Digha Nikaya 1

Brahmajala Sutta

A Rede Suprema

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1.1. Assim ouvi. Em certa ocasio o Abenoado estava caminhando pela estrada principal entre Rajagaha e Nalanda [1] acompanhado por uma comitiva de uns quinhentos bhikkhus. E o errante Suppiya tambm estava caminhando pela mesma estrada com o seu jovem pupilo Brahmadatta. E Suppiya [2] estava censurando de vrias formas o Buda, o Dhamma e a Sangha, enquanto o seu pupilo Brahmadatta estava elogiando de vrias formas o Buda, o Dhamma e a Sangha. E assim aqueles dois, mestre e pupilo, com opinies contrrias, estavam seguindo de perto o Abenoado e a sua comitiva de bhikkhus.

1.2. Ento o Abenoado parou para pernoitar com os bhikkhus no parque real de Ambalatthika. E Suppiya com o seu pupilo Brahmadatta tambm parou no mesmo parque para pernoitar. E Suppiya seguiu censurando de vrias formas o Buda, o Dhamma e a Sangha, enquanto o seu pupilo Brahmadatta os defendia. E assim discutindo eles estavam perto do Abenoado e da sua comitiva de bhikkhus.

1.3. Agora, ao amanhecer, um grande nmero de bhikkhus, depois de se levantarem, reuniram-se no Pavilho Circular e estavam conversando sobre o seguinte: maravilhoso, amigos, admirvel como o Abenoado, um arahant, perfeitamente iluminado, que sabe e v, claramente distingue as diferentes inclinaes dos seres! Pois aqui est o errante Suppiya censurando de vrias formas o Buda, o Dhamma e a Sangha, enquanto o seu pupilo Brahmadatta os defende. E, ainda discutindo, eles seguem de perto o Abenoado e a comitiva de bhikkhus.

1.4. Ento, o Abenoado percebendo sobre o que os bhikkhus estavam conversando, foi at o Pavilho Circular e sentou num assento que havia sido preparado. Ento ele disse: Bhikkhus, qual o assunto que faz com que vocs estejam sentados juntos aqui agora? E qual a discusso que foi interrompida? E eles lhe disseram.

1.5. Bhikkhus, se algum falar difamando o Buda, o Dhamma ou a Sangha, vocs no deveriam ficar com raiva, ressentimento ou perturbao por conta disso. Se vocs ficarem com raiva ou descontentes, isso ser apenas um obstculo para vocs. Pois se outros difamam o Buda, o Dhamma ou a Sangha e vocs ficarem com raiva ou descontentes, ser possvel que vocs saibam se aquilo que eles dizem correto ou no? No, venervel senhor. Se algum difamar o Buda, o Dhamma ou a Sangha, ento vocs devem explicar aquilo que incorreto como incorreto, dizendo: Isso incorreto, isso falso, esse no o nosso modo, esse tipo de coisa no encontrada no nosso meio.

1.6. Mas, bhikkhus, se algum falar elogiando o Buda, o Dhamma, ou a Sangha, vocs no deveriam ficar satisfeitos, contentes ou exultantes por conta disso. Se vocs ficarem satisfeitos, contentes ou exultantes com o elogio, isso ser apenas um obstculo para vocs. Se algum elogiar o Buda, o Dhamma, ou a Sangha, vocs devem reconhecer a verdade daquilo que verdadeiro, dizendo: Isso correto, isso verdadeiro, esse o nosso modo, esse tipo de coisa encontrada no nosso meio.

1.7. Bhikkhus, com relao a questes elementares e subordinadas no que diz respeito prtica da virtude [3] que a pessoa comum [4] elogiaria o Tathagata. E quais so essas questes elementares e subordinadas pelas quais a pessoa comum o elogiaria?

(A Pequena Seo sobre a Virtude)

1.8. Abandonando tirar a vida de outros seres, o contemplativo Gotama se abstm de tirar a vida de outros seres; ele permanece com a sua vara e arma postas de lado, bondoso e gentil, compassivo com todos os seres vivos. Assim a pessoa comum elogiaria o Tathagata.[5]

Abandonando tomar o que no dado, o contemplativo Gotama se abstm de tomar o que no dado. Ele somente toma aquilo que dado, aceita somente aquilo que dado.

Abandonando o no celibato, o contemplativo Gotama vive uma vida celibatria, vive separado, abstendo-se da prtica vulgar do ato sexual.

1.9. Abandonando a linguagem mentirosa, o contemplativo Gotama se abstm da linguagem mentirosa. Ele fala a verdade, mantm a verdade, firme e confivel, no um enganador do mundo. Abandonando a linguagem maliciosa, ele se abstm da linguagem maliciosa. O que ele ouviu aqui ele no conta ali para separar aquelas pessoas destas. O que ele ouviu l ele no conta aqui para separar estas pessoas daquelas. Assim ele reconcilia aquelas pessoas que esto divididas, promove a amizade, ele ama a concrdia, se delicia com a concrdia, desfruta da concrdia, diz coisas que criam a concrdia. Abandonando a linguagem grosseira, ele se abstm da linguagem grosseira. Ele diz palavras que so gentis, que agradam aos ouvidos, carinhosas, que penetram o corao, que so corteses, desejadas por muitos e que agradam a muitos. Abandonando a linguagem frvola, ele se abstm da linguagem frvola. Ele fala na hora certa, diz o que fato, aquilo que bom, fala de acordo com o Dhamma e a Disciplina; nas horas adequadas ele diz palavras que so teis, racionais, moderadas e que trazem benefcio.

1.10. O contemplativo Gotama se abstm de danificar sementes e plantas. Ele come somente uma vez ao dia, privando-se da refeio noturna e de alimentos nas horas incorretas. Ele se abstm de danar, cantar, msica e de espetculos teatrais. Ele se abstm de usar ornamentos e de embelezar-se com perfumes e cosmticos. Ele se abstm de leitos e assentos luxuosos. Ele se abstm de aceitar ouro e dinheiro. Ele se abstm de aceitar gros que no estejam cozidos ... carne crua ... mulheres e garotas ... escravos e escravas ... cabras e ovelhas ... aves e porcos ... elefantes, gado, cavalos e guas ... terras e propriedades. Ele se abstm de fazer pequenas tarefas e levar mensagens ... de comprar e vender ... de lidar com balanas falsas, metais falsos, falsas medidas ... suborno, burla e fraude. Ele se abstm de mutilar, executar, aprisionar, roubar, pilhar e violentar.

(A Seo Intermediria sobre a Virtude)

1.11. Enquanto alguns brmanes e contemplativos, vivendo de alimentos dados em boa f, esto habituados a danificar sementes e plantas como estas - plantas que se propagam pelas razes, caules, juntas, germinaes e sementes - o contemplativo Gotama se abstm de danificar sementes e plantas como essas.

1.12. Enquanto alguns brmanes e contemplativos, vivendo de alimentos dados em boa f, esto habituados a consumir mercadorias armazenadas tais como estas - comida armazenada, bebidas armazenadas, roupas armazenadas, veculos armazenados, roupas de cama armazenadas, perfumes armazenados, carne armazenada - o contemplativo Gotama se abstm de consumir mercadorias armazenadas como essas.

