haver apenas o sentido; no conscientizado haver apenas o conscientizado. Quando, Malunkyaputta, com relao s coisas vistas, ouvidas, sentidas e conscientizadas por voc, no visto houver apenas o visto, no ouvido houver apenas o ouvido, no sentido houver apenas o sentido, no conscientizado houver apenas o conscientizado, ento, Malunkyaputta, voc no estar com aquilo. Quando, Malunkyaputta, voc no estiver com aquilo, ento voc no estar naquilo. Quando, Malunkyaputta, voc no estiver naquilo, ento voc no estar aqui, nem alm e tampouco entre os dois. Isso em si mesmo o fim do sofrimento.

Quando no h aqui ou alm, ou entre os dois, bvio que no podemos empregar, ainda que como uma metfora, o verbo entrar ou alcanar para descrever essa realizao. Talvez devssemos fazer da prpria palavra nirvana um verbo: Quando no h voc em conexo com aqueles, voc nirvana. Assim, podemos indicar que o desatamento uma ao distinta de todas as demais e evitar qualquer noo equivocada de ficar preso na completa libertao.

 


 

Leituras Complementares

Todos os seres dependem de alimento. [Khp 4]

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Sentado a um lado o Venervel Radha disse para o Abenoado: Venervel senhor, dizem,um ser, um ser. De que modo, venervel senhor, algum chamado um ser?

Algum est grudado, Radha, grudado com firmeza, ao desejo, cobia, deleite e paixo pela forma; assim algum chamado um ser. Algum est grudado, grudado com firmeza, ao desejo, cobia, deleite e paixo pela sensao ... pela percepo ... pelas formaes ... pela conscincia, assim algum chamado um ser. [SN XXIII.2]

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Se algum permanecer obcecado com a forma, senhor, com base nisso que ele ser medido. Se algum medido com base em algo, ento, com base nisso ele ser avaliado.

Se algum permanecer obcecado com a sensao...

Se algum permanecer obcecado com a percepo...

Se algum permanecer obcecado com as formaes volitivas...

Se algum permanecer obcecado com a conscincia, senhor, com base nisso que ele ser medido. Se algum medido com base em algo, ento, com base nisso ele ser avaliado.

Mas, se algum no permanecer obcecado com a forma, senhor, ele no ser medido com base nisso. No sendo medido com base em algo, ento, ele no ser avaliado com base nisso.

Se algum no permanecer obcecado com a sensao...

Se algum no permanecer obcecado com a percepo...

Se algum no permanecer obcecado com as formaes volitivas...

Se algum no permanecer obcecado com a conscincia, senhor, ele no ser medido com base nisso. No sendo medido com base em algo, ento ele no ser avaliado com base nisso. [SN XXII.36]

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Quem est apegado no est libertado; quem no est apegado est libertado. A conscincia, bhikkhus, enquanto se mantm, poder ser mantida apegada forma, suportada pela forma, fundamentada na forma e com um pouco de prazer, ela poder exibir crescimento, incremento e expanso. Ou a conscincia, enquanto se mantm poder ser mantida [apegada sensao ... apegada percepo] apegada s formaes volitivas, suportada pelas formaes volitivas, fundamentada nas formaes volitivas e com um pouco de prazer, ela poder exibir crescimento, incremento e expanso.

Bhikkhus, embora algum possa dizer: Separado da forma, separado da sensao, separado da percepo, separado das formaes volitivas, eu declararei a vinda e ida da conscincia, o seu falecimento e renascimento, o seu crescimento, incremento e expanso isso seria impossvel.

Bhikkhus, se um bhikkhu abandona a cobia pelo elemento forma...

Bhikkhus, se um bhikkhu abandona a cobia pelo elemento sensao...

Bhikkhus, se um bhikkhu abandona a cobia pelo elemento percepo...

Bhikkhus, se um bhikkhu abandona a cobia pelo elemento formaes volitivas...

Bhikkhus, se um bhikkhu abandona a cobia pelo elemento conscincia, ento devido ao abandono da cobia o suporte eliminado e no existe base para o estabelecimento da conscincia.

