Projeto Sangiti Sutta

Ariyapariyesana Sutta (MN 26)

Mahasaccaka Sutta (MN 36)

Somente para distribuio gratuita.
Este trabalho pode ser impresso para distribuio gratuita.
Este trabalho pode ser re-formatado e distribudo para uso em computadores e redes de computadores
contanto que nenhum custo seja cobrado pela distribuio ou uso.
De outra forma todos os direitos esto reservados.

 


1.(26.01) Assim ouvi. Em certa ocasio o Abenoado estava em Savathi no Bosque de Jeta, no Parque de Anathapindika.

2.(26.02) Ento, ao amanhecer, o Abenoado se vestiu e tomando a tigela e o manto externo, foi para Savathi para esmolar alimentos. Ento um grande nmero de bhikkhus foram at o ven. Ananda e lhe disseram: Amigo Ananda, j faz bastante tempo desde que ouvimos um discurso do Dhamma da prpria boca do Abenoado. Seria bom se pudssemos ouvir um discurso, amigo Ananda. Ento que os venerveis sigam at o retiro do brmane Rammaka. Talvez vocs venham a ouvir um discurso do Dhamma da prpria boca do Abenoado. Sim, amigo, eles responderam.

3.(26.03) Ento, aps o Abenoado ter esmolado alimentos em Savathi e de haver retornado, aps a refeio, ele se dirigiu ao ven. Ananda: Ananda, vamos at o Parque do Oriente, ao Palcio da me de Migara, para passar o resto do dia. Sim venervel senhor, o ven. Ananda respondeu. Ento o Abenoado foi com o ven. Ananda at o Parque do Oriente, ao Palcio da me de Migara, para passar o resto do dia.

Depois, ao anoitecer, o Abenoado levantou-se da meditao e disse para o ven. Ananda: Ananda, vamos at o Local de Banhos do Oriente para tomar banho. Sim, venervel senhor, o ven. Ananda respondeu. Ento o Abenoado foi com o ven. Ananda at a Local de Banhos do Oriente para tomar banho. Quando ele havia terminado, ele saiu da gua e se secou com um manto. Ento o ven. Ananda disse para o Abenoado: Venervel senhor, o retiro do brmane Rammaka est prximo daqui. um retiro agradvel e prazeroso. Venervel senhor, seria bom se o Abenoado fosse at l por compaixo. O Abenoado concordou em silncio.

4.(26.04) Ento, o Abenoado foi at o retiro do brmane Rammaka. Agora naquela ocasio um grande nmero de bhikkhus estavam no retiro juntos, sentados, discutindo o Dhamma. O Abenoado ficou do lado de fora da porta esperando que a discusso terminasse. Ao perceber que havia terminado, ele limpou a garganta e bateu na porta e os bhikkhus abriram a porta para ele. O Abenoado entrou e sentou num assento que havia sido preparado e se dirigiu aos bhikkhus da seguinte forma: Bhikkhus, qual o assunto que faz com que vocs estejam sentados juntos aqui agora? Qual a discusso que foi interrompida?

Venervel senhor, nossa discusso sobre o Dhamma que foi interrompida era sobre o prprio Abenoado. Ento o Abenoado chegou.

Bom, bhikkhus. apropriado que vocs, membros de cls, que pela f deixaram a vida em famlia pela vida santa, se renam para discutir o Dhamma. Quando vocs se reunirem, bhikkhus, vocs devem fazer uma de duas coisas: discutir o Dhamma ou observar o nobre silncio.

(Dois tipos de Busca)

5.(26.05) Bhikkhus, existem esses dois tipos de busca: a busca nobre e a busca ignbil. E o que a busca ignbil? Nesse caso, algum que, estando ele mesmo sujeito ao nascimento, busca aquilo que tambm est sujeito ao nascimento; estando ele mesmo sujeito ao envelhecimento, busca aquilo que tambm est sujeito ao envelhecimento; estando ele mesmo sujeito enfermidade, busca aquilo que tambm est sujeito enfermidade; estando ele mesmo sujeito morte, busca aquilo que tambm est sujeito morte; estando ele mesmo sujeito tristeza, busca aquilo que tambm est sujeito tristeza; estando ele mesmo sujeito s contaminaes, busca aquilo que tambm est sujeito s contaminaes.

6.(26.06) E o que pode ser dito como estando sujeito ao nascimento? Esposa e filhos esto sujeitos ao nascimento, escravos e escravas, bodes e ovelhas, aves e porcos, elefantes, gado, cavalos e guas, ouro e prata esto sujeitos ao nascimento. Essas aquisies esto sujeitas ao nascimento; e aquele que est preso a essas coisas, apaixonado por elas e totalmente comprometido com elas, estando ele mesmo sujeito ao nascimento, busca aquilo que tambm est sujeito ao nascimento.

7.(26.07) E o que pode ser dito como estando sujeito ao envelhecimento? Esposa e filhos esto sujeitos ao envelhecimento, escravos e escravas, bodes e ovelhas, aves e porcos, elefantes, gado, cavalos e guas, ouro e prata esto sujeitos ao envelhecimento. Essas aquisies esto sujeitas ao envelhecimento; e aquele que est preso a essas coisas, apaixonado por elas e totalmente comprometido com elas, estando ele mesmo sujeito ao envelhecimento, busca aquilo que tambm est sujeito ao envelhecimento.

8.(26.08) E o que pode ser dito como estando sujeito enfermidade? Esposa e filhos esto sujeitos enfermidade, escravos e escravas, bodes e ovelhas, aves e porcos, elefantes, gado, cavalos e guas esto sujeitos enfermidade. Essas aquisies esto sujeitas enfermidade; e aquele que est preso a essas coisas, apaixonado por elas e totalmente comprometido com elas, estando ele mesmo sujeito enfermidade, busca aquilo que tambm est sujeito enfermidade.

9.(26.09) E o que pode ser dito como estando sujeito morte? Esposa e filhos esto sujeitos morte, escravos e escravas, bodes e ovelhas, aves e porcos, elefantes, gado, cavalos e guas esto sujeitos morte. Essas aquisies esto sujeitas morte; e aquele que est preso a essas coisas, apaixonado por elas e totalmente comprometido com elas, estando ele mesmo sujeito morte, busca aquilo que tambm est sujeito morte.