1.13. Enquanto alguns brmanes e contemplativos, vivendo de alimentos dados em boa f, esto habituados a assistir espetculos como estes danas, canto, instrumentos musicais, recitaes de baladas, bater palmas, cmbalos e tambores, cenas pintadas, truques acrobticos e de splicas, luta de elefantes, luta de cavalos, luta de bfalos, touradas, luta de bodes, luta de carneiros, briga de galos, luta de codornas; luta com paus, boxe, luta livre, jogos de guerra, listas de chamadas, planos de batalha, e paradas militares o contemplativo Gotama se abstm de assistir espetculos como esses.

1.14. Enquanto alguns brmanes e contemplativos, vivendo de alimentos dados em boa f, esto habituados a jogos insensatos e ociosos como estes xadrez de oito filas, xadrez de dez filas, xadrez no ar, amarelinha, jogo de varetas, dados, jogos com paus, desenhos com a mo, jogos com bola, soprar flautas de brinquedo, brincar com arados de brinquedo, piruetas, brincar com moinhos de vento de brinquedo, medidas de brinquedo, carruagens de brinquedo, arcos de brinquedo, adivinhar letras desenhadas no ar, adivinhar pensamentos, imitando deformidades o contemplativo Gotama se abstm de jogos insensatos e ociosos como esses.

1.15. Enquanto alguns brmanes e contemplativos, vivendo de alimentos dados em boa f, esto habituados a uma moblia alta e luxuosa como essas sofs de grande tamanho, enfeitados com animais esculpidos; colchas felpudas, com retalhos multicoloridos, de l branca, de l bordadas com flores ou figuras de animais, acolchoadas, com franjas, de seda bordadas com pedras preciosas; carpetes grandes de l; tapetes com elefantes, cavalos e carruagens, tapetes de pele de antlope, tapetes de pele de gamo; camas com baldaquino, com almofadas vermelhas para a cabea e os ps o contemplativo Gotama se abstm de usar moblias altas e luxuosas como essas.

1.16. Enquanto alguns brmanes e contemplativos, vivendo de alimentos dados em boa f, esto habituados a perfumes, cosmticos, e meios de embelezamento como estes ps para massagear o corpo, massagem com leos, banho em gua perfumada, massagem nos membros, usar espelhos, pomadas, ornamentos, perfumes, cremes, ps de arroz, mscara, braceletes, tiaras, bengalas decoradas, garrafas de gua ornamentadas, espadas, guarda sis enfeitados, sandlias decoradas, turbantes, pedras preciosas, espanador feito de pelos de yak, tnicas longas com franjas o contemplativo Gotama se abstm de usar perfumes, cosmticos e meios de embelezamento como esses.

1.17. Enquanto alguns brmanes e contemplativos, vivendo de alimentos dados em boa f, esto habituados a falar de tpicos inferiores como estes falar sobre reis, ladres, ministros de estado, exrcitos, alarmes e batalhas; comida e bebida, roupas, moblia, ornamentos e perfumes, parentes; veculos; vilarejos, vilas, cidades, o campo; mulheres e heris; as fofocas das ruas e do poo; contos dos mortos; contos da diversidade (discusses filosficas do passado e futuro), a criao do mundo e do mar e conversa acerca de se as coisas existem ou no o contemplativo Gotama se abstm de falar de tpicos inferiores como esses.

1.18. Enquanto alguns brmanes e contemplativos, vivendo de alimentos dados em boa f, esto habituados a debates tais como estes Voc entende esta doutrina e disciplina? Eu sou aquele que entende esta doutrina e disciplina. Como pode voc entender esta doutrina e disciplina? A sua prtica incorreta. Eu pratico corretamente. Eu sou consistente. Voc no . O que deve ser dito primeiro voc fala por ltimo. O que deve ser dito por ltimo voc fala primeiro. O que lhe tardou tanto tempo para pensar foi refutado. A sua doutrina foi derrubada. Voc est derrotado. V e tente salvar a sua doutrina; solte a si mesmo se voc puder! o contemplativo Gotama se abstm de debates tais como estes.

1.19. Enquanto alguns brmanes e contemplativos, vivendo de alimentos dados em boa f, esto habituados a levar mensagens e fazer pequenas tarefas para pessoas tais como estas reis, ministros de estado, nobres guerreiros, brmanes, contemplativos, chefes de famlia, ou jovens (que dizem), Venha aqui, v ali, leve isto l, v buscar e traga isto aqui o contemplativo Gotama se abstm de levar mensagens e fazer pequenas tarefas para pessoas como essas.

1.20. Enquanto alguns brmanes e contemplativos, vivendo de alimentos dados em boa f, se ocupam com tramar, persuadir, aconselhar, depreciar e perseguir o ganho com o ganho, o contemplativo Gotama se abstm de tramar e persuadir (maneiras inadequadas de obter apoio material de doadores).

(A Grande Seo sobre a Virtude)

1.21. Enquanto alguns brmanes e contemplativos, vivendo de alimentos dados em boa f, mantm a si mesmos atravs de um modo de vida incorreto, por meio de artes aviltantes assim como: leitura de marcas nos membros [ex: quiromancia]; leitura de pressgios e sinais; interpretao de eventos celestiais [estrelas cadentes, cometas]; interpretao de sonhos; leitura de marcas no corpo [ex: frenologia]; leitura de marcas em tecidos rodos por ratos; oblao oferecida com o fogo, oblao de uma concha, oblao de palhas, p de arroz, gorduras, e leo; oferecer oblaes com a boca; oferecer sacrifcios de sangue; fazer previses baseadas nas pontas dos dedos; geomancia; deitar demnios em um cemitrio; colocar feitios em espritos; recitar feitios protetores em casas; encantar serpentes, xamanismo com venenos, xamanismo com escorpies, xamanismo com ratos, xamanismo com pssaros, xamanismo com corvos; ler a sorte com base em vises; dar encantos protetores; interpretar o chamado de pssaros e animais, o contemplativo Gotama se abstm do modo de vida incorreto, atravs de artes aviltantes como essas.

1.22. Enquanto alguns brmanes e contemplativos, vivendo de alimentos dados em boa f, mantm a si mesmos atravs de um modo de vida incorreto, atravs de artes aviltantes assim como: determinar o que traz e no traz a sorte com pedras preciosas, roupas, bengalas, espadas, lanas, flechas, arcos, e outras armas; mulheres, meninos, meninas, escravos, escravas; elefantes, cavalos, bfalos, touros, vacas, bodes, carneiros, aves, codornas, lagartos, roedores com orelhas grandes, tartarugas, e outros animais o contemplativo Gotama se abstm do modo de vida incorreto, atravs de artes aviltantes como essas.

1.23. Enquanto alguns brmanes e contemplativos, vivendo de alimentos dados em boa f, mantm a si mesmos atravs de um modo de vida incorreto, atravs de artes aviltantes como prever que: os regentes marcharo para a frente; os regentes marcharo para a frente e retornaro; nossos regentes atacaro e os regentes deles recuaro; os regentes deles atacaro e os nossos regentes recuaro; haver triunfo para os nossos regentes e derrota para os regentes deles; haver triunfo para os regentes deles e derrota para os nossos regentes; dessa forma haver triunfo, dessa forma haver derrota - o contemplativo Gotama se abstm do modo de vida incorreto, atravs de artes aviltantes como essas.