Quando esta conscincia no se estabelece, no cresce, no gera, ela se liberta. Estando libertada, ela fica estvel; estando estvel, ela fica satisfeita; estando satisfeita, ela no se agita. Sem agitao, ele realiza Nibbana. Ele compreende que O nascimento foi destrudo, a vida santa foi vivida, o que deveria ser feito foi feito, no h mais vir a ser a nenhum estado. [SN XXII.53]

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Bhikkhus, aquilo que algum intenciona, aquilo que algum planeja e pela qual algum tenha preferncia: isto se torna uma base para a manuteno da conscincia. Quando h uma base, haver um suporte para o estabelecimento da conscincia. Quando a conscincia se estabelece e cresce, h a produo de uma renovada existncia futura. Quando h a produo de uma renovada existncia futura, o futuro nascimento e morte, lamentao, dor, angstia e desespero surgem. Essa a origem de toda essa massa de sofrimento.

Se, bhikkhus, algum no intenciona, algum no planeja, mas ainda tem preferncia por algo, isto se torna uma base para a manuteno da conscincia. Quando h uma base, haver um suporte para o estabelecimento da conscincia ... Essa a origem de toda essa massa de sofrimento.

Mas, bhikkhus, quando algum no intenciona, algum no planeja e no no tem preferncia por algo, nenhuma base existe para a manuteno da conscincia. Quando no h uma base, no haver suporte para o estabelecimento da conscincia. Quando a conscincia no se estabelece e no cresce, no h a produo de uma renovada existncia futura. Quando no h a produo de uma renovada existncia futura, o futuro nascimento e morte, lamentao, dor, angstia e desespero cessam. Essa a cessao de toda essa massa de sofrimento. [SN XII.38]

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"Existem esses quatro tipos de alimentos para a manuteno dos seres que j nasceram e para o sustento daqueles que esto em busca de um nascimento. Quais quatro? O alimento comida, grosseira ou sutil, o contato como o segundo, a volio mental como o terceiro e a conscincia como o quarto. Esses so os quatro tipos de alimentos para a manuteno dos seres que j nasceram e para o sustento daqueles que esto buscando o nascimento.

Quando existe cobia, prazer e desejo pelo alimento comida, a conscincia ali se estabelece e expande. Quando a conscincia se estabelece e expande, a mentalidade-materialidade (nome e forma) acendida. Quando a mentalidade-materialidade (nome e forma) acendida, ocorre o crescimento das formaes volitivas. Quando ocorre o crescimento das formaes volitivas, ocorre a produo de um renovado ser/existir no futuro, h um futuro nascimento, envelhecimento e morte, juntamente, eu lhes digo, com tristeza, angstia e desespero.

Quando existe cobia, prazer e desejo pelo alimento contato...

Quando existe cobia, prazer e desejo pelo alimento volio mental...

Quando existe cobia, prazer e desejo pelo alimento conscincia, a conscincia ali se estabelece e expande. Quando a conscincia se estabelece e expande, a mentalidade-materialidade (nome e forma) acendida. Quando a mentalidade-materialidade (nome e forma) acendida, ocorre o crescimento das formaes volitivas. Quando ocorre o crescimento das formaes volitivas, ocorre a produo de um renovado ser/existir no futuro, h um futuro nascimento, envelhecimento e morte, juntamente, eu lhes digo, com tristeza, angstia e desespero.

Como quando existe pigmento, laca, corante auricolor, ndigo, carmesim um pintor pintaria o retrato de uma mulher ou de um homem, completo em todas as suas partes, em um painel ou parede bem polida, ou num pedao de tela; da mesma forma, quando existe cobia, prazer e desejo pelo alimento comida ... contato ... volio mental ... conscincia, a conscincia ali se estabelece e expande. Quando a conscincia se estabelece e expande, a mentalidade-materialidade (nome e forma) acendida. Quando a mentalidade-materialidade (nome e forma) acendida, ocorre o crescimento das formaes volitivas. Quando ocorre o crescimento das formaes volitivas, ocorre a produo de um renovado ser/existir no futuro, h um futuro nascimento, envelhecimento e morte, juntamente, eu lhes digo, com tristeza, angstia e desespero.

Quando no existe cobia, prazer e desejo pelo alimento comida, ento a conscincia ali no se estabelece ou expande. Quando a conscincia no se estabelece ou expande, a mentalidade-materialidade (nome e forma) no acendida. Quando a mentalidade-materialidade (nome e forma) no acendida, no ocorre o crescimento das formaes volitivas. Quando no ocorre o crescimento das formaes volitivas, no ocorre a produo de um renovado ser/existir no futuro. Quando no ocorre a produo de um renovado ser/existir no futuro, no h um futuro nascimento, envelhecimento e morte. Assim, eu lhes digo, no h tristeza, angstia e desespero.