10.(26.10) E o que pode ser dito como estando sujeito tristeza? Esposa e filhos esto sujeitos tristeza, escravos e escravas, bodes e ovelhas, aves e porcos, elefantes, gado, cavalos e guas esto sujeitos tristeza. Essas aquisies esto sujeitas tristeza; e aquele que est preso a essas coisas, apaixonado por elas e totalmente comprometido com elas, estando ele mesmo sujeito tristeza, busca aquilo que tambm est sujeito tristeza.

11.(26.11) E o que pode ser dito como estando sujeito s contaminaes? Esposa e filhos esto sujeitos s contaminaes, escravos e escravas, bodes e ovelhas, aves e porcos, elefantes, gado, cavalos e guas, ouro e prata esto sujeitos s contaminaes. Essas aquisies esto sujeitas s contaminaes; e aquele que est preso a essas coisas, apaixonado por elas e totalmente comprometido com elas, estando ele mesmo sujeito s contaminaes, busca aquilo que tambm est sujeito s contaminaes. Essa a busca ignbil.

12.(26.12) E o que a busca nobre? Nesse caso, algum que, estando ele mesmo sujeito ao nascimento, tendo compreendido o perigo daquilo que est sujeito ao nascimento, busca o que no nasce, a suprema segurana contra o cativeiro, Nibbana; estando ele mesmo sujeito ao envelhecimento, tendo compreendido o perigo daquilo que est sujeito ao envelhecimento, busca o que no envelhece, a suprema segurana contra o cativeiro, Nibbana; estando ele mesmo sujeito enfermidade, tendo compreendido o perigo daquilo que est sujeito enfermidade, busca o que no se enferma, a suprema segurana contra o cativeiro, Nibbana; estando ele mesmo sujeito morte, tendo compreendido o perigo daquilo que est sujeito morte, busca o imortal, a suprema segurana contra o cativeiro, Nibbana; estando ele mesmo sujeito tristeza, tendo compreendido o perigo daquilo que est sujeito tristeza, busca o que no est sujeito tristeza, a suprema segurana contra o cativeiro, Nibbana; estando ele mesmo sujeito s contaminaes, tendo compreendido o perigo daquilo que est sujeito s contaminaes, busca o que no contaminado, a suprema segurana contra o cativeiro, Nibbana. Essa a busca nobre.

(A Busca pela Iluminao)

13.(26.13) Bhikkhus, antes da minha iluminao, quando eu ainda era um Bodisatva no iluminado, eu tambm, estando eu mesmo sujeito ao nascimento, busquei aquilo que tambm estava sujeito ao nascimento; estando eu mesmo sujeito ao envelhecimento, enfermidade, morte, tristeza e contaminaes, busquei aquilo que tambm estava sujeito ao envelhecimento, enfermidade, morte, tristeza e contaminaes. Ento considerei o seguinte: Por que, estando eu mesmo sujeito ao nascimento, busco aquilo que tambm est sujeito ao nascimento? Por que, estando eu mesmo sujeito ao envelhecimento, enfermidade, morte, tristeza e contaminaes, busco aquilo que tambm est sujeito ao envelhecimento, enfermidade, morte, tristeza e contaminaes? E se eu, estando eu mesmo sujeito ao nascimento, tendo compreendido o perigo daquilo que est sujeito ao nascimento, buscasse o que no nasce, a suprema segurana contra o cativeiro, Nibbana. E se eu, estando eu mesmo sujeito ao envelhecimento, enfermidade, morte, tristeza e contaminaes, tendo compreendido o perigo daquilo que est sujeito ao envelhecimento, enfermidade, morte, tristeza e contaminaes, buscasse o que no envelhece, o que no est sujeito enfermidade, o imortal, o que no est sujeito tristeza, o que no contaminado, a suprema segurana contra o cativeiro, Nibbana.

14.(26.14) Mais tarde, ainda jovem, um homem jovem com o cabelo negro, dotado com as bnos da juventude, na flor da juventude, embora minha me e meu pai desejassem outra coisa e chorassem com o rosto coberto de lgrimas, eu raspei meu cabelo e barba, vesti o manto de cor ocre e deixei a vida em famlia e segui a vida santa.

15.(26.15) "Tendo seguido a vida santa em busca do que benfico, buscando o insupervel estado de paz sublime procurei por Alara Kalama e lhe disse: 'Amigo Kalama, quero viver a vida santa neste Dhamma e Disciplina.' Alara Kalama respondeu, O venervel pode ficar aqui, meu amigo. Este Dhamma tal que uma pessoa sbia pode em pouco tempo entrar e permanecer nele, compreendendo por si mesmo atravs do conhecimento direto a doutrina do seu mestre.' Em breve aprendi aquele Dhamma. No que diz respeito mera recitao e repetio dos seus ensinamentos, eu falava com conhecimento e segurana e reivindicava, Eu sei e vejo e havia outros que assim tambm diziam.

Eu pensei: No somente pela mera f que Alara Kalama declara, Tendo compreendido por mim mesmo atravs do conhecimento direto, eu entro e permaneo neste Dhamma. Com certeza Alara Kalama permanece conhecendo e vendo este Dhamma. Ento fui at Alara Kalama e perguntei: Amigo Kalama, de que forma, tendo compreendido por voc mesmo com conhecimento direto, voc declara que entra e permanece nesse Dhamma? Em resposta, ele declarou a esfera do nada.

"Eu pensei: 'No somente Alara Kalama tem f, energia, ateno plena, concentrao e sabedoria. Eu, tambm, tenho f, energia, ateno plena, concentrao e sabedoria. E se eu me esforasse para realizar por mim mesmo o Dhamma no qual Alara Kalama declara entrar e permanecer, tendo compreendido por ele mesmo atravs do conhecimento direto?'