1.24. Enquanto alguns brmanes e contemplativos, vivendo de alimentos dados em boa f, mantm a si mesmos atravs de um modo de vida incorreto, atravs de artes aviltantes como prever que: haver um eclipse lunar; haver um eclipse solar; haver a ocultao de um astro; o sol e a lua continuaro no seu curso normal; o sol e a lua sairo do caminho; os astros seguiro no seu curso normal; os astros sairo do caminho; haver uma chuva de meteoros; haver um escurecimento do cu; haver um terremoto; haver troves vindo de um cu claro; haver um nascente, um poente, um escurecimento, um brilho mais intenso do sol, lua, e astros; assim ser o resultado do eclipse lunar...o nascente, o poente, o escurecimento, o brilho mais intenso do sol, lua e astros - o contemplativo Gotama se abstm do modo de vida incorreto, atravs de artes aviltantes como essas

1.25. Enquanto alguns brmanes e contemplativos, vivendo de alimentos dados em boa f, mantm a si mesmos atravs de um modo de vida incorreto, por meio de artes aviltantes como prever que: haver chuva em abundncia; haver uma seca; haver abundncia; haver fome; haver paz e segurana; haver insegurana; haver doena; no haver doena; ou eles ganham a vida fazendo contas, contabilidade, clculos, compondo poesias, ou ensinando artes e doutrinas hedonsticas - o contemplativo Gotama se abstm do modo de vida incorreto, atravs de artes aviltantes como essas.

1.26. Enquanto alguns brmanes e contemplativos, vivendo de alimentos dados em boa f, mantm a si mesmos atravs de um modo de vida incorreto, por meio de artes aviltantes como: calcular as datas mais auspiciosas para casamentos, noivados, divrcios; para cobrar dvidas ou fazer investimentos e emprstimos; para ser atraente ou no atraente; curar mulheres que abortaram; recitar feitios para amarrar a lngua de um homem, para paralisar a sua mandbula, para fazer com que ele perca o controle das mos, ou torn-lo surdo; obter respostas de orculo a questes dirigidas a um espelho, a uma jovem garota, ou a um mdium espiritual; cultuar o sol, cultuar o Grande Brahma, fazer sair chamas pela boca, invocar deusa da sorte - o contemplativo Gotama se abstm do modo de vida incorreto, atravs de artes aviltantes como essas.

1.27. Enquanto alguns brmanes e contemplativos, vivendo de alimentos dados em boa f, mantm a si mesmos atravs de um modo de vida incorreto, atravs de artes aviltantes como: prometer presentes para divindades em troca de favores; cumprir essas promessas; demonologia; ensinar feitios que protegem as casas; induzir virilidade e impotncia; consagrar terrenos para construo; dar colutrios cerimoniais e banhos cerimoniais; oferecer fogueiras de sacrifcio; preparar emticos, purgativos, expectorantes, diurticos, curas para dor de cabea; preparar leo para os ouvidos, gotas para os olhos, leo para tratamento atravs do nariz, colrio e antdotos; curar cataratas, praticar cirurgia, praticar como pediatra, prescrever medicamentos e tratamentos para curar efeitos colaterais - o contemplativo Gotama se abstm do modo de vida incorreto, atravs de artes aviltantes como essas. Bhikkhus, com relao a essas questes elementares e subordinadas no que diz respeito prtica da virtude que a pessoa comum elogiaria o Tathagata.

1.28. H, bhikkhus, outras questes, profundas, difceis de ver e difceis de compreender, pacficas e sublimes, que no podem ser alcanadas atravs do mero raciocnio, sutis, para serem experimentadas pelos sbios, que o Tathagata, tendo visto atravs do conhecimento direto, proclama e com relao s quais, aqueles que com sinceridade elogiam o Tathagata falam da forma correta. E quais so essas questes?

(Os Sessenta e Dois tipos de Entendimento Incorreto)

1.29. H, bhikkhus, alguns contemplativos e Brmanes que especulam sobre o passado, possuem idias acerca do passado, fazem vrias alegaes doutrinrias em relao ao passado, de dezoito modos distintos. Com base em que, com qual fundamento eles fazem isso?

1.30. H alguns contemplativos e Brmanes que afirmam a eternidade, que afirmam a eternidade do eu e do mundo de quatro modos distintos. Com base em que?

1.31. [Entendimento Incorreto 1][6] : Neste caso, bhikkhus, um contemplativo ou brmane atravs do ardor, esforo, devoo, diligncia e ateno correta alcana uma tal concentrao da mente que, quando a sua mente est concentrada, ele se recorda das vidas passadas - um nascimento, dois nascimentos, trs nascimentos, quatro, cinco, dez, vinte, trinta, quarenta, cinqenta, cem, mil, cem mil, vrias centenas de milhares de nascimentos - L eu tinha tal nome, pertencia a tal cl, tinha tal aparncia. Assim era o meu alimento, assim era a minha experincia de prazer e dor, assim foi o fim da minha vida. Falecendo daquele estado, eu ressurgi ali. Ali eu tambm tinha tal nome, pertencia a tal cl, tinha tal aparncia. Assim era o meu alimento, assim era a minha experincia de prazer e dor, assim foi o fim da minha vida. Falecendo daquele estado, eu ressurgi aqui. Assim ele se recorda das suas muitas vidas passadas nos seus modos e detalhes. E ele diz: O eu e o mundo so eternos, estreis [7] como o pico de uma montanha, plantados firmes como um pilar. Esses seres correm em crculos, transitam, falecem e renascem, mas assim permanecem eternamente. Por que isso? Atravs do ardor, esforo, devoo, diligncia e ateno correta, alcancei uma tal concentrao da mente que, quando a minha mente est concentrada, eu me recordo das vidas passadas ... Assim como sei que o eu e o mundo so eternos ... Esse o primeiro modo atravs do qual alguns contemplativos e Brmanes afirmam a eternidade do eu e do mundo.

1.32. [Entendimento Incorreto 2] E qual o segundo modo? Neste caso um contemplativo ou brmane atravs do ardor, esforo, devoo, diligncia e ateno correta alcana uma tal concentrao da mente que, quando a sua mente est concentrada, ele se recorda de um ciclo de contrao e expanso csmica, dois ciclos, trs, quatro, cinco, dez ciclos de contrao e expanso csmica ... L eu tinha tal nome. ... Esse o segundo modo atravs do qual alguns contemplativos e Brmanes afirmam a eternidade do eu e do mundo.

1.33. [Entendimento Incorreto 3] E qual o terceiro modo? Neste caso um contemplativo ou brmane atravs do ardor ... ele se recorda de dez ciclos de contrao e expanso csmica, vinte ciclos, trinta, quarenta ciclos de contrao e expanso csmica ... L eu tinha tal nome. ... Esse o terceiro modo atravs do qual alguns contemplativos e Brmanes afirmam a eternidade do eu e do mundo.

