Majjhima Nikaya 82

Ratthapala Sutta

Ratthapala

Somente para distribuio gratuita.
Este trabalho pode ser impresso para distribuio gratuita.
Este trabalho pode ser re-formatado e distribudo para uso em computadores e redes de computadores
contanto que nenhum custo seja cobrado pela distribuio ou uso.
De outra forma todos os direitos esto reservados.

 


1. Assim ouvi. Em certa ocasio, o Abenoado estava perambulando pela regio dos Kurus com uma grande Sangha de bhikkhus e por fim ele chegou a uma cidade denominada Thullakotthita.

2. Os brmanes chefes de famlia de Thullakotthita ouviram: Gotama o contemplativo, o filho dos Sakyas, que adotou a vida santa deixando o cl dos Sakyas, que andava perambulando em Kuru com um grande nmero de bhikkhus chegou em Thullakotthita. E acerca desse mestre Gotama existe essa boa reputao: Esse Abenoado um arahant, perfeitamente iluminado, consumado no verdadeiro conhecimento e conduta, bem-aventurado, conhecedor dos mundos, um lder insupervel de pessoas preparadas para serem treinadas, mestre de devas e humanos, desperto, sublime. Ele declara - tendo realizado por si prprio com o conhecimento direto - este mundo com os seus devas, maras e brahmas, esta populao com seus contemplativos e brmanes, seus prncipes e povo. Ele ensina o Dhamma com o significado e fraseado corretos, que admirvel no incio, admirvel no meio, admirvel no final; e ele revela uma vida santa que completamente perfeita e imaculada. bom poder encontrar algum to nobre.

3. Ento, os brmanes chefes de famlia de Thullakotthita se dirigiram ao Abenoado. Alguns homenagearam o Abenoado e sentaram a um lado; alguns trocaram saudaes corteses com ele e aps a troca de saudaes sentaram a um lado; alguns ajuntaram as mos em respeitosa saudao e sentaram a um lado; alguns anunciaram o seu nome e cl e sentaram a um lado. Alguns permaneceram em silncio e sentaram a um lado. Ento, o Abenoado os instruiu, estimulou, motivou e encorajou com um discurso do Dhamma.

4. Agora, naquela ocasio Ratthapala, o filho de um dos principais cls naquela mesma Thullakotthita, estava sentado na assemblia. Ento, ocorreu-lhe que: Como eu entendo o Dhamma ensinado pelo Abenoado, no fcil viver em famlia e praticar a vida santa completamente perfeita, totalmente pura, como uma concha polida. E se eu raspasse o meu cabelo e barba, vestisse os mantos de cor ocre e seguisse a vida santa.

5. Ento, os brmanes chefes de famlia de Thullakotthita, despois de instrudos, estimulados, motivados e encorajados por um discurso do Dhamma do Abenoado, ficaram satisfeitos e contentes com as palavras do Abenoado. Ento, eles se levantaram dos seus assentos e depois de homenage-lo, mantendo-o sua direita, partiram.

6. Pouco depois deles terem partido, Ratthapala foi at o Abenoado e depois de cumpriment-lo, ele sentou a um lado e disse para o Abenoado: Venervel senhor, tal como eu entendo o Dhamma ensinado pelo Abenoado, no fcil viver em famlia e praticar a vida santa completamente perfeita, totalmente pura, como uma concha polida. Venervel senhor, eu desejo raspar o meu cabelo e barba, vestir os mantos de cor ocre e seguir a vida santa. Eu receberia a admisso na vida santa sob o Abenoado e a admisso completa.

Voc foi autorizado pelos seus pais, Ratthapala, para deixar a vida em famlia e seguir a vida santa?

No, venervel senhor, eu no tenho a autorizao dos meus pais.

Ratthapala, os Tathagatas no admitem na vida santa ningum que no tenha a permisso dos seus pais.

Venervel senhor, eu farei com que meus pais me dem a autorizao para deixar a vida em famlia e seguir a vida santa.

7. Ento, Ratthapala levantou do seu assento e depois de homenagear o Abenoado, mantendo-o sua direita, partiu. Ele foi at os seus pais e lhes disse: Me e pai, tal como eu entendo o Dhamma ensinado pelo Abenoado, no fcil viver em famlia e praticar a vida santa completamente perfeita, totalmente pura, como uma concha polida. Eu desejo raspar o meu cabelo e barba, vestir os mantos de cor ocre e seguir a vida santa. Dem-me a sua permisso para que eu deixe a vida em famlia e siga a vida santa.