Assim em pouco tempo eu entrei e permaneci naquele Dhamma, tendo compreendido por mim mesmo atravs do conhecimento direto. Eu fui at Alara Kalama e perguntei, 'Amigo Kalama, dessa forma que voc declara que entra e permanece neste Dhamma, tendo compreendido por voc mesmo atravs do conhecimento direto?' Essa a forma, amigo.' dessa forma, amigo, que eu tambm entro e permaneo nesse Dhamma, tendo compreendido por mim mesmo atravs do conhecimento direto.' um ganho para ns, meu amigo, um grande ganho para ns, que tenhamos um tal venervel como companheiro na vida santa. Portanto, o Dhamma no qual eu declaro que entro e permaneo, tendo compreendido por mim mesmo atravs do conhecimento direto, o Dhamma no qual voc declara entrar e permanecer, tendo compreendido por voc mesmo atravs do conhecimento direto. E o Dhamma no qual voc declara entrar e permanecer, tendo compreendido por voc mesmo atravs do conhecimento direto, o Dhamma no qual eu declaro que entro e permaneo, tendo compreendido por mim mesmo atravs do conhecimento direto. Portanto, voc conhece o Dhamma que eu conheo e eu conheo o Dhamma que voc conhece. Como eu sou, assim voc; como voc , assim eu sou. Venha amigo, vamos agora liderar esta comunidade juntos.'

Dessa forma Alara Kalama, meu mestre, colocou-me, seu pupilo, no mesmo nvel que ele e me concedeu a maior honra possvel. Porm, o pensamento me ocorreu, Este Dhamma no conduz ao desencantamento, ao desapego, cessao, paz, ao conhecimento direto, iluminao, a Nibbana, mas somente ao renascimento na esfera do nada. Dessa forma, no estando satisfeito com esse Dhamma, eu parti.

16.(26.16) "Ainda em busca, bhikkhus, do que benfico, buscando o insupervel estado de paz sublime procurei por Uddaka Ramaputta e ao chegar, eu lhe disse: 'Amigo Uddaka, quero viver a vida santa neste Dhamma e Disciplina.' Uddaka Ramaputta respondeu, O venervel pode ficar aqui, meu amigo. Este Dhamma tal que uma pessoa sbia pode em pouco tempo entrar e permanecer nele, compreendendo por si mesmo atravs do conhecimento direto a doutrina do seu mestre.' Em breve aprendi aquele Dhamma. No que diz respeito mera recitao e repetio dos seus ensinamentos, eu falava com conhecimento e segurana e reivindicava, Eu sei e vejo e havia outros que assim tambm diziam.

"Eu pensei: 'No foi somente pela mera f que Rama declarava, "Tendo compreendido por mim mesmo atravs do conhecimento direto, eu entro e permaneo neste Dhamma. Com certeza Rama permanecia conhecendo e vendo este Dhamma.' Ento fui at Uddaka Ramaputta e perguntei: Amigo, de que forma Rama, tendo compreendido por ele mesmo atravs do conhecimento direto, declarou que entrou e permaneceu nesse Dhamma?' Em resposta, Uddaka Ramaputta declarou a esfera da nem percepo, nem no percepo.

"Eu pensei: 'No somente Rama tinha f, energia, ateno plena, concentrao e sabedoria. Eu, tambm, tenho f, energia, ateno plena, concentrao e sabedoria. E se eu me esforasse para realizar por mim mesmo o Dhamma no qual Rama, tendo compreendido por ele mesmo atravs do conhecimento direto, declarou que entrou e permaneceu?'

Assim em pouco tempo eu entrei e permaneci naquele Dhamma, tendo compreendido por mim mesmo atravs do conhecimento direto. Ento eu fui at Uddaka Ramaputta e perguntei, 'Amigo, dessa forma que Rama declarou que entrou e permaneceu neste Dhamma, tendo compreendido por ele mesmo atravs do conhecimento direto?' Essa a forma, amigo.' dessa forma, amigo, que eu tambm entro e permaneo nesse Dhamma, tendo compreendido por mim mesmo atravs do conhecimento direto.' um ganho para ns, meu amigo, um grande ganho para ns, que tenhamos um tal venervel como companheiro na vida santa. Portanto, o Dhamma no qual Rama declarou que entrou e permaneceu, tendo compreendido por ele mesmo atravs do conhecimento direto, o Dhamma no qual voc entra e permanece, tendo compreendido por voc mesmo atravs do conhecimento direto. E o Dhamma que voc entra e permanece tendo compreendido por voc mesmo atravs do conhecimento direto, o Dhamma no qual Rama declarou que entrou e permaneceu, tendo compreendido por ele mesmo atravs do conhecimento direto. Portanto, voc conhece o Dhamma que Rama conhecia e Rama conhecia o Dhamma que voc conhece. Como Rama era, assim voc; como voc , assim era Rama. Venha amigo, agora lidere esta comunidade.'

Dessa forma, Uddaka Ramaputta, meu companheiro na vida santa, colocou-me na posio de mestre e me concedeu a maior honra possvel. Porm, o pensamento me ocorreu, Este Dhamma no conduz ao desencantamento, ao desapego, cessao, paz, ao conhecimento direto, iluminao, a Nibbana, mas somente ao renascimento na esfera da nem percepo, nem no percepo. Dessa forma, no estando satisfeito com esse Dhamma, eu parti.

17.(26.17) Ainda em busca, bhikkhus, do que benfico, buscando o insupervel estado de paz sublime, eu andei perambulando pelas terras de Magadha at que por fim cheguei em Senanigama prximo a Uruvela. L eu encontrei um pedao de terreno adequado, com um bosque prazeroso e um rio lmpido com as margens planas e agradveis e um vilarejo prximo para esmolar comida. Eu pensei: Este um pedao de terreno adequado, com um bosque prazeroso e um rio lmpido com as margens planas e agradveis e um vilarejo prximo para esmolar comida. Isso adequado para um membro de um cl que possui a inteno de se esforar. E eu me sentei ali pensando: Isso adequado para o esforo.

18.(36.20) "Eu pensei: 'E se eu, com os dentes cerrados e pressionando minha lngua contra o cu da boca, abatesse, forasse e subjugasse minha mente com a minha mente.' Dessa forma, com os dentes cerrados e pressionando minha lngua contra o cu da boca, abati, forcei e subjuguei minha mente com a minha mente. Enquanto eu fazia isso o suor emanava das minhas axilas. Tal como um homem forte agarra um homem mais fraco pela cabea ou pelos ombros e o abate, o fora e o subjuga, da mesma forma com os dentes cerrados e pressionando minha lngua contra o cu da boca, abati, forcei e subjuguei minha mente com a minha mente e o suor emanava das minhas axilas. Mas embora uma energia incansvel houvesse sido estimulada em mim e uma persistente ateno plena houvesse se estabelecido, meu corpo estava agitado e inquieto porque eu estava exausto devido ao doloroso esforo. Porm, a sensao de dor que surgiu em mim no invadiu a minha mente e permaneceu.