1.34. [Entendimento Incorreto 4] E qual o quarto modo? Neste caso um contemplativo ou brmane um racionalista. Elaborando atravs da razo, seguindo a sua prpria linha de raciocnio, ele argumenta: O eu e o mundo so eternos, estreis como o pico de uma montanha, plantados firmes como um pilar. Esses seres correm em crculos, transitam, falecem e renascem, mas assim permanecem eternamente. Esse o quarto modo atravs do qual alguns contemplativos e Brmanes afirmam a eternidade do eu e do mundo.

1.35. Esses so os quatro modos atravs dos quais alguns contemplativos e Brmanes afirmam a eternidade, e afirmam a eternidade do eu e do mundo. Quaisquer contemplativos e Brmanes que afirmem a eternidade, e que afirmem a eternidade do eu e do mundo, assim o fazem com base em um ou outro desses quatro modos. No h outra forma.

1.36. Isto, bhikkhus, o Tathagata sabe: esses pontos de vista assim formulados e agarrados iro conduzir a tal e qual destino num outro mundo. Isso o Tathagata sabe, e ele sabe muito mais alm disso, mas ele no tem apego por esse conhecimento. E estando assim desapegado ele experimenta a perfeita paz, e tendo compreendido como na verdade a origem e a cessao das sensaes, a gratificao, o perigo e a escapatria das sensaes, o Tathagata est libertado sem restar nenhum resduo.

1.37. H, bhikkhus, outras questes, profundas, difceis de ver e difceis de compreender, pacficas e sublimes, que no podem ser alcanadas atravs do mero raciocnio, sutis, para serem experimentadas pelos sbios, que o Tathagata, tendo visto atravs do conhecimento direto, proclama e com relao s quais, aqueles que com sinceridade elogiam o Tathagata falam da forma correta. E quais so essas questes?

[Fim da Primeira Recitao]

2.1. H, bhikkhus, alguns contemplativos e Brmanes que afirmam em parte a eternidade e em parte a no-eternidade, que afirmam a eternidade parcial e a no-eternidade parcial do eu e do mundo de quatro modos distintos. Com base em que?

2.2. Haver um tempo, bhikkhus, quando, cedo ou tarde, aps um longo perodo, este mundo ir se contrair. Numa poca de contrao, os seres nascem principalmente no mundo de Abhassara.[8] E l eles permanecem feitos de mentalidade,[9] alimentados pelo xtase, [10] luminosos, movendo-se atravs do espao, gloriosos e assim eles permanecem por um longo tempo.

2.3. [Entendimento Incorreto 5] Mas cedo ou tarde, depois de um longo perodo, o mundo comea novamente a se expandir. Nesse mundo em expanso aparece um palcio de Brahma vazio. [11] Ento um ser, com a exausto do seu tempo de vida ou dos seus mritos, [12] deixa o mundo de Abhassara e renasce no palcio de Brahma vazio. E l ele permanece, feito de mentalidade, alimentado pelo xtase, luminoso, movendo-se atravs do espao, glorioso e assim ele permanece por um longo tempo.

2.4. Ento, nesse ser que ficou s por tanto tempo, surge a inquietao, o descontentamento e a preocupao, ele pensa: Oh, se pelo menos alguns outros seres aqui viessem! E outros seres, com a exausto do seu tempo de vida ou dos seus mritos, deixam o mundo de Abhassara e renascem no palcio de Brahma como companheiros daquele ser. E l eles permanecem, feitos de mentalidade ... e assim eles permanecem por um longo tempo.

2.5. Depois, bhikkhus, aquele ser que primeiro ali surgiu pensa: Eu sou Brahma, o Grande Brahma, o Conquistador, o No-conquistado, Omnisciente, Todo Poderoso, Senhor, Deus e Criador, Soberano, Providncia Divina, Pai de todos aqueles que so e sero. Esses seres foram criados por mim. Como assim? Porque eu primeiro pensei: Oh, se pelo menos alguns outros seres aqui viessem! Esse foi o meu desejo e assim esses seres foram aqui criados. E aqueles seres que ali renasceram tambm pensam: Ele, amigos, Brahma, o Grande Brahma, o Conquistador, o No-conquistado, Omnisciente, Todo Poderoso, Senhor, Deus e Criador, Soberano, Providncia Divina, Pai de todos aqueles que so e sero. Como assim? Ns vimos que ele estava aqui primeiro e que ns surgimos depois dele.

2.6. E aquele ser que surgiu primeiro tem vida mais longa, mais belo e mais poderoso do que os outros. E pode acontecer que algum daqueles seres deixe aquele mundo e renasa neste mundo. Tendo renascido neste mundo, ele deixa a vida em famlia e segue a vida santa. Tendo assim feito, atravs do ardor, esforo, devoo, diligncia e ateno correta ele alcana uma tal concentrao da mente que, quando a sua mente est concentrada, ele se recorda da sua ltima existncia, mas no se recorda de nenhuma antes daquela. E ele pensa: Aquele Brahma, ... ele nos fez, e ele permanente, interminvel, eterno, no sujeito mudana e que ir durar tanto tempo quanto a eternidade. Mas ns que fomos criados por aquele Brahma, ns somos impermanentes, terminantes, transitrios, sujeitos mudana, com a vida curta e ns viemos para este mundo. Esse o primeiro modo atravs do qual alguns contemplativos e Brmanes afirmam em parte a Eternidade e em parte a No-eternidade.

2.7. [Entendimento Incorreto 6] E qual o segundo modo? H, bhikkhus, certos devas chamados Corrompidos pelo Prazer. [13] Eles gastam um tempo excessivo se regozijando, brincando e se divertindo, de modo que a sua ateno plena dissipada e com a dissipao da ateno plena aqueles seres deixam aquele estado.

2.8. E pode acontecer que algum daqueles seres que deixaram aquele mundo renasa neste mundo. Tendo renascido neste mundo, ele deixa a vida em famlia e segue a vida santa. Tendo assim feito, atravs do atravs do ardor, esforo ... ele se recorda da sua ltima existncia, mas no se recorda de nenhuma antes daquela.

2.9. Ele pensa: Aqueles venerveis devas que no esto corrompidos pelo prazer no gastam um tempo excessivo se regozijando, brincando e se divertindo. Desse modo, a ateno plena deles no dissipada e assim eles no deixam aquele estado. Eles so permanentes, interminveis, eternos, no sujeitos mudana e que iro durar tanto tempo quanto a eternidade. Mas ns, que fomos corrompidos pelo prazer, gastamos um tempo excessivo nos regozijando, brincando e nos divertindo. Portanto, ns, com a dissipao da ateno plena, deixamos aquele estado, ns somos impermanentes, terminantes, transitrios, sujeitos mudana, com a vida curta e ns viemos para este mundo. Esse o segundo modo.

2.10. [Entendimento Incorreto 7] E qual o terceiro modo? H, bhikkhus, certos devas chamados Mente Corrompida. [14] Eles gastam um tempo excessivo observando um ao outro com inveja. Dessa forma a mente deles corrompida. Por conta da mente corrompida o corpo e a mente deles ficam exaustos. E eles deixam aquele estado.

2.11E pode acontecer que algum daqueles seres que deixaram aquele mundo renasa neste mundo ... ele se recorda da sua ltima existncia, mas no se recorda de nenhuma antes daquela.