Quando ele disse isso, os pais dele responderam: Querido Ratthapala, voc o nosso nico filho, amado e querido. Voc foi educado com conforto, cresceu com conforto; voc nada conhece do sofrimento, querido Ratthapala. Mesmo se voc morresse ns o deixaramos ir contra nossa vontade, ento como poderamos dar a nossa permisso para que voc deixe a vida em famlia e siga a vida santa enquanto voc ainda est vivo?

Uma segunda vez ... Uma terceira vez Ratthapala disse para os seus pais: Me e pai ... Dem-me a sua permisso para que eu deixe a vida em famlia e siga a vida santa.

Pela terceira vez os seus pais responderam: Querido Ratthapala ... como poderamos dar a nossa permisso para que voc deixe a vida em famlia e siga a vida santa enquanto voc ainda est vivo?

Ento, por no ter recebido a permisso dos pais para seguir a vida santa, Ratthapala se deitou no cho e disse: Exatamente aqui morrerei ou receberei a admisso na vida santa.

8. Ento os pais de Ratthapala disseram: Querido Ratthapala, voc o nosso nico filho, amado e querido. Voc foi educado com conforto, cresceu com conforto; voc nada conhece do sofrimento, querido Ratthapala. Levante-se, querido Ratthapala, coma, beba e divirta-se. Ao comer, beber e se divertir, voc poder ser feliz desfrutando dos prazeres sensuais e realizar mritos. Ns no permitiremos que voc deixe a vida em famlia e siga a vida santa. Mesmo se voc morresse ns o deixaramos ir contra nossa vontade, ento como poderamos dar a nossa permisso para que voc deixe a vida em famlia e siga a vida santa enquanto voc ainda est vivo? Quando isso foi dito, Ratthapala permaneceu em silncio.

Uma segunda vez ... Uma terceira vez os pais de Ratthapala disseram: Querido Ratthapala ... como poderamos dar a nossa permisso para que voc deixe a vida em famlia e siga a vida santa enquanto voc ainda est vivo? Pela terceira vez Ratthapala permaneceu em silncio.

9. Ento os pais de Ratthapala foram at os amigos dele e disseram: Estimados amigos, Ratthapala est deitado no cho, depois de dizer: Exatamente aqui morrerei ou receberei a admisso na vida santa. Venham, estimados amigos, vo at Ratthapala e digam: Amigo Ratthapala, voc o nico filho ... Levante-se, amigo Ratthapala, coma, beba e divirta-se ... como seus pais poderiam dar-lhe a permisso deles para que voc deixe a vida em famlia e siga a vida santa enquanto voc ainda est vivo?'"

10. Ento, os amigos de Ratthapala foram at ele e disseram: Amigo Ratthapala, voc o nico filho, amado e querido. Voc foi educado com conforto, cresceu com conforto; voc nada conhece do sofrimento, amigo Ratthapala. Levante-se, amigo Ratthapala, coma, beba e divirta-se. Ao comer, beber e se divertir, voc poder ser feliz desfrutando dos prazeres sensuais e realizar mritos. Os seus pais no permitiro que voc deixe a vida em famlia e siga a vida santa. Mesmo se voc morresse eles o deixariam ir contra a vontade, ento como poderiam eles dar permisso para que voc deixe a vida em famlia e siga a vida santa enquanto voc ainda est vivo? Quando isso foi dito, Ratthapala permaneceu em silncio.

Uma segunda vez ... Uma terceira vez os amigos de Ratthapala lhe disseram: Amigo Ratthapala ... como poderiam eles dar permisso para que voc deixe a vida em famlia e siga a vida santa enquanto voc ainda est vivo? Pela terceira vez Ratthapala permaneceu em silncio.

11. Ento os amigos de Ratthapala foram at os pais dele e disseram: Me e pai, Ratthapala est deitado no cho, depois de dizer: Exatamente aqui morrerei ou receberei a admisso na vida santa. Agora, se vocs no derem a permisso para que ele deixe a vida em famlia e siga a vida santa, ele ir morrer ali. Mas se vocs derem a permisso, vocs iro v-lo depois quando ele estiver seguindo a vida santa. E se ele no apreciar a vida santa, o que mais poder ele fazer alm de voltar para c? Portanto, dem a ele permisso para que deixe a vida em famlia e siga a vida santa.