Quando no existe cobia, prazer e desejo pelo alimento contato...

Quando no existe cobia, prazer e desejo pelo alimento volio mental...

Quando no existe cobia, prazer e desejo pelo alimento conscincia, ento a conscincia ali no se estabelece ou expande. Quando a conscincia no se estabelece ou expande, a mentalidade-materialidade (nome e forma) no acendida. Quando a mentalidade-materialidade (nome e forma) no acendida, no ocorre o crescimento das formaes volitivas. Quando no ocorre o crescimento das formaes volitivas, no ocorre a produo de um renovado ser/existir no futuro. Quando no ocorre a produo de um renovado ser/existir no futuro, no h um futuro nascimento, envelhecimento e morte. Assim, eu lhes digo, no h tristeza, angstia e desespero.

Como se houvesse uma casa coberta por um telhado, ou um salo coberto por um telhado com janelas na face norte, sul ou no leste. Quando o sol nascesse e um raio entrasse pela janela onde ele pousaria?

Na parede do lado oeste, senhor.

E se no houvesse uma parede do lado oeste, onde pousaria?

No solo, senhor.

E se no houvesse solo, onde pousaria?

Na gua, senhor.

E se no houvesse gua, onde pousaria?

No pousaria, senhor.

Da mesma forma, quando no existe cobia, prazer e desejo pelo alimento comida ... contato ... volio mental ... conscincia, ento a conscincia ali no se estabelece ou expande. Quando a conscincia no se estabelece ou expande, a mentalidade-materialidade (nome e forma) no acendida. Quando a mentalidade-materialidade (nome e forma) no acendida, no ocorre o crescimento das formaes volitivas. Quando no ocorre o crescimento das formaes volitivas, no ocorre a produo de um renovado ser/existir no futuro. Quando no ocorre a produo de um renovado ser/existir no futuro, no h um futuro nascimento, envelhecimento e morte. Assim, eu lhes digo, no h tristeza, angstia e desespero. [SN XII.64]

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Ele no forma nenhuma condio ou gera vontade com o propsito de ser/existir ou no ser/existir. J que ele no forma nenhuma condio ou gera vontade com o propsito de ser/existir ou no ser/existir, ele no se apega a nada neste mundo. No se apegando, ele no fica agitado. Sem estar agitado, ele realiza Nibbana. Ele compreende que O nascimento foi destrudo, a vida santa foi vivida, o que deveria ser feito foi feito, no h mais vir a ser a nenhum estado.'

"Se ele sente uma sensao de prazer, ele compreende: impermanente; no h que agarr-la; no existe prazer nela. Se ele sente uma sensao de dor, ele compreende: impermanente; no h que agarr-la; no existe prazer nela. Se ele sente uma sensao nem de prazer nem de dor, ele compreende: impermanente; no h que agarr-la; no existe prazer nela.[MN 140.22]

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Irms, suponham que um hbil aougueiro ou o seu aprendiz matasse uma vaca e a descarnasse com uma faca afiada de aougueiro. Sem danificar a massa interna de carne e sem danificar o couro externo, ele cortaria, separaria e trincharia os tendes internos, nervos e ligamentos com a faca afiada de aougueiro. Ento, depois de cortar, separar e trinchar tudo isso, ele removeria o couro externo e cobriria novamente a vaca com aquele mesmo couro. Ele falaria corretamente se dissesse: Esta vaca est unida a este couro da mesma forma que antes?

No, venervel senhor. Por que isso? Porque se aquele hbil aougueiro ou o seu aprendiz matasse uma vaca ... e cortasse, separasse e trinchasse tudo aquilo, muito embora ele cubra a vaca novamente com aquele mesmo couro e diga: Esta vaca est unida a este couro da mesma forma que antes, aquela vaca est desunida daquele couro.