19.(36.21) "Eu pensei: 'E se eu praticasse a meditao sem respirar.' Assim eu parei a inspirao e a expirao atravs do meu nariz e boca. Ao fazer isso, houve um forte rugido de ventos saindo pelos ouvidos. Tal como o forte rugido dos ventos que saem do fole de um ferreiro, da mesma forma, quando parei a inspirao e a expirao atravs do meu nariz e boca houve um forte rugido de ventos saindo pelos ouvidos. Mas embora uma energia incansvel houvesse sido estimulada em mim e uma persistente ateno plena houvesse se estabelecido, meu corpo estava agitado e inquieto porque eu estava exausto devido ao doloroso esforo. Porm, a sensao de dor que surgiu em mim no invadiu a minha mente e permaneceu.

20.(36.22) "Eu pensei: 'E se eu praticasse mais a meditao sem respirar.' Assim eu parei a inspirao e a expirao atravs do nariz, boca e ouvidos. Ao fazer isso, ventos violentos retalharam a minha cabea. Tal como se um homem forte estivesse retalhando a minha cabea com uma espada afiada, da mesma forma, quando parei a inspirao e a expirao atravs do nariz, boca e ouvidos ventos violentos retalharam a minha cabea. Mas, embora uma energia incansvel houvesse sido estimulada em mim e uma persistente ateno plena houvesse se estabelecido, meu corpo estava agitado e inquieto porque eu estava exausto devido ao doloroso esforo. Porm, a sensao de dor que surgiu em mim no invadiu a minha mente e permaneceu.

21.(36.23) "Eu pensei: 'E se eu praticasse mais a meditao sem respirar.' Assim eu parei a inspirao e a expirao atravs do nariz, boca e ouvidos. Ao fazer isso, dores violentas surgiram na minha cabea. Tal como se um homem forte estivesse apertando em volta da minha cabea uma tira de couro resistente, da mesma forma, quando parei a inspirao e a expirao atravs do nariz, boca e ouvidos dores violentas surgiram na minha cabea. Mas embora uma energia incansvel houvesse sido estimulada em mim e uma persistente ateno plena houvesse se estabelecido, meu corpo estava agitado e inquieto porque eu estava exausto devido ao doloroso esforo. Porm, a sensao de dor que surgiu em mim no invadiu a minha mente e permaneceu.

22.(36.24) "Eu pensei: 'E se eu praticasse mais a meditao sem respirar.' Assim eu parei a inspirao e a expirao atravs do nariz, boca e ouvidos. Ao fazer isso, foras violentas retalharam a cavidade do meu estmago. Tal como se um aougueiro ou seu aprendiz estivessem retalhando a cavidade do estmago de um boi com uma faca afiada, da mesma forma, quando parei a inspirao e a expirao atravs do nariz, boca e ouvidos, foras violentas retalharam a cavidade do meu estmago. Mas embora uma energia incansvel houvesse sido estimulada em mim e uma persistente ateno plena houvesse se estabelecido, meu corpo estava agitado e inquieto porque eu estava exausto devido ao doloroso esforo. Porm, a sensao de dor que surgiu em mim no invadiu a minha mente e permaneceu.

23.(36.25) "Eu pensei: 'E se eu praticasse mais a meditao sem respirar.' Assim eu parei a inspirao e a expirao atravs do nariz, boca e ouvidos. Ao fazer isso, houve uma queimao violenta no meu corpo. Tal como se dois homens fortes agarrassem um homem mais fraco pelos braos o assassem sobre uma cova com brasas em chamas, da mesma forma, quando parei a inspirao e a expirao atravs do nariz, boca e ouvidos, houve uma queimao violenta no meu corpo. Mas embora uma energia incansvel houvesse sido estimulada em mim e uma persistente ateno plena houvesse se estabelecido, meu corpo estava agitado e inquieto porque eu estava exausto devido ao doloroso esforo. Porm, a sensao de dor que surgiu em mim no invadiu a minha mente e permaneceu.

24.(36.26) Agora quando os devas me viram, alguns disseram, 'Gotama o contemplativo est morto.' Outros devas disseram, 'Ele no est morto, ele est morrendo.' E outros disseram, 'Ele no est morto, nem morrendo; ele um arahant, pois assim como praticam os arahants.'

25.(36.27) "Eu pensei: 'E se eu praticasse cortando completamente a alimentao.' Ento os devas vieram at mim e disseram, 'Estimado senhor, por favor no utilize a prtica do corte completo da alimentao. Se voc assim o fizer, ns infundiremos alimento divino atravs dos seus poros e voc sobreviver com isso.' Eu pensei, 'Se eu afirmar estar em jejum completo enquanto esses devas estiverem infundindo alimento divino atravs dos meus poros, eu estarei mentindo.' Assim eu os dispensei, dizendo, 'No necessrio.'

26.(36.28) "Eu pensei: 'E se eu comesse somente um pouco de comida de cada vez, uma mo cheia de cada vez, seja de sopa de feijo ou de sopa de lentilha, ou de sopa de legumes, ou sopa de ervilhas.' Assim, eu comia muito pouco, uma mo cheia de cada vez, seja de sopa de feijo ou de sopa de lentilha, ou de sopa de legumes, ou de sopa de ervilhas. Enquanto eu fazia isso meu corpo ficou extremamente emaciado. Por comer to pouco, os meus membros ficaram como os segmentos articulados de uma videira ou bambu. Por comer to pouco, as minhas costas ficaram como a corcova de um camelo. Por comer to pouco, as projees da minha coluna pareciam contas de um cordo. Por comer to pouco, as minhas costelas se projetavam para a frente to frgeis como as traves de um celeiro destelhado. Por comer to pouco, o brilho dos meus olhos se afundou dentro da cavidade do olho, parecendo com o brilho dgua no fundo de um poo profundo. Por comer to pouco, o meu escalpo enrugou e encolheu como uma abbora verde, amarga, enruga e encolhe com o vento e o sol. Por comer to pouco, a pele da minha barriga se uniu minha coluna; portanto se eu tocasse a minha barriga encontrava a minha coluna e se tocasse a minha coluna encontrava a pele da minha barriga. Por comer to pouco, se eu urinasse ou defecasse eu caa com a cara no cho ali mesmo. Por comer to pouco, se eu tentasse aliviar meu corpo esfregando meus membros com as mos, os pelos, com as razes apodrecidas, caam do corpo medida que eu os esfregava.