Ento, estimados amigos, ns damos a nossa permisso para que Ratthapala deixe a vida em famlia e siga a vida santa. Mas, seguindo a vida santa, ele ter de nos visitar.

Ento os amigos de Ratthapala foram at ele e disseram: Levante-se, amigo Ratthapala. Os seus pais deram a permisso para que voc deixe a vida em famlia e siga a vida santa. Mas, seguindo a vida santa, voc ter de visit-los.

12. Ratthapala ento se levantou e depois de haver recuperado as foras, ele foi at o Abenoado e depois de cumpriment-lo sentou a um lado e disse: Venervel senhor, eu tenho a permisso dos meus pais para deixar a vida em famlia e seguir a vida santa. Que o Abenoado me conceda a admisso na vida santa. Ento, Ratthapala recebeu a admisso na vida santa sob o Abenoado e a admisso completa.

13. Ento, no muito tempo depois que o venervel Ratthapala havia recebido a admisso completa, uma quinzena depois dele ter recebido a admisso completa, o Abenoado, depois de permanecer em Thullakotthita todo o tempo que ele quis, saiu perambulando em direo a Savatthi. Caminhando em etapas, ele por fim chegou em Savatthi e l ele se instalou no Bosque de Jeta, no Parque de Anathapindika.

14. Permanecendo s, isolado, diligente, ardente e decidido, em pouco tempo, o venervel Ratthapala, alcanou e permaneceu no objetivo supremo da vida santa pelo qual membros de um cl deixam a vida em famlia pela vida santa, tendo conhecido e realizado por si mesmo no aqui e agora. Ele soube: O nascimento foi destrudo, a vida santa foi vivida, o que deveria ser feito foi feito, no h mais vir a ser a nenhum estado.

15. Ento, o venervel Ratthapala foi at o Abenoado e depois de cumpriment-lo, ele sentou a um lado e disse: Venervel senhor, desejo visitar os meus pais, se o Abenoado assim o permitir.

Ento, o Abenoado penetrou com a sua mente os pensamentos na mente do venervel Ratthapala. Ao saber que Ratthapala seria incapaz de abandonar o treinamento e retornar para a vida inferior, ele disse: Agora o momento, Ratthapala, faa como julgar adequado.

16. Ento, o venervel Ratthapala se levantou do seu assento e, depois de homenagear o Abenoado, mantendo-o sua direita, partiu. Ele ento arrumou o seu lugar de descanso e tomando a tigela e o manto externo, saiu perambulando em direo a Thullakotthita. Caminhando em etapas, ele por fim chegou em Thullakotthita e l ele se instalou no Parque Migacira do Rei Koravya. Ento, ao amanhecer, ele se vestiu e tomando a tigela e o manto externo foi para Thullakotthita esmolar alimentos. Enquanto esmolava alimentos de casa em casa em Thullakotthita, ele acabou chegando na casa do seu pai.

17. Agora, naquela ocasio o pai do venervel Ratthapala estava sentado na sala principal penteando o cabelo. Ao ver o venervel Ratthapala vindo distncia, ele disse: Nosso nico filho, amado e querido, foi convencido a seguir a vida santa por esses contemplativos carecas. Ento, na casa do seu prprio pai o venervel Ratthapala nem recebeu comida esmolada e tampouco uma recusa corts; ao invs disso, ele apenas recebeu abusos.

18. Foi quando uma escrava que pertencia aos pais de Ratthapala estava a ponto de jogar fora um mingau velho. Vendo aquilo, o venervel Ratthapala disse: Irm, se isso para ser jogado fora, ento despeje aqui na minha tigela. Enquanto assim o fazia, ela reconheceu os traos caractersticos das suas mos, dos seus ps e da sua voz. Ento ela foi at a me dele e disse: Minha senhora, saiba que o filho do meu amo, Ratthapala, voltou.

Que bno! Se aquilo que voc diz for verdade, voc no mais ser uma escrava!

Ento, a me do venervel Ratthapala foi at o pai dele e disse: Chefe de famlia, disseram que Ratthapala voltou.

19. Justamente naquele momento o venervel Ratthapala estava comendo o mingau velho junto parede de um certo abrigo. O pai dele foi at ele e disse: Ratthapala, meu querido, com certeza ns ... e voc est comendo mingau velho! Voc no tem a sua prpria casa para onde possa ir?