2.12. Ele pensa: Aqueles venerveis devas que no esto com a mente corrompida no gastam um tempo excessivo observando um ao outro com inveja ... A mente deles no corrompida e o corpo e a mente deles no ficam exaustos e assim eles no deixam aquele estado. Eles so permanentes, interminveis, eternos ... Mas ns que tivemos a mente corrompida ... somos impermanentes, terminantes, transitrios, sujeitos mudana, com a vida curta e ns viemos para este mundo. Esse o terceiro modo.

2.13. [Entendimento Incorreto 8] E qual o quarto modo? Neste caso, um contemplativo ou brmane um racionalista. Elaborando atravs da razo, seguindo a sua prpria linha de raciocnio, ele argumenta: Aquilo que chamado olho, ouvido, nariz, lngua e corpo um eu que impermanente, terminante, transitrio, sujeito mudana. Mas aquilo que chamado mente, [15] esse um eu que permanente, interminvel, eterno, no sujeito mudana, e que ir durar tanto tempo quanto a eternidade! Esse o quarto modo.

2.14. Esses so os quatro modos atravs dos quais alguns contemplativos e Brmanes afirmam em parte a eternidade e em parte a no-eternidade ... Quaisquer contemplativos e Brmanes que afirmem em parte a eternidade e em parte a no-eternidade, assim o fazem com base em um ou outro desses quatro modos. No h outra forma.

2.15. Isto, bhikkhus, o Tathagata sabe: esses pontos de vista assim formulados e agarrados iro conduzir a tal e qual destino num outro mundo. Isso o Tathagata sabe, e ele sabe muito mais alm disso, mas ele no tem apego por esse conhecimento. E estando assim desapegado ele experimenta a perfeita paz, e tendo compreendido como na verdade a origem e a cessao das sensaes, a gratificao, o perigo e a escapatria das sensaes, o Tathagata est libertado sem restar nenhum resduo.

Essas, bhikkhus, so aquelas outras questes, profundas, difceis de ver e difceis de compreender, pacficas e sublimes, que no podem ser alcanadas atravs do mero raciocnio, sutis, para serem experimentadas pelos sbios, que o Tathagata, tendo visto atravs do conhecimento direto, proclama e com relao s quais, aqueles que com sinceridade elogiam o Tathagata falam da forma correta.

2.16. H, bhikkhus, alguns contemplativos e Brmanes que afirmam a finitude e a infinitude, que afirmam a finitude e a infinitude do mundo de quatro modos distintos. Quais so eles?

2.17. [Entendimento Incorreto 9] Neste caso, um contemplativo ou Brmane atravs do ardor, esforo, ... alcana uma tal concentrao da mente que, quando a sua mente est concentrada ele permanece percebendo o mundo como finito. Ele pensa: Este mundo finito e delimitado por um crculo. Como assim? Porque eu ... alcancei uma tal concentrao da mente que, quando a minha mente est concentrada, eu permaneo percebendo o mundo como finito. Por conseguinte, eu sei que o mundo finito e delimitado por um crculo. Esse o primeiro modo.

2.18. [Entendimento Incorreto 10] E qual o segundo modo? Neste caso, um contemplativo ou Brmane atravs do ardor, esforo, ... alcana uma tal concentrao da mente que, quando a sua mente est concentrada ele permanece percebendo o mundo como infinito. Ele pensa: Este mundo infinito e sem limitaes. Como assim? Porque eu ... alcancei uma tal concentrao da mente que, quando a minha mente est concentrada, eu permaneo percebendo o mundo como infinito. Por conseguinte, eu sei que o mundo infinito e sem limitaes. Esse o segundo modo.

2.19. [Entendimento Incorreto 11] E qual o terceiro modo? Neste caso, um contemplativo ou Brmane atravs do ardor, esforo, ... alcana uma tal concentrao da mente que, quando a sua mente est concentrada ele permanece percebendo o mundo como finito para cima e para baixo e infinito de lado a lado. Ele pensa: Este mundo finito e infinito. Aqueles contemplativos e Brmanes que dizem que ele finito esto errados, e aqueles que dizem que ele infinito esto errados. Como assim? Porque eu ... alcancei uma tal concentrao da mente que, quando a minha mente est concentrada, eu permaneo percebendo o mundo como finito para cima e para baixo e infinito de lado a lado. Por conseguinte, eu sei que o mundo ambos finito e infinito. Esse o terceiro modo.

2.20. [Entendimento Incorreto 12] E qual o quarto modo? Neste caso, um contemplativo ou brmane um racionalista. Elaborando atravs da razo, seguindo a sua prpria linha de raciocnio, ele argumenta: Este mundo no nem finito e tampouco infinito. Aqueles que dizem que ele finito esto errados e aqueles que dizem que ele infinito esto errados, e aqueles que dizem que ele finito e infinito esto errados. O mundo no nem finito e tampouco infinito. Esse o quarto modo.

2.21. Esses so os quatro modos atravs dos quais alguns contemplativos e Brmanes afirmam a finitude e a infinitude, que afirmam a finitude e a infinitude do mundo ... Quaisquer contemplativos e Brmanes que afirmem a finitude e a infinitude, que afirmem a finitude e a infinitude do mundo, assim o fazem com base em um ou outro desses quatro modos. No h outra forma.

2.22. Isto, bhikkhus, o Tathagata sabe: esses pontos de vista assim formulados e agarrados iro conduzir a tal e qual destino num outro mundo. Isso o Tathagata sabe, e ele sabe muito mais alm disso, mas ele no tem apego por esse conhecimento. E estando assim desapegado ele experimenta a perfeita paz, e tendo compreendido como na verdade a origem e a cessao das sensaes, a gratificao, o perigo e a escapatria das sensaes, o Tathagata est libertado sem restar nenhum resduo.

Essas, bhikkhus, so aquelas outras questes, profundas, difceis de ver e difceis de compreender, pacficas e sublimes, que no podem ser alcanadas atravs do mero raciocnio, sutis, para serem experimentadas pelos sbios, que o Tathagata, tendo visto atravs do conhecimento direto, proclama e com relao s quais, aqueles que com sinceridade elogiam o Tathagata falam da forma correta.

2.23. H, bhikkhus, alguns contemplativos e Brmanes que se contorcem como enguias.[16] Ao serem questionados sobre este ou aquele assunto, eles recorrem evaso verbal, contorcendo-se como uma enguia, de quatro modos distintos. Quais so eles?

2.24. [Entendimento Incorreto 13] Neste caso um contemplativo ou Brmane no sabe como na verdade , se uma coisa benfica ou prejudicial. Ele pensa: Eu na verdade no sei se isto benfico ou prejudicial. Sem saber o que correto, eu poderia declarar: Isso benfico ou, Isso prejudicial, e essa afirmao poderia ser uma mentira e isso me causaria aflio. E se eu ficar aflito, isso seria um obstculo para mim. [17] Assim, temendo dizer uma mentira, abominando o mentir, [18] ele no declara que uma coisa benfica ou prejudicial, mas quando questionado sobre este ou aquele assunto, ele recorre evaso verbal, contorcendo-se como uma enguia: Eu no digo que dessa forma. E eu no digo que daquela forma. E eu no digo que de outra forma. E eu no digo que no dessa forma. E eu no digo que no no dessa forma. Esse o primeiro modo.