Irms, eu citei este smile para transmitir uma idia. A idia a seguinte: A massa interna de carne um termo para as seis bases internas. O couro externo um termo para as seis bases externas. Os tendes internos, nervos e ligamentos um termo para o prazer e a cobia. A faca afiada do aougueiro um termo para a nobre sabedoria a nobre sabedoria que corta, separa e trincha as contaminaes internas, os grilhes e laos. [MN 146]

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Agora, naquela ocasio uma nuvem de fumaa, um redemoinho de trevas, estava se movendo para o leste, depois para o oeste, para o norte, para o sul, para cima, para baixo e para os quadrantes intermedirios. Ento, o Abenoado se dirigiu aos bhikkhus: Vocs vm, bhikkhus, aquela nuvem de fumaa, um redemoinho de trevas, movendo-se para o leste, depois para o oeste, para o norte, para o sul, para cima, para baixo e para os quadrantes intermedirios?"

Sim, venervel senhor.

Aquilo, bhikkhus, Mara, o Senhor do Mal, procurando pela conscincia de Godhika, perguntando a si mesmo: Onde agora se estabeleceu a conscincia de Godhika? No entanto, bhikkhus, com a conscincia no estabelecida, Godhika realizou o parinibbana.[SN IV.23]

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Upasiva:
Aquele que chegou ao fim: ele aniquilado, ou permanece eternamente intacto? Por favor, sbio, explique isso para mim pois esse fenmeno do seu conhecimento.

O Buda:
No h nada atravs do qual se possa medir aquele que chegou ao fim. Aquilo atravs do qual algum poderia defini-lo - no se aplica no caso dele. Quando todos os fenmenos so eliminados, todos os meios de definio tambm so eliminados. [Snp V.6]

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O que voc pensa, Anuradha, a forma permanente ou impermanente?

Impermanente, senhor.

"E aquilo que impermanente sofrimento ou felicidade?

Sofrimento, senhor.

E adequado considerar o que impermanente, sofrimento, sujeito a mudanas como: Isso meu. Isso sou eu. Isso o meu eu?

No, senhor.

...A sensao permanente ou impermanente?

Impermanente, senhor.

...A percepo permanente ou impermanente?

Impermanente, senhor.

...As formaes volitivas so permanentes ou impermanentes?

Impermanentes, senhor.

O que voc pensa, Anuradha, a conscincia permanente ou impermanente?

Impermanente, senhor.

E aquilo que impermanente sofrimento ou felicidade?

Sofrimento, senhor.

E adequado considerar o que impermanente, sofrimento, sujeito a mudanas como: 'Isso meu. Isso sou eu. Isso o meu eu?

No, senhor.

O que voc pensa, voc considera a forma como sendo o Tathagata?

No, senhor.

Voc considera a sensao como sendo o Tathagata

No, senhor.

Voc considera a percepo como sendo o Tathagata

No, senhor.

Voc considera as formaes volitivas como sendo o Tathagata

No, senhor.

Voc considera a conscincia como sendo o Tathagata

No, senhor.

O que voc pensa, voc considera que o Tathagata est na forma? ... Separado da forma? ... Na sensao? ... Separado da sensao? ... Na percepo? ... Separado da percepo? ... Nas formaes volitivas? ... Separado das formaes volitivas? ... Na conscincia? ... Separado da conscincia?"

No, senhor.

O que voc pensa, voc considera que o Tathagata o conjunto da forma-sensao-percepo-formaes volitivas-conscincia?

No, senhor.

Voc considera que o Tathagata no tem forma, no tem sensao, no tem percepo, no tem formaes volitivas, no tem conscincia?

No, senhor.

Mas, Anuradha, quando voc no consegue entender o Tathagata como real e presente nesta mesma vida, apropriado que voc declare, Amigos, o Tathagata o homem supremo, o homem superlativo, que realizou a realizao superlativa ao ser descrito, descrito de uma maneira distinta dessas quatro: o Tathagata existe aps a morte; no existe aps a morte; ambos, existe e no existe aps a morte; nem existe, nem no existe aps a morte.?

No, senhor.

Muito bem, Anuradha. Tanto antes, como agora, eu declaro somente o sofrimento e a cessao do sofrimento. [SN XXII.86]

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Quando a mente de um bhikkhu est libertada dessa forma, Mestre Gotama, onde ele renasce [aps a morte]?

O termo renasce no se aplica, Vaccha.

Ento ele no renasce, Mestre Gotama?

O termo no renasce no se aplica, Vaccha.

Ento, ambos, ele renasce e no renasce, Mestre Gotama?

O termo ambos, renasce e no renasce no se aplica, Vaccha.

Ento ele nem renasce nem no renasce, Mestre Gotama?