Como poderamos ter uma casa, chefe de famlia, quando deixamos a vida em famlia e seguimos a vida santa? Ns no temos casa, chefe de famlia. Ns fomos at a sua casa, mas l no recebemos nem comida esmolada e tampouco uma recusa corts; ao invs disso apenas recebemos abusos.

Venha querido Ratthapala, vamos para casa.

J basta, chefe de famlia, hoje minha refeio est terminada.

Ento, querido Ratthapala, concorde em aceitar a refeio de amanh. O venervel Ratthapala concordou em silncio.

20. Ento, sabendo que o venervel Ratthapala havia concordado, o pai dele foi para casa e fez com que se ajuntasse numa grande pilha, moedas e barras de ouro cobrindo-as com tapetes. Ento, ele disse para as antigas esposas do venervel Ratthapala: Venham, noras, enfeitem-se com os ornamentos do jeito que Ratthapala gostava e achava vocs mais atraentes e desejveis.

21. Quando a noite havia terminado, o pai do venervel Ratthapala fez com que se preparassem na sua casa vrios tipos de boa comida e fez com que se anunciasse a hora para o venervel Ratthapala: hora, querido Ratthapala, a refeio est pronta.

22. Ento, depois do amanhecer, o venervel Ratthapala se vestiu e tomando a tigela e o manto externo foi para a casa do seu pai e sentou num assento que havia sido preparado. Ento, o seu pai fez com que se descobrisse a pilha de moedas e barras de ouro e disse: Querido Ratthapala, essa a sua fortuna maternal; a sua fortuna paternal outra e a sua fortuna ancestral ainda outra. Querido Ratthapala, voc poder desfrutar da riqueza e realizar mritos. Venha ento, querido, abandone o treinamento e regresse para a vida inferior, desfrute da riqueza e realize mritos.

Chefe de famlia, se voc quiser seguir o meu conselho, ento faa com que esta pilha de moedas e barras de ouro seja carregada em carretas para ser despejada no meio da correnteza do rio Gnges. Por que isso? Porque, chefe de famlia, por conta desse ouro ir surgir em voc muita tristeza, lamentao, dor, angstia e desespero.

23. Ento, as antigas esposas do venervel Ratthapala abraaram os seus ps e disseram: Como so, filho do meu amo, as ninfas pelas quais voc vive a vida santa?

Ns no vivemos a vida santa devido a ninfas, irms.

Ratthapala, o filho do nosso amo, nos chama de irms, elas exclamaram e ali mesmo desmaiaram.

24. Ento o venervel Ratthapala disse para o seu pai: Chefe de famlia, se h uma refeio para ser dada, ento d. No nos assedie.

Coma ento, querido Ratthapala, a refeio est pronta.

Ento, com as prprias mos, o pai do venervel Ratthapala o serviu e satisfez com vrios tipos de boa comida. Em seguida, quando o venervel Ratthapala havia terminado de comer e retirado a mo da tigela, ele se levantou e disse estes versos:

25. Vejam aqui uma boneca enfeitada,
um corpo feito de chagas,
sujeito a enfermidades, um objeto de preocupaes,
no qual no h estabilidade.

Vejam aqui uma figura enfeitada
com jias e brincos tambm,
um esqueleto embrulhado pela pele,
feito atrativo atravs das roupas.

Os ps decorados com tintura de hena
e p cobrindo a cara:
isso pode enganar um tolo, mas no
aquele que busca a outra margem.

O cabelo penteado em oito tranas
e ungento ao redor dos olhos:
isso pode enganar um tolo, mas no
Aquele que busca a outra margem.

Um corpo imundo bem enfeitado
tal como um pote de ungento recm pintado:
isso pode enganar um tolo, mas no
Aquele que busca a outra margem.

O caador de gamos colocou o lao
mas o gamo no caiu na armadilha;
ns comemos o engodo e agora partimos
deixando o caador a se lamentar.

26. Depois que o venervel Ratthapala levantou e disse esses versos, ele foi para o Parque Migacira do Rei Koravya e sentou sombra de uma rvore para passar o resto do dia.