2.25. [Entendimento Incorreto 14] E qual o segundo modo? Neste caso, um contemplativo ou Brmane no sabe como na verdade , se uma coisa benfica ou prejudicial. Ele pensa: Eu poderia declarar: Isso benfico ou, Isso prejudicial, e eu poderia sentir desejo ou cobia, raiva ou averso. Se eu sentisse desejo, cobia, raiva ou averso, isso seria apego da minha parte. Se eu sentisse apego isso me causaria aflio. E se eu ficar aflito, isso seria um obstculo para mim. Assim, temendo o apego, abominando o apego, ele recorre evaso verbal ... Esse o segundo modo.

2.26. [Entendimento Incorreto 15] E qual o terceiro modo? Neste caso, um contemplativo ou Brmane no sabe como na verdade , se uma coisa benfica ou prejudicial. Ele pensa: Eu poderia declarar: Isso benfico ou, Isso prejudicial, mas h contemplativos e brmanes que so instrudos, expertos, conhecedores das doutrinas dos outros, astutos como franco-atiradores precisos; eles andam por a, por assim dizer, demolindo as idias dos outros com a sua inteligncia arguta, e eles podero me questionar, exigindo que eu me justifique e argumente. E pode ser que eu no seja capaz de responder. No sendo capaz de responder isso me causaria aflio. E se eu ficar aflito, isso seria um obstculo para mim. Assim, temendo o debate, abominando o debate, ele recorre evaso verbal ... Esse o terceiro modo.

2.27. [Entendimento Incorreto 16] E qual o quarto modo? Neste caso, um contemplativo ou Brmane tolo e estpido. Devido sua tolice e estupidez, quando questionado ele recorre evaso verbal, contorcendo-se como uma enguia: Se voc me perguntasse se existe um outro mundo (aps a morte), se eu pensasse que existe um outro mundo, eu o declararia para voc? Eu no creio. Eu no penso dessa forma. Eu no penso de outra forma. Eu no penso que no. Eu no penso que no no. Se voc me perguntasse se no existe um outro mundo ... ambos, existe e no existe ... nem existe, nem no existe ... se existem seres que transmigram ... se no existem ... ambos, existem e no ... nem existem, nem no ... se o Tathagata existe aps a morte ... no existe ... ambos ... nem existe, nem no existe aps a morte, eu o declararia para voc? Eu no creio. Eu no penso dessa forma. Eu no penso de outra forma. Eu no penso que no. Eu no penso que no no. Esse o quarto modo.

2.28. Esses so os quatro modos atravs dos quais alguns contemplativos e Brmanes se contorcem como enguias. Ao serem questionados sobre este ou aquele assunto, eles recorrem evaso verbal, contorcendo-se como uma enguia. Quaisquer contemplativos e Brmanes que ao serem questionados sobre este ou aquele assunto, recorrem evaso verbal, contorcendo-se como uma enguia, assim o fazem com base em um ou outro desses quatro modos. No h outra forma.

2.29. Isto, bhikkhus, o Tathagata sabe: esses pontos de vista assim formulados e agarrados iro conduzir a tal e qual destino num outro mundo. Isso o Tathagata sabe, e ele sabe muito mais alm disso, mas ele no tem apego por esse conhecimento. E estando assim desapegado ele experimenta a perfeita paz, e tendo compreendido como na verdade a origem e a cessao das sensaes, a gratificao, o perigo e a escapatria das sensaes, o Tathagata est libertado sem restar nenhum resduo.

Essas, bhikkhus, so aquelas outras questes, profundas, difceis de ver e difceis de compreender, pacficas e sublimes, que no podem ser alcanadas atravs do mero raciocnio, sutis, para serem experimentadas pelos sbios, que o Tathagata, tendo visto atravs do conhecimento direto, proclama e com relao s quais, aqueles que com sinceridade elogiam o Tathagata falam da forma correta.

2.30. H, bhikkhus, alguns contemplativos e Brmanes que afirmam a origem fortuita, que afirmam a origem fortuita do eu e do mundo de dois modos distintos. Quais so eles?

2.31. [Entendimento Incorreto 17] H, bhikkhus, certos devas chamados no percipientes. [19] Assim que uma percepo surge neles, eles deixam aquele mundo. E pode acontecer que algum daqueles seres que deixaram aquele mundo renasa neste mundo ... ele se recorda da sua ltima existncia, mas no se recorda de nenhuma antes daquela. Ele pensa: O eu e o mundo tm origem fortuita. Como assim? Porque antes eu no era, mas agora sou. No sendo, passei a ser. Esse o primeiro modo.

2.32. [Entendimento Incorreto 18] Qual o segundo modo? Neste caso um contemplativo ou brmane um racionalista. Elaborando atravs da razo, seguindo a sua prpria linha de raciocnio, ele argumenta: O eu e o mundo tm origem fortuita. Esse o segundo modo.

2.33. Esses so os dois modos atravs dos quais alguns contemplativos e Brmanes que afirmam a origem fortuita, afirmam a origem fortuita do eu e do mundo. Quaisquer contemplativos e Brmanes que afirmem a origem fortuita, que afirmem a origem fortuita do eu e do mundo, assim o fazem com base em um ou outro desses dois modos. No h outra forma.

2.34. Isto, bhikkhus, o Tathagata sabe: esses pontos de vista assim formulados e agarrados iro conduzir a tal e qual destino num outro mundo. Isso o Tathagata sabe, e ele sabe muito mais alm disso, mas ele no tem apego por esse conhecimento. E estando assim desapegado ele experimenta a perfeita paz, e tendo compreendido como na verdade a origem e a cessao das sensaes, a gratificao, o perigo e a escapatria das sensaes, o Tathagata est libertado sem restar nenhum resduo.

Essas, bhikkhus, so aquelas outras questes, profundas, difceis de ver e difceis de compreender, pacficas e sublimes, que no podem ser alcanadas atravs do mero raciocnio, sutis, para serem experimentadas pelos sbios, que o Tathagata, tendo visto atravs do conhecimento direto, proclama e com relao s quais, aqueles que com sinceridade elogiam o Tathagata falam da forma correta.

2.35. Esses, bhikkhus, so os dezoito modos atravs dos quais alguns contemplativos e Brmanes especulam sobre o passado, possuem idias acerca do passado, fazem vrias alegaes doutrinrias em relao ao passado. Quaisquer contemplativos e Brmanes que especulem sobre o passado, possuam idias acerca do passado, faam vrias alegaes doutrinrias em relao ao passado, assim o fazem com base em um ou outro desses dezoito modos. No h outra forma

2.36. Isto, bhikkhus, o Tathagata sabe: esses pontos de vista assim formulados e agarrados iro conduzir a tal e qual destino num outro mundo. Isso o Tathagata sabe, e ele sabe muito mais alm disso, mas ele no tem apego por esse conhecimento. E estando assim desapegado ele experimenta a perfeita paz, e tendo compreendido como na verdade a origem e a cessao das sensaes, a gratificao, o perigo e a escapatria das sensaes, o Tathagata est libertado sem restar nenhum resduo.

Essas, bhikkhus, so aquelas outras questes, profundas, difceis de ver e difceis de compreender, pacficas e sublimes, que no podem ser alcanadas atravs do mero raciocnio, sutis, para serem experimentadas pelos sbios, que o Tathagata, tendo visto atravs do conhecimento direto, proclama e com relao s quais, aqueles que com sinceridade elogiam o Tathagata falam da forma correta.