27.(36.29) "Agora, quando as pessoas me viam, algumas diziam: 'O contemplativo Gotama negro. Outras pessoas diziam, 'O contemplativo Gotama no negro, ele marrom.' Outros diziam, 'O contemplativo Gotama no negro nem marrom, ele tem a pele dourada. Tanto havia se deteriorado a complexo pura e brilhante da minha pele, por comer to pouco.

28.(36.30) Eu pensei: 'Todos os contemplativos ou brmanes que no passado experimentaram sensaes dolorosas, torturantes e penetrantes devido ao esforo, isto o mximo, no existe nada alm disso. Todos os contemplativos ou brmanes que no futuro experimentaro sensaes dolorosas, torturantes e penetrantes devido ao esforo, isto o mximo, no existe nada alm disso. E todos os contemplativos ou brmanes que no presente experimentam sensaes dolorosas, torturantes e penetrantes devido ao esforo, isto o mximo, no existe nada alm disso. Mas, atravs desta prtica de austeridades atormentadoras eu no alcancei nenhum estado supra-humano, nenhuma distino em conhecimento e viso digna dos nobres. Poderia haver um outro caminho para a iluminao?

29.(36.31) "Eu refleti: 'Eu me recordo que quando meu pai, o Sakya, estava ocupado enquanto eu estava sentado sombra fresca de um jambo-rosa, afastado dos prazeres sensuais, afastado das qualidades no hbeis, entrei e permaneci no primeiro jhana, que caracterizado pelo pensamento aplicado e sustentado, com o xtase e felicidade nascidos do afastamento. Poderia ser esse o caminho para a iluminao?' Ento, seguindo essa memria, cheguei concluso: Esse o caminho para a iluminao.

30.(36.32) "Eu pensei: 'Por que temo esse prazer que no tem nada que ver com a sensualidade, nem com qualidades mentais prejudiciais?' Eu pensei: 'Eu no temo mais esse prazer j que ele no tem nada que ver com a sensualidade nem com qualidades mentais prejudiciais.'

31.(36.33) "Eu refleti: 'No fcil alcanar esse prazer com um corpo to extremamente emaciado. E se eu comesse alguma comida slida - um pouco de arroz doce com leite.' E eu comi um pouco de comida slida: um pouco de arroz doce com leite. Agora os cinco contemplativos que estavam comigo, pensaram: 'Se Gotama, nosso contemplativo, alcanar algum estado mais elevado, ele nos dir.' Porm, quando eles me viram comendo comida slida um pouco de arroz doce com leite eles sentiram repulsa e me deixaram, pensando: 'O contemplativo Gotama agora vive gratificado pelos sentidos. Ele deixou de lado a sua busca e reverteu ao luxo.'

32.(26.18) Ento, bhikkhus, estando eu mesmo sujeito ao nascimento, tendo compreendido o perigo daquilo que est sujeito ao nascimento, buscando o que no nasce, a suprema segurana contra o cativeiro, Nibbana, eu alcancei o que no nasce, a suprema segurana contra o cativeiro, Nibbana; estando eu mesmo sujeito ao envelhecimento, tendo compreendido o perigo daquilo que est sujeito ao envelhecimento, buscando o que no envelhece, a suprema segurana contra o cativeiro, Nibbana, eu alcancei o que no envelhece, a suprema segurana contra o cativeiro, Nibbana; estando eu mesmo sujeito enfermidade, tendo compreendido o perigo daquilo que est sujeito enfermidade, buscando o que no est sujeito enfermidade, a suprema segurana contra o cativeiro, Nibbana, eu alcancei o que no est sujeito enfermidade, a suprema segurana contra o cativeiro, Nibbana; estando eu mesmo sujeito morte, tendo compreendido o perigo daquilo que est sujeito morte, buscando o imortal, a suprema segurana contra o cativeiro, Nibbana, eu alcancei o imortal, a suprema segurana contra o cativeiro, Nibbana; estando eu mesmo sujeito tristeza, tendo compreendido o perigo daquilo que est sujeito tristeza, buscando o que no est sujeito tristeza, a suprema segurana contra o cativeiro, Nibbana, eu alcancei o que no est sujeito tristeza, a suprema segurana contra o cativeiro, Nibbana; estando eu mesmo sujeito s contaminaes, tendo compreendido o perigo daquilo que est sujeito s contaminaes, buscando o que no est sujeito s contaminaes, a suprema segurana contra o cativeiro, Nibbana, eu alcancei o que no est sujeito s contaminaes, a suprema segurana contra o cativeiro, Nibbana. Surgiram em mim a viso e o conhecimento: Inabalvel a libertao da minha mente. Este o ltimo nascimento. No h mais vir a ser a nenhum estado.

33.(26.19) Eu pensei: Este Dhamma que eu alcancei profundo, difcil de ver e difcil de compreender, pacfico e sublime, que no pode ser alcanado atravs do mero raciocnio, ele sutil, para ser experimentado pelos sbios. Mas, esta populao se delicia com a adeso, est excitada com a adeso, desfruta da adeso. difcil para uma populao como esta ver esta verdade, isto , a condicionalidade isto/aquilo e a origem dependente. E tambm difcil de ver esta verdade, isto , o cessar de todas as formaes, o abandono de todas aquisies, o fim do desejo, desapego, cessao, Nibbana. Se eu fosse ensinar o Dhamma, os outros no me entenderiam e isso seria fatigante, problemtico para mim . Ento, estes versos nunca antes ouvidos, me ocorreram:

Basta com a idia de ensinar o Dhamma
que at para mim foi difcil alcanar;
pois ele nunca ser entendido
por aqueles que vivem com a cobia e a raiva.