27. Ento, o Rei Koravya se dirigiu ao guarda-florestal da seguinte forma: Estimado guarda-florestal, arrume o Parque Migacira para que possamos ir at o jardim das delcias encontrar um canto agradvel. Sim, senhor, ele respondeu. Agora, enquanto ele arrumava o Parque Migacira, o guarda-florestal viu o venervel Ratthapala sentado sombra de uma rvore. Ao v-lo, ele foi at o Rei Koravya e disse: Senhor, o Parque Migacira est arrumado. Ratthapala est l, o filho do cl principal nesta mesma Thullakotthita, ao qual voc sempre se referiu de forma elogiosa; ele est sentado sombra de uma rvore.

Ento, estimado Migava, j basta do jardim das delcias por hoje. Agora vamos demonstrar nossa estima pelo Mestre Ratthapala.

28. Ento, dizendo: D toda a comida que ali foi preparada, o Rei Koravya fez com que fossem preparadas um grande nmero de carruagens reais, e montando numa delas, acompanhado pelas demais carruagens, ele saiu de Thullakotthita com toda a pompa da realeza para ir ver o venervel Ratthapala. Ele foi at onde o caminho permitia e depois desmontou da sua carruagem e seguiu a p, com um squito das mais eminentes autoridades, at onde se encontrava o venervel Ratthapala. Ambos se cumprimentaram e quando a conversa amigvel e corts havia terminado, ele ficou em p a um lado e disse: Aqui est o tapete de um elefante. Que o Mestre Ratthapala sente nele.

No necessrio, grande rei. Sente-se. Eu estou sentado no meu prprio pano.

O Rei Koravya sentou num assento que havia sido preparado e disse:

29. Mestre Ratthapala, existem quatro tipos de perda. Porque aqui algumas pessoas sofreram esses quatro tipos de perda, elas raspam o cabelo e a barba, vestem o manto de cor ocre e deixam a vida em famlia e seguem a vida santa. Quais quatro? Estas so a perda devido ao envelhecimento, a perda devido enfermidade, a perda de riqueza e a perda de parentes.

30. E o que a perda devido ao envelhecimento? Aqui, Mestre Ratthapala, algum velho, com a idade avanada, atribulado pelos anos, avanado na vida, j no ltimo estgio. Ele considera o seguinte: Eu sou velho, atribulado pelos anos, avanado na vida, j no ltimo estgio. J no fcil que eu obtenha a fortuna que ainda no foi obtida ou aumentar a riqueza que j foi obtida. E se eu raspasse o meu cabelo e barba, vestisse o manto de cor ocre e deixasse a vida em famlia e seguisse a vida santa. Porque ele sofreu a perda devido ao envelhecimento, ele raspa o cabelo e a barba, veste o manto de cor ocre e deixa a vida em famlia e segue a vida santa. A essa chamamos de perda devido ao envelhecimento. Mas o Mestre Ratthapala ainda jovem, um homem com o cabelo negro dotado com as bnos da juventude, no auge da vida. O Mestre Ratthapala no sofreu nenhuma perda devido ao envelhecimento. O que o Mestre Ratthapala ouviu, ou viu, ou soube, para ter deixado a vida em famlia e ter seguido a vida santa?

31. E o que a perda devido enfermidade? Aqui, Mestre Ratthapala, algum est aflito, sofrendo e gravemente enfermo. Ele considera o seguinte: Eu estou aflito, sofrendo e gravemente enfermo. J no fcil que eu obtenha a fortuna que ainda no foi obtida ... seguisse a vida santa. Porque ele sofreu a perda devido enfermidade ... deixa a vida em famlia e segue a vida santa. A essa chamamos de perda devido enfermidade. Mas o Mestre Ratthapala ainda jovem, est livre de doenas e aflies, ele possui uma boa digesto que no nem demasiado fria nem demasiado quente, mas mdia. Mestre Ratthapala no sofreu nenhuma perda devido enfermidade. O que o Mestre Ratthapala ouviu, ou viu, ou soube, para ter deixado a vida em famlia e ter seguido a vida santa?

32. E o que a perda de riqueza? Aqui, Mestre Ratthapala, algum rico, com grande fortuna, com muitas posses. Aos poucos a sua fortuna desapareceu. Ele considera o seguinte: Antes eu era rico, com grande fortuna, com muitas posses. Aos poucos a minha fortuna desapareceu. J no fcil que eu obtenha a fortuna que ainda no foi obtida ... seguisse a vida santa. Porque ele sofreu a perda de riqueza ... deixa a vida em famlia e segue a vida santa. A essa chamamos de perda de riqueza. Mas o Mestre Ratthapala o filho do principal cl nesta mesma Thullakotthita. O Mestre Ratthapala no sofreu nenhuma perda de riqueza. O que o Mestre Ratthapala ouviu, ou viu, ou soube, para ter deixado a vida em famlia e ter seguido a vida santa?