O termo nem renasce nem no renasce no se aplica, Vaccha.

Quando o Mestre Gotama perguntado essas quatro questes; ele responde: O termo renasce no se aplica, Vaccha; o termo no renasce no se aplica, Vaccha; o termo ambos, renasce e no renasce no se aplica, Vaccha; o termo nem renasce nem no renasce no se aplica, Vaccha. Agora fiquei atordoado, Mestre Gotama, agora fiquei confuso, e o tanto de confiana, que eu havia obtido atravs da conversa anterior com o Mestre Gotama, agora desapareceu.

normal que isso o deixe atordoado, Vaccha, normal que isso o deixe confuso. Pois este Dhamma, Vaccha, profundo, difcil de ser visto e difcil de ser compreendido, pacfico e sublime, no pode ser alcanado atravs do mero raciocnio, sutil, para ser experimentado pelos sbios. difcil que voc o entenda possuindo uma outra idia, aceitando um outro ensinamento, aprovando um outro ensinamento, dedicando-se a um outro treinamento e seguindo um outro mestre. Portanto, em retribuio, eu o questionarei acerca disso, Vaccha. Responda como quiser.

O que voc pensa, Vaccha? Suponha que um fogo estivesse queimando sua frente. Voc saberia que: Este fogo est queimando na minha frente?

Eu saberia, Mestre Gotama.

Se algum lhe perguntasse, Vaccha: Esse fogo sua frente queima na dependncia do que? tendo sido assim perguntado, o que voc responderia?

Sendo assim perguntado, Mestre Gotama, eu responderia: Este fogo na minha frente queima na dependncia de capim e gravetos.

Se esse fogo sua frente se extinguisse, voc saberia que: Este fogo na minha frente se extinguiu?

Eu saberia, Mestre Gotama.

Se algum lhe perguntasse, Vaccha: Quando esse fogo sua frente foi extinto, para qual direo ele se foi: para o leste, para o oeste, para o norte, ou para o sul? tendo sido perguntado dessa forma, o que voc responderia?

Isso no se aplica, Mestre Gotama. O fogo queimou na dependncia do seu combustvel, capim e gravetos. Quando ele foi consumido, se no h mais combustvel, no tendo combustvel, ele extinto.

Assim tambm, Vaccha, o Tathagata abandonou aquela forma material pela qual algum, descrevendo o Tathagata, o descreveria; ele cortou-a pela raiz, fez como com um tronco de palmeira, eliminando-a de tal forma que no estar mais sujeita a um futuro surgimento. O Tathagata est libertado de pensar em termos da forma material, Vaccha, ele profundo, imensurvel, difcil de ver e difcil de compreender em profundidade tal como o oceano. O termo renasce no se aplica, o termo no renasce no se aplica, o termo ambos, renasce nem no renasce no se aplica, o termo nem renasce, nem no renasce no se aplica. O Tathagata abandonou aquela sensao pela qual algum, descrevendo o Tathagata, o descreveria ... abandonou aquela percepo pela qual algum, descrevendo o Tathagata, o descreveria ... abandonou aquelas formaes pela qual algum, descrevendo o Tathagata, o descreveria ... abandonou aquela conscincia pela qual algum, descrevendo o Tathagata o descreveria; ele cortou-a pela raiz, fez como com um tronco de palmeira, eliminando-a de tal forma que no estar mais sujeita a um futuro surgimento. O Tathagata est liberto de pensar em termos da conscincia, Vaccha; ele profundo, imensurvel, difcil de ser examinado em profundidade, tal como o oceano. O termo renasce no se aplica, o termo no renasce no se aplica, o termo ambos, renasce nem no renasce no se aplica, o termo nem renasce, nem no renasce no se aplica. [MN 72]

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A conscincia desprovida de atributos,
Ilimitada,
E toda luminosa:
que no participa da solidez da terra, que no participa da liquidez da gua ... que no participa da totalidade do todo. [MN 49]

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Na conscincia desprovida de atributos, ilimitada e toda luminosa.
Nisso a terra, gua, fogo e ar,
Grande e pequeno, fino e grosseiro, puro e impuro no encontram apoio.
Nisso a mentalidade-materialidade (nome e forma) cessa sem deixar vestgios.
Com a cessao [do agregado] da conscincia, tudo isso cessa. [DN 11]

 

 

Revisado: 31 Outubro 2008

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