Aqueles tingidos pela cobia, envoltos na escurido
nunca iro discernir este Dhamma difcil de ser compreendido
que vai contra a torrente do mundo,
sutil, profundo e difcil de ser visto.

Pensando dessa forma, minha mente tendia inao ao invs do ensino do Dhamma.

34.(26.20) Ento, bhikkhus, o Brahma Sahampati, soube com a mente dele o pensamento na minha mente e pensou: O mundo estar perdido, o mundo estar destrudo, j que a mente do Tathagata, um arahant, perfeitamente iluminado, se inclina inao ao invs do ensino do Dhamma. Ento, com a mesma rapidez com que um homem forte pode estender o seu brao flexionado ou flexionar o seu brao estendido, Brahma Sahampati desapareceu do mundo de Brahma e apareceu na minha frente. Ele arrumou o seu manto externo sobre o ombro e juntou as mos numa reverenciosa saudao, dizendo: Venervel senhor, que o Abenoado ensine o Dhamma, que o Iluminado ensine o Dhamma. H seres com pouca poeira sobre os olhos que esto decaindo por no ouvir o Dhamma. H aqueles que entendero o Dhamma. Depois de dizer isso, Brahma Sahampati disse ainda mais:

Em Magadha surgiram at agora
ensinamentos contaminados formulados por aqueles que ainda esto poludos.
Abram as portas para o Imortal! Que eles ouam
o Dhamma que o Imaculado encontrou.

Tal como algum que esteja no pico de uma montanha
capaz de ver todas as pessoas embaixo,
da mesma forma, Oh sbio, sbio que tudo v,
suba ao palcio do Dhamma.
Que o Conquistador da Tristeza inspecione esta raa humana,
engolfada na tristeza, subjugada pelo nascimento e envelhecimento.

Levante-se, Oh heri, vitorioso na batalha!
Oh lder da caravana, sem dvidas, saia pelo mundo.
Ensine o Dhamma, Oh Abenoado:
Existem aqueles que iro compreender.

35.(26.21) Ento, tendo ouvido o pedido de Brahma e por compaixo pelos seres, inspecionei o mundo com o olho de um Buda. Inspecionando o mundo com o olho de um Buda, eu vi seres com pouca poeira sobre os olhos e com muita poeira sobre os olhos, com faculdades aguadas e com faculdades embotadas, com boas qualidades e com ms qualidades, fceis de serem ensinados e difceis de serem ensinados e alguns que permaneciam sentindo medo e responsabilidade pelo outro mundo. Tal como num lago com flores de ltus azuis ou vermelhas ou brancas, algumas flores de ltus nascem e crescem na gua e prosperam imersas na gua sem sair fora da gua, enquanto que algumas outras flores de ltus nascem e crescem na gua e pousam sobre a superfcie da gua, e ainda, algumas outras flores de ltus nascem e crescem na gua e sobem acima do nvel da gua permanecendo sem serem molhadas pela gua; assim tambm, inspecionando o mundo com o olho de um Buda, eu vi seres com pouca poeira sobre os olhos e com muita poeira sobre os olhos, com faculdades aguadas e com faculdades embotadas, com boas qualidades e com ms qualidades, fceis de serem ensinados e difceis de serem ensinados e alguns que permaneciam sentindo medo e responsabilidade pelo outro mundo. Ento respondi ao Brahma Sahampati em versos:

Para eles esto abertas as portas para o Imortal,
que aqueles com ouvidos mostrem agora a sua f.
Pensando que seria problemtico, Oh Brahma,
eu no quis falar o Dhamma sutil e sublime.

Ento o Brahma Sahampati pensou: Eu criei a oportunidade para que o Abenoado ensine o Dhamma. E depois de me homenagear, mantendo-me sua direita, ele ento desapareceu.

36.(26.22) Eu pensei: Para quem devo primeiro ensinar o Dhamma? Quem ir compreender este Dhamma com rapidez? Ento me ocorreu: Alara Kalama sbio, inteligente e com sabedoria; faz muito tempo que ele possui pouca poeira sobre os olhos. E se eu ensinasse o Dhamma primeiro para Alara Kalama. Ele ir compreend-lo com rapidez. Ento alguns devas se aproximaram de mim e disseram: Venervel senhor, Alara Kalama morreu faz sete dias. E o conhecimento e viso surgiram em mim: Alara Kalama morreu faz sete dias. Eu pensei: A perda de Alara Kalama significativa. Se ele tivesse ouvido este Dhamma, ele o teria compreendido com rapidez.

37.(26.23) Eu pensei: Para quem devo primeiro ensinar o Dhamma? Quem ir compreender este Dhamma com rapidez? Ento me ocorreu: Uddaka Ramaputta sbio, inteligente e com sabedoria; faz muito tempo que ele possui pouca poeira sobre os olhos. E se eu ensinasse o Dhamma primeiro para Uddaka Ramaputta. Ele ir compreend-lo com rapidez. Ento alguns devas se aproximaram de mim e disseram: Venervel senhor, Uddaka Ramaputta morreu na noite passada. E o conhecimento e viso surgiram em mim: Uddaka Ramaputta morreu na noite passada. Eu pensei: A perda de Uddaka Ramaputta significativa. Se ele tivesse ouvido este Dhamma, ele o teria compreendido com rapidez.

38.(26.24) Eu pensei: Para quem devo primeiro ensinar o Dhamma? Quem ir compreender este Dhamma com rapidez? Ento me ocorreu: Os cinco bhikkhus que me acompanharam e que foram de grande ajuda enquanto eu estava engajado na minha busca. E se eu ensinasse o Dhamma primeiro para eles. Ento pensei: Onde estaro vivendo agora os cinco bhikkhus? E com o olho divino, que purificado e sobrepuja o humano, eu vi que eles estavam vivendo em Benares no Parque do Gamo em Isipatana.