33. E o que a perda de parentes? Aqui, Mestre Ratthapala, algum tem muitos amigos e companheiros, pares e parentes. Aos poucos essas pessoas desaparecem. Ele considera o seguinte: Antes eu tinha muitos amigos e companheiros, pares e parentes. Aos poucos essas pessoas desapareceram. J no fcil que eu obtenha a fortuna que ainda no foi obtida ... seguisse a vida santa. Porque ele sofreu a perda de parentes ... deixa a vida em famlia e segue a vida santa. A essa chamamos de perda de parentes. Mas o Mestre Ratthapala tem muitos amigos e companheiros, pares e parentes, nesta mesma Thullakotthita. O Mestre Ratthapala no sofreu a perda de parentes. O que o Mestre Ratthapala ouviu, ou viu, ou soube, para ter deixado a vida em famlia e ter seguido a vida santa?

34. Mestre Ratthapala, esses so os quatro tipos de perda. Porque aqui algumas pessoas sofreram esses quatro tipos de perda, elas raspam o cabelo e a barba, vestem o manto de cor ocre e deixam a vida em famlia e seguem a vida santa. O Mestre Ratthapala no sofreu nenhuma dessas perdas. O que o Mestre Ratthapala ouviu, ou viu, ou soube, para ter deixado a vida em famlia e ter seguido a vida santa?

35. Grande rei, h quatro sumrios do Dhamma que foram ensinados pelo Abenoado que sabe e v, um arahant, perfeitamente iluminado. Tendo ouvido, visto e compreendido isso, eu deixei a vida em famlia e segui a vida santa. Quais so os quatro?

36. (1) [A vida em] qualquer mundo instvel, varrida: esse o primeiro sumrio do Dhamma ensinado pelo Abenoado que sabe e v, um arahant, perfeitamente iluminado. Tendo ouvido, visto e compreendido isso, eu deixei a vida em famlia e segui a vida santa.

(2) [A vida em] qualquer mundo no tem refgio nem protetor: esse o segundo sumrio do Dhamma ensinado pelo Abenoado que sabe e v...

(3) [A vida em] qualquer mundo no tem nada que lhe pertena, todos deixam tudo e prosseguem: esse o terceiro sumrio do Dhamma ensinado pelo Abenoado que sabe e v...

(4) [A vida em] qualquer mundo incompleta, insatisfatria, a escravido do desejo: esse o quarto sumrio do Dhamma ensinado pelo Abenoado que sabe e v...

37. Grande rei, esses so os quatro sumrios do Dhamma que foram ensinados pelo Abenoado que sabe e v, um arahant, perfeitamente iluminado. Tendo ouvido, visto e compreendido isso, eu deixei a vida em famlia e segui a vida santa.

38. O Mestre Ratthapala disse: [A vida em] qualquer mundo instvel, varrida Como deve ser compreendido o significado dessa afirmao?

O que voc pensa, grande rei? Quando voc tinha vinte ou vinte cinco anos de idade, voc era um experto controlador de elefantes, um experto cavaleiro, um experto cocheiro, um experto arqueiro, um experto esgrimista, com as pernas e os braos fortes, vigorosos, capaz na batalha?

Quando eu tinha vinte ou vinte cinco anos de idade, Mestre Ratthapala, eu era um experto controlador de elefantes ... com as pernas e os braos fortes, vigorosos, capaz na batalha. Algumas vezes me perguntava se naquele ento eu tinha poderes supra-humanos. Eu no via ningum que pudesse se igualar a mim em fora.

O que voc pensa, grande rei? Voc agora tem a mesma fora nos braos e pernas, o mesmo vigor e capacidade na batalha?

No, Mestre Ratthapala. Agora estou velho, com a idade avanada, atribulado pelos anos, avanado na vida, j no ltimo estgio; tenho oitenta anos. Algumas vezes tenho a inteno de colocar o meu p aqui e coloco meu p em algum outro lugar.