2.37. H, bhikkhus, alguns contemplativos e Brmanes que especulam sobre o futuro, que possuem idias acerca do futuro, que fazem vrias alegaes doutrinrias em relao ao futuro, de quarenta e quatro modos distintos. Com base em que, com qual fundamento eles fazem isso?

2.38. H, bhikkhus, alguns contemplativos e Brmanes que afirmam a sobrevivncia perceptiva aps a morte, e eles assim o fazem de dezesseis modos distintos. Com base em que?

[Entendimento Incorreto 19-34] Eles afirmam que aps a morte o eu perceptivo e intacto e (1) material,[20] (2) imaterial,[21] (3) ambos material e imaterial, (4) nem material e tampouco imaterial, (5) finito, (6) infinito, (7) ambos, (8) nenhum dos dois, (9) perceptivo da unidade, (10) perceptivo da diversidade, (11) perceptivo do limitado, (12) perceptivo do imensurvel, (13) experimentando exclusivamente o prazer, (14) experimentando exclusivamente a dor, (15) uma mescla de ambos, (16) nenhum dos dois.

2.39. Esses so os dezesseis modos atravs dos quais alguns contemplativos e Brmanes afirmam a sobrevivncia perceptiva aps a morte. Quaisquer contemplativos e Brmanes que afirmem a sobrevivncia perceptiva aps a morte, assim o fazem com base em um ou outro desses dezesseis modos. No h outra forma.

2.40. Isto, bhikkhus, o Tathagata sabe: esses pontos de vista assim formulados e agarrados iro conduzir a tal e qual destino num outro mundo. Isso o Tathagata sabe, e ele sabe muito mais alm disso, mas ele no tem apego por esse conhecimento. E estando assim desapegado ele experimenta a perfeita paz, e tendo compreendido como na verdade a origem e a cessao das sensaes, a gratificao, o perigo e a escapatria das sensaes, o Tathagata est libertado sem restar nenhum resduo.

Essas, bhikkhus, so aquelas outras questes, profundas, difceis de ver e difceis de compreender, pacficas e sublimes, que no podem ser alcanadas atravs do mero raciocnio, sutis, para serem experimentadas pelos sbios, que o Tathagata, tendo visto atravs do conhecimento direto, proclama e com relao s quais, aqueles que com sinceridade elogiam o Tathagata falam da forma correta.

[Fim da Segunda Recitao]

3.1. H, bhikkhus, alguns contemplativos e Brmanes que afirmam a sobrevivncia no-perceptiva aps a morte, e eles assim o fazem de dezesseis modos distintos. Com base em que?

3.2. [Entendimento Incorreto 35-42] Eles afirmam que aps a morte o eu no-perceptivo e intacto e (1) material, (2) imaterial, (3) ambos, material e imaterial, (4) nem material e tampouco imaterial, (5) finito, (6) infinito, (7) ambos, (8) nenhum dos dois.[22]

3.3. Esses so os dezesseis modos atravs dos quais alguns contemplativos e Brmanes que afirmam a sobrevivncia no-perceptiva aps a morte. Quaisquer contemplativos e Brmanes que afirmem a sobrevivncia no-perceptiva aps a morte, assim o fazem com base em um ou outro desses dezesseis modos. No h outra forma.

3.4. Isto, bhikkhus, o Tathagata sabe: esses pontos de vista assim formulados e agarrados iro conduzir a tal e qual destino num outro mundo. Isso o Tathagata sabe, e ele sabe muito mais alm disso, mas ele no tem apego por esse conhecimento. E estando assim desapegado ele experimenta a perfeita paz, e tendo compreendido como na verdade a origem e a cessao das sensaes, a gratificao, o perigo e a escapatria das sensaes, o Tathagata est libertado sem restar nenhum resduo.

Essas, bhikkhus, so aquelas outras questes, profundas, difceis de ver e difceis de compreender, pacficas e sublimes, que no podem ser alcanadas atravs do mero raciocnio, sutis, para serem experimentadas pelos sbios, que o Tathagata, tendo visto atravs do conhecimento direto, proclama e com relao s quais, aqueles que com sinceridade elogiam o Tathagata falam da forma correta.

3.5. H, bhikkhus, alguns contemplativos e Brmanes que afirmam a sobrevivncia nem perceptiva e tampouco no-perceptiva aps a morte, e eles assim o fazem de oito modos distintos. Com base em que?

3.6. [Entendimento Incorreto 43-50] Eles afirmam que aps a morte o eu nem perceptivo e tampouco no-perceptivo e intacto e (1) material, (2) imaterial, (3) ambos, material e imaterial, (4) nem material e tampouco imaterial, (5) finito, (6) infinito, (7) ambos, (8) nenhum dos dois. [23]

3.7. Esses so os oito modos atravs dos quais alguns contemplativos e Brmanes afirmam a sobrevivncia nem perceptiva e tampouco no-perceptiva aps a morte. Quaisquer contemplativos e Brmanes que afirmem a sobrevivncia nem perceptiva e tampouco no-perceptiva aps a morte, assim o fazem com base em um ou outro desses oito modos. No h outra forma.

3.8. Isto, bhikkhus, o Tathagata sabe: esses pontos de vista assim formulados e agarrados iro conduzir a tal e qual destino num outro mundo. Isso o Tathagata sabe, e ele sabe muito mais alm disso, mas ele no tem apego por esse conhecimento. E estando assim desapegado ele experimenta a perfeita paz, e tendo compreendido como na verdade a origem e a cessao das sensaes, a gratificao, o perigo e a escapatria das sensaes, o Tathagata est libertado sem restar nenhum resduo.

Essas, bhikkhus, so aquelas outras questes, profundas, difceis de ver e difceis de compreender, pacficas e sublimes, que no podem ser alcanadas atravs do mero raciocnio, sutis, para serem experimentadas pelos sbios, que o Tathagata, tendo visto atravs do conhecimento direto, proclama e com relao s quais, aqueles que com sinceridade elogiam o Tathagata falam da forma correta.

3.9. H, bhikkhus, alguns contemplativos e Brmanes que afirmam a aniquilao, a destruio e a no existncia dos seres, e eles assim o fazem de sete modos distintos. Com base em que?

3.10. [Entendimento Incorreto 51] Neste caso, alguns contemplativos e brmanes afirmam e acreditam que: Posto que o eu possui forma, composto dos quatro grandes elementos, nascido de me e pai, esse eu, com a dissoluo do corpo aniquilado, destrudo e no existe aps a morte. Desse modo o eu aniquilado. Assim como alguns afirmam a aniquilao, destruio e a no existncia dos seres.

3.11. [Entendimento Incorreto 52] Outros afirmam: Senhores, h esse eu que vocs afirmam. Eu no nego isso. Mas esse eu no aniquilado por completo. Pois h um outro eu, divino, [24] possui forma, pertencente ao reino da esfera sensual, [25] se alimenta de comida.[26] Voc no o conhece ou v, mas eu sim. esse eu que com a dissoluo do corpo aniquilado ...[27]

3.12. [Entendimento Incorreto 53] Outros afirmam: Senhores, h esse eu que vocs afirmam. Eu no nego isso. Mas esse eu no aniquilado por completo. Pois h um outro eu, divino, possui forma, feito pela mente, [28] completo com todas as suas partes, sem defeito em nenhuma das faculdades ... esse eu que com a dissoluo do corpo aniquilado ...