(O ensinamento do Dhamma)

39.(26.25) Ento, bhikkhus, tendo permanecido em Uruvela pelo tempo que queria, sai caminhando em direo a Benares. Entre Gaya e o lugar da Iluminao, o Ajivaka Upaka me viu na estrada e disse: Amigo, as suas faculdades esto claras, a sua complexo est pura e brilhante. Sob qual mestre voc adotou a vida santa, amigo? Quem o seu mestre? Qual Dhamma voc professa? Eu respondi ao Ajivaka Upaka em versos:

Eu sou aquele que transcendeu tudo, aquele que tudo conhece,
imaculado entre todas as coisas, renunciando a tudo,
libertado pela cessao do desejo. Tendo conhecido tudo isso
por mim mesmo, a quem devo apontar como mestre?

Eu no tenho mestre, e outro como eu
no existe em nenhum lugar do mundo,
com todos os seus devas, porque no tenho
outra pessoa como equivalente.

Eu sou o Consumado no mundo,
eu sou o Mestre Supremo.
Eu sozinho sou um Perfeitamente Iluminado
cujo fogo est saciado e extinto.

Eu vou agora para Kasi (Benares)
para colocar a Roda do Dhamma em movimento.
Num mundo que se tornou cego
eu vou proclamar o Imortal.

Pela sua declarao, amigo, voc deve ser o Vitorioso Universal.

Os vitoriosos so como eu
que venceram destruindo as contaminaes.
Eu derrotei todos os estados ruins,
portanto, Upaka, eu sou um vitorioso.

Quando isso foi dito, o Ajivaka Upaka disse: Pode ser que assim seja, amigo. Balanando a cabea, ele tomou um desvio e partiu.

40.(26.26) Ento, bhikkhus, prosseguindo na caminhada por fim cheguei em Benares, no Parque do Gamo em Isipatana e me aproximei do grupo de cinco bhikkhus. Os bhikkhus me viram chegando distncia e combinaram entre si o seguinte: Amigos, ali vem o contemplativo Gotama que vive gratificado pelos sentidos, que deixou de lado a sua busca e reverteu ao luxo. Ns no deveramos homenage-lo, ou nos levantarmos para ele, ou receber a sua tigela e manto externo. Mas um assento poder ser preparado para ele. Se ele quiser, poder sentar. No entanto, medida que eu me aproximava, aqueles bhikkhus foram incapazes de manter o acordo. Um veio se encontrar comigo e tomou minha tigela e o manto externo, outro preparou um assento e um outro preparou gua para os meus ps; no entanto, eles se dirigiam a mim pelo meu nome e como amigo.

41.(26.27) Como resultado eu lhes disse: Bhikkhus, no se dirijam ao Tathagata pelo nome e como amigo. O Tathagata um arahant, perfeitamente iluminado. Ouam bhikkhus, o Imortal foi alcanado. Eu os instruirei, eu lhes ensinarei o Dhamma. Praticando da forma instruda, realizando por vocs mesmos atravs do conhecimento direto vocs logo entraro e permanecero no objetivo supremo da vida santa pelo qual membros de cls abandonam a vida em famlia pela vida santa.

Quando isso foi dito, os bhikkhus me responderam o seguinte: Amigo Gotama, atravs da conduta, da prtica e da realizao das austeridades s quais voc se dedicou, voc no alcanou nenhum estado supra-humano, nenhuma distino em conhecimento e viso digna dos nobres. Como agora voc vive gratificado pelos sentidos, tendo deixado de lado a sua busca e revertido ao luxo, como poderia voc ter atingido algum estado supra-humano, alguma distino em conhecimento e viso dignos dos nobres? Quando isso foi dito, eu lhes disse: O Tathagata no vive gratificado pelos sentidos, nem deixou de lado a sua busca e reverteu ao luxo. O Tathagata um arahant, perfeitamente iluminado. Ouam bhikkhus, o Imortal foi alcanado ... abandonam a vida em famlia pela vida santa.

Uma segunda vez os bhikkhus me disseram: Amigo Gotama...como poderia voc ter atingido algum estado supra-humano, alguma distino em conhecimento e viso dignos dos nobres? Uma segunda vez eu lhes disse: O Tathagata no vive gratificado pelos sentidos ... abandonam a vida em famlia pela vida santa.

Uma terceira vez os bhikkhus me disseram: Amigo Gotama...como poderia voc ter atingido algum estado supra-humano, alguma distino em conhecimento e viso dignos dos nobres?

42.(26.28) Quando isso foi dito eu lhes perguntei: Bhikkhus, vocs j me viram falar desta forma antes? No, venervel senhor. Bhikkhus, o Tathagata um arahant, perfeitamente iluminado. Ouam bhikkhus, o Imortal foi alcanado. Eu os instruirei, eu lhes ensinarei o Dhamma. Praticando da forma instruda, realizando por vocs mesmos atravs do conhecimento direto vocs logo entraro e permanecero no objetivo supremo da vida santa pelo qual membros de cls abandonam a vida em famlia pela vida santa.

43.(26.29) Eu fui capaz de convencer o grupo de cinco bhikkhus. Ento, algumas vezes eu instrua dois bhikkhus enquanto que os outros trs esmolavam alimentos e todos ns seis vivamos daquilo que aqueles trs bhikkhus traziam de esmolas. Algumas vezes eu instrua trs bhikkhus enquanto que os outros dois esmolavam alimentos e todos ns seis vivamos daquilo que aqueles dois bhikkhus traziam de esmolas.

44.(26.30) Ento o grupo de cinco bhikkhus ensinados e instrudos por mim, estando eles mesmos sujeitos ao nascimento, tendo compreendido o perigo daquilo que est sujeito ao nascimento, buscando o que no nasce, a suprema segurana contra o cativeiro, Nibbana, alcanaram o que no nasce, a suprema segurana contra o cativeiro, Nibbana; estando eles mesmos sujeito ao envelhecimento, enfermidade, morte, tristeza e contaminaes, tendo compreendido o perigo daquilo que est sujeito ao envelhecimento, enfermidade, morte, tristeza e contaminaes, buscando o que no envelhece, o que no est sujeito enfermidade, o imortal, o que no est sujeito tristeza, o que no contaminado, a suprema segurana contra o cativeiro, Nibbana, alcanaram o que no envelhece, o que no est sujeito enfermidade, o imortal, o que no est sujeito tristeza, o que no contaminado, a suprema segurana contra o cativeiro, Nibbana. Surgiram neles a viso e o conhecimento: Inabalvel a libertao da minha mente. Este o ltimo nascimento. No h mais vir a ser a nenhum estado.