Grande Rei, foi por conta disso que o Abenoado que sabe e v, um arahant, perfeitamente iluminado, disse: [A vida em] qualquer mundo instvel, varrida; e quando eu ouvi, vi e compreendi isso, eu deixei a vida em famlia e segui a vida santa.

maravilhoso, Mestre Ratthapala, admirvel quo bem isso foi expresso pelo Abenoado que sabe e v, um arahant, perfeitamente iluminado: [A vida em] qualquer mundo instvel, varrida De fato assim!

39. Mestre Ratthapala, nesta corte h tropas com elefantes, cavalaria, carruagens e a infantaria, que serviro para subjugar qualquer ameaa que enfrentemos. Agora, o Mestre Ratthapala disse: [A vida em] qualquer mundo no tem refgio nem protetor. Como deve ser compreendido o significado dessa afirmao?

O que voc pensa, grande rei? Voc tem algum tipo de enfermidade crnica?

Eu tenho um problema crnico de ventos, Mestre Ratthapala. Algumas vezes meus amigos e companheiros, pares e parentes, ficam minha volta, pensando: Agora, o Rei Koravya est a ponto de morrer, agora o Rei Koravya est a ponto de morrer!

O que voc pensa, grande rei? Voc pode ordenar aos seus amigos e companheiros, pares e parentes: Venham, meus bons amigos e companheiros, pares e parentes. Todos vocs aqui presentes compartam dessa sensao dolorosa para que eu possa sentir menos dor? Ou voc mesmo sozinho tem que sentir aquela dor?

Eu no posso ordenar que os meus amigos e companheiros, pares e parentes faam isso, Mestre Ratthapala. Eu sozinho tenho que sentir aquela dor.

Grande Rei, foi por conta disso que o Abenoado que sabe e v, um arahant, perfeitamente iluminado, disse: [A vida em] qualquer mundo no tem refgio nem protetor; e quando eu ouvi, vi e compreendi isso, eu deixei a vida em famlia e segui a vida santa.

maravilhoso, Mestre Ratthapala, admirvel quo bem isso foi expresso pelo Abenoado que sabe e v, um arahant, perfeitamente iluminado: [A vida em] qualquer mundo no tem refgio nem protetor. De fato assim!

40. Mestre Ratthapala, nesta corte h em abundncia moedas e barras de ouro armazenadas em caixas forte e depsitos. Agora, o Mestre Ratthapala disse: [A vida em] qualquer mundo no tem no tem nada que lhe pertena, todos deixam tudo e prosseguem. Como deve ser compreendido o significado dessa afirmao?

O que voc pensa, grande rei? Voc agora desfruta de prazeres provido e dotado com esses cinco elementos do prazer sensual, mas ser voc capaz de mant-los na vida que vir: Que eu da mesma forma desfrute de prazeres provido e dotado com esses mesmos cinco elementos do prazer sensual? Ou outros tomaro essas posses, enquanto voc prosseguir de acordo com as suas aes?

Eu no poderei mant-los nas vidas que viro, Mestre Ratthapala. Ao contrrio, outros tomaro essas posses enquanto que eu terei que prosseguir de acordo com as minhas aes.

Grande Rei, foi por conta disso que o Abenoado que sabe e v, um arahant, perfeitamente iluminado, disse: [A vida em] qualquer mundo no tem nada que lhe pertena, todos deixam tudo e prosseguem; e quando eu ouvi, vi e compreendi isso, eu deixei a vida em famlia e segui a vida santa.

maravilhoso, Mestre Ratthapala, admirvel quo bem isso foi expresso pelo Abenoado que sabe e v, um arahant, perfeitamente iluminado: [A vida em] qualquer mundo no tem nada que lhe pertena, todos deixam tudo e prosseguem. De fato assim!

41. Agora, o Mestre Ratthapala disse: [A vida em] qualquer mundo incompleta, insatisfatria, a escravido do desejo. Como deve ser compreendido o significado dessa afirmao?

O que voc pensa, grande rei? Voc governa o rico pas dos Kurus?

Sim, Mestre Ratthapala, eu o governo.

O que voc pensa, grande rei? Suponha que um homem confivel e honesto viesse do leste e dissesse: Por favor, grande rei, saiba que eu vim do leste e l eu vi um grande pas, poderoso e rico, com muitos habitantes e repleto de gente. H em abundncia tropas com elefantes, cavalaria, carruagens e infantaria; l h marfim em abundncia e h abundncia de moedas e barras de ouro trabalhadas e em bruto, e h mulheres em abundncia. Com o seu exrcito atual voc poder conquist-lo. Conquiste-o ento, grande rei. O que voc faria?