3.13. [Entendimento Incorreto 54] Outros afirmam: Senhores, h esse eu que vocs afirmam ... h um outro eu que com a completa superao das percepes da forma, com o desaparecimento das percepes do contato sensorial, sem dar ateno s percepes da diversidade, consciente de que o espao infinito, entra e permanece na base do espao infinito.[29] esse eu que com a dissoluo do corpo aniquilado ...

3.14. [Entendimento Incorreto 55] Outros afirmam: H um outro eu que, com a completa superao da base do espao infinito, consciente de que a conscincia infinita,' entra e permanece na base da conscincia infinita. esse eu que com a dissoluo do corpo aniquilado ...

3.15. [Entendimento Incorreto 56] Outros afirmam: H um outro eu que, com a completa superao da base da conscincia infinita, consciente de que no h nada,' entra e permanece na base do nada. esse eu que com a dissoluo do corpo aniquilado ...

3.16. [Entendimento Incorreto 57] Outros afirmam: Senhores, h esse eu que vocs afirmam. Eu no nego isso. Mas esse eu no aniquilado por completo. Pois h um outro eu que, com a completa superao da base do nada e vendo: Isto pacfico, isto sublime, entra e permanece na base da nem percepo, nem no percepo. Voc no o conhece ou v, mas eu sim. esse eu que com a dissoluo do corpo aniquilado, destrudo e no existe aps a morte. Desse modo o eu aniquilado. Assim como alguns afirmam a aniquilao, destruio e a no existncia dos seres.

3.17. Esses so os sete modos atravs dos quais alguns contemplativos e Brmanes afirmam a aniquilao, a destruio e a no existncia dos seres. Quaisquer contemplativos e Brmanes que afirmem a aniquilao, a destruio e a no existncia dos seres, assim o fazem com base em um ou outro desses sete modos. No h outra forma.

3.18. Isto, bhikkhus, o Tathagata sabe: esses pontos de vista assim formulados e agarrados iro conduzir a tal e qual destino num outro mundo. Isso o Tathagata sabe, e ele sabe muito mais alm disso, mas ele no tem apego por esse conhecimento. E estando assim desapegado ele experimenta a perfeita paz, e tendo compreendido como na verdade a origem e a cessao das sensaes, a gratificao, o perigo e a escapatria das sensaes, o Tathagata est libertado sem restar nenhum resduo.

Essas, bhikkhus, so aquelas outras questes, profundas, difceis de ver e difceis de compreender, pacficas e sublimes, que no podem ser alcanadas atravs do mero raciocnio, sutis, para serem experimentadas pelos sbios, que o Tathagata, tendo visto atravs do conhecimento direto, proclama e com relao s quais, aqueles que com sinceridade elogiam o Tathagata falam da forma correta.

3.19. H, bhikkhus, alguns contemplativos e Brmanes que afirmam nibbana aqui e agora para um ser vivo, e eles assim o fazem de cinco modos distintos. Com base em que?

3.20. [Entendimento Incorreto 58] Neste caso, alguns contemplativos e Brmanes afirmam e acreditam que: Na medida em que este eu, estando provido e dotado dos cinco elementos do prazer sensual, desfruta deles, ento assim que o eu realiza o nibbana mais elevado aqui e agora. Assim alguns afirmam.

3.21. [Entendimento Incorreto 59] Outros afirmam: Senhores, h esse eu que vocs afirmam. Eu no nego isso. Mas no assim que o eu realiza o nibbana mais elevado aqui e agora. Como assim? Porque, senhores, os desejos sensuais so impermanentes, insatisfatrios e sujeitos mudana, e da sua mudana e transformao surgem a tristeza, lamentao, dor, angstia e desespero. Mas quando esse eu, afastado dos prazeres sensuais, afastado das qualidades no hbeis, entra e permanece no primeiro jhana, [30] que caracterizado pelo pensamento aplicado e sustentado, com o xtase e felicidade nascidos do afastamento, assim que o eu realiza o nibbana mais elevado aqui e agora.

3.22. [Entendimento Incorreto 60] Outros afirmam: Senhores, h esse eu que vocs afirmam. Mas no assim que o eu realiza o nibbana. Como assim? Porque devido ao pensamento aplicado e sustentado, esse estado considerado grosseiro. Mas quando o eu, abandonando o pensamento aplicado e sustentado, entra e permanece no segundo jhana, que caracterizado pela segurana interna e perfeita unicidade da mente, sem o pensamento aplicado e sustentado, com o xtase e felicidade nascidos da concentrao, assim que o eu realiza o nibbana mais elevado aqui e agora.

3.23. [Entendimento Incorreto 61] Outros afirmam: Senhores, h esse eu que vocs afirmam. Mas no assim que o eu realiza o nibbana. Como assim? Porque devido presena do xtase h a excitao mental, e esse estado considerado grosseiro. Mas quando o eu, abandonando o xtase, entra e permanece no terceiro jhana que caracterizado pela felicidade sem o xtase, acompanhada pela ateno plena, plena conscincia e equanimidade, acerca do qual os nobres declaram: Ele permanece numa estada feliz, equnime e plenamente atento, assim que o eu realiza o nibbana mais elevado aqui e agora.

3.24. [Entendimento Incorreto 62] Outros afirmam: Senhores, h esse eu que vocs afirmam. Eu no nego isso. Mas no assim que o eu realiza o nibbana mais elevado aqui e agora. Como assim? Porque a mente contm a felicidade, e esse estado considerado grosseiro. Mas quando o eu, com o completo desaparecimento da felicidade, entra e permanece no quarto jhana, que possui nem felicidade nem sofrimento, com a ateno plena e a equanimidade purificadas, assim que o eu realiza o nibbana mais elevado aqui e agora. Assim como alguns contemplativos e Brmanes afirmam nibbana aqui e agora para um ser vivo.

3.25. Esses so os cinco modos atravs dos quais alguns contemplativos e Brmanes afirmam nibbana aqui e agora para um ser vivo. Quaisquer contemplativos e Brmanes que afirmem nibbana aqui e agora para um ser vivo, assim o fazem com base em um ou outro desses cinco modos. No h outra forma.

3.26. Isto, bhikkhus, o Tathagata sabe: esses pontos de vista assim formulados e agarrados iro conduzir a tal e qual destino num outro mundo. Isso o Tathagata sabe, e ele sabe muito mais alm disso, mas ele no tem apego por esse conhecimento. E estando assim desapegado ele experimenta a perfeita paz, e tendo compreendido como na verdade a origem e a cessao das sensaes, a gratificao, o perigo e a escapatria das sensaes, o Tathagata est libertado sem restar nenhum resduo.

Essas, bhikkhus, so aquelas outras questes, profundas, difceis de ver e difceis de compreender, pacficas e sublimes, que no podem ser alcanadas atravs do mero raciocnio, sutis, para serem experimentadas pelos sbios, que o Tathagata, tendo