(Prazer Sensual)

45.(26.31) Bhikkhus, existem esses cinco elementos do prazer sensual. Quais so os cinco? Formas percebidas pelo olho que so desejveis, agradveis e fceis de serem gostadas, conectadas com o desejo sensual e que provocam a cobia. Sons percebidos pelo ouvido ... Aromas percebidos pelo nariz ... Sabores percebidos pela lngua ... Tangveis percebidos pelo corpo que so desejveis, agradveis e fceis de serem gostados, conectados com o desejo sensual e que provocam a cobia. Esses so os cinco elementos do prazer sensual.

46.(26.32) Quanto a esses contemplativos e brmanes que esto atados a esses cinco elementos do prazer sensual, apaixonados por eles e totalmente comprometidos com eles e que os utilizam sem ver o perigo que eles contm ou sem compreender como escapar deles, desses contemplativos e brmanes se pode compreender o seguinte: Eles encontraram a calamidade, encontraram o desastre, o Senhor do Mal poder fazer deles o que quiser. Suponham um gamo da floresta que esteja atado preso numa armadilha; dele se pode compreender o seguinte: Ele encontrou a calamidade, encontrou o desastre, o caador poder fazer dele o que quiser. Assim tambm com relao queles contemplativos e brmanes que esto atados a esses cinco elementos do prazer sensual ... deles se pode compreender o seguinte: Eles encontraram a calamidade, encontraram o desastre, o Senhor do Mal poder fazer deles o que quiser.

47.(26.33) Quanto a esses contemplativos e brmanes que no esto atados a esses cinco elementos do prazer sensual, que no esto apaixonados por eles nem totalmente comprometidos com eles e que os utilizam vendo o perigo que eles contm, compreendendo como escapar deles, desses contemplativos e brmanes se pode compreender o seguinte: Eles no encontraram a calamidade, no encontraram o desastre, o Senhor do Mal no poder fazer deles o que quiser. Suponham um gamo da floresta que no esteja atado, preso numa armadilha; dele se pode compreender o seguinte: Ele no encontrou a calamidade, no encontrou o desastre, o caador no poder fazer dele o que quiser, e quando o caador vier o gamo poder ir onde quiser. Assim tambm com relao queles contemplativos e brmanes que no esto atados a esses cinco elementos do prazer sensual ... deles se pode compreender o seguinte: Eles no encontraram a calamidade, no encontraram o desastre, o Senhor do Mal no poder fazer deles o que quiser.

48.(26.34) Suponham um gamo da floresta que perambula pela regio inexplorada da floresta: ele caminha sem medo, fica em p sem medo, senta sem medo, deita sem medo. Por que isso? Porque ele se encontra fora do alcance do caador. Assim tambm, um bhikkhu afastado dos prazeres sensuais, afastado das qualidades no hbeis, entra e permanece no primeiro jhana, que caracterizado pelo pensamento aplicado e sustentado, com o xtase e felicidade nascidos do afastamento. Este bhikkhu, diz-se que vendou os olhos de Mara, se tornou invisvel para o Senhor do Mal ao privar o olho de Mara da sua oportunidade.

49.(26.35) Novamente, abandonando o pensamento aplicado e sustentado, um bhikkhu entra e permanece no segundo jhana, que caracterizado pela segurana interna e perfeita unicidade da mente, sem o pensamento aplicado e sustentado, com o xtase e felicidade nascidos da concentrao. Este bhikkhu, diz-se que vendou os olhos de Mara...

50.(26.36) Novamente, abandonando o xtase, um bhikkhu entra e permanece no terceiro jhana que caracterizado pela felicidade sem o xtase, acompanhada pela ateno plena, plena conscincia e equanimidade, acerca do qual os nobres declaram: Ele permanece numa estada feliz, equnime e plenamente atento. Este bhikkhu, diz-se que vendou os olhos de Mara...

51.(26.37) Novamente, com o completo desaparecimento da felicidade, um bhikkhu entra e permanece no quarto jhana, que possui nem felicidade nem sofrimento, com a ateno plena e a equanimidade purificadas. Este bhikkhu, diz-se que vendou os olhos de Mara...

52.(26.38) Novamente, com a completa superao das percepes da forma, com o desaparecimento das percepes de impacto sensual, com a no ateno na percepo da diversidade, consciente que o espao infinito, um bhikkhu entra e permanece na base do espao infinito. Este bhikkhu, diz-se que vendou os olhos de Mara...

53.(26.39) Novamente, com a completa superao da base do espao infinito, consciente que a conscincia infinita, um bhikkhu entra e permanece na base da conscincia infinita. Este bhikkhu, diz-se que vendou os olhos de Mara...

54.(26.40) Novamente, com a completa superao da base da conscincia infinita, consciente que no h nada, um bhikkhu entra e permanece na base do nada. Este bhikkhu, diz-se que vendou os olhos de Mara...

55.(26.41) Novamente, com a completa superao da base do nada, um bhikkhu entra e permanece na base da nem percepo, nem no percepo. Este bhikkhu, diz- se que vendou os olhos de Mara, se tornou invisvel para a Senhor do Mal ao privar o olho de Mara da sua oportunidade.

56.(26.42) Novamente, com a completa superao da base da nem percepo, nem no percepo, um bhikkhu entra e permanece na cessao da percepo e sensao. E as suas impurezas so destrudas atravs da viso com sabedoria. Este bhikkhu, diz-se que vendou os olhos de Mara, se tornou invisvel para o Senhor do Mal ao privar o olho de Mara da sua oportunidade e de ter cruzado para o outro lado do apego ao mundo. Ele caminha sem medo, fica em p sem medo, senta sem medo, deita sem medo. Por que isso? Porque ele se encontra fora do alcance da Senhor do Mal.

Isso foi o que disse o Abenoado. Os bhikkhus ficaram satisfeitos e contentes com as palavras do Abenoado.

 

 

Revisado: 6 Fevereiro 2012

Copyright © 2000 - 2021, Acesso ao Insight - Michael Beisert: editor, Flavio Maia: designer.