Ns o conquistaramos e governaramos Mestre Ratthapala.

O que voc pensa, grande rei? Suponha que um homem confivel e honesto viesse do oeste ... do norte ... do sul e dissesse: Por favor, grande rei, saiba que eu vim do sul e l eu vi um grande pas, poderoso e rico ... Conquiste-o ento, grande rei. O que voc faria?

Ns o conquistaramos e governaramos Mestre Ratthapala.

Grande Rei, foi por conta disso que o Abenoado que sabe e v, um arahant, perfeitamente iluminado, disse: [A vida em] qualquer mundo incompleta, insatisfatria, a escravido do desejo; e quando eu ouvi, vi e compreendi isso, eu deixei a vida em famlia e segui a vida santa.

maravilhoso, Mestre Ratthapala, admirvel quo bem isso foi expresso pelo Abenoado que sabe e v, um arahant, perfeitamente iluminado: [A vida em] qualquer mundo incompleta, insatisfatria, a escravido do desejo. De fato assim!

42. Isso foi o que o venervel Ratthapala disse. E tendo dito isso ele disse mais:

Eu vejo homens ricos no mundo, que mesmo assim,
devido ignorncia, no do a sua riqueza acumulada.
Com cobia eles entesouram as suas posses
desejando ainda mais prazeres sensuais.

Um rei que conquistou a terra atravs da fora
e governa sobre um reino circundado pelo oceano
ainda insaciado com esta margem do oceano
desejando a outra margem tambm.

A maioria das outras pessoas tambm, no somente um rei,
se deparam com a morte com a cobia inalterada;
[com planos] ainda incompletos elas largam o cadver;
os desejos permanecendo insaciados no mundo.

Os seus parentes lamentam arrancando os cabelos,
soluando, Ai de mim! Que pena! Nosso amado est morto!
Eles carregam o corpo envolto em mortalhas
colocando-o sobre uma pira para queimar.

Envolto numa mortalha, ele deixa a sua riqueza para trs,
cutucado com paus ele queima [sobre a pira].
E ao morrer, nenhum parente ou amigo
pode aqui lhe oferecer refgio ou abrigo.

Enquanto os seus herdeiros tomam a sua riqueza, esse ser
tem que prosseguir de acordo com as suas aes;
e ao morrer nada pode segui-lo;
nem filho, nem esposa, nem riqueza e tampouco propriedades.

A longevidade no adquirida com a riqueza
nem a prosperidade capaz de banir a velhice;
curta esta vida, dizem todos os sbios,
a eternidade no conhecida, apenas a mudana.

Seja rico ou pobre, ambos sentiro o toque [da Morte],
o tolo e o sbio tambm;
mas enquanto o tolo abatido pela sua tolice,
nenhum sbio ir sequer tremer com o toque.

Melhor a sabedoria aqui do que qualquer riqueza,
visto que atravs da sabedoria se conquista o objetivo ltimo.
Pois atravs da ignorncia as pessoas cometem aes ruins
enquanto de uma vida para outra fracassam em alcanar o objetivo.

Quando algum prossegue para o ventre e para o prximo mundo,
renovando os sucessivos ciclos de renascimento,
outro com pouca sabedoria, confiando nele,
tambm vai para o ventre e para o prximo mundo.

Tal qual um ladro pego num roubo
submetido ao sofrimento devido sua m ao,
assim tambm, as pessoas aps a morte, no prximo mundo,
so submetidas ao sofrimento por suas ms aes.

Os prazeres sensuais, variados, doces, deliciosos,
de muitos e distintos modos perturbam a mente:
vendo o perigo nesses vnculos sensuais
eu optei por viver a vida santa, Oh Rei.

Como os frutos caem das rvores, assim tambm as pessoas,
tanto jovens como velhas, caem quando este corpo chega ao fim.
Vendo isso tambm, Oh Rei, eu segui a vida santa:
melhor o seguro da vida do contemplativo.

 

 

Revisado: 11 Junho 2005

Copyright © 2000 - 2021, Acesso ao Insight - Michael Beisert: editor, Flavio Maia: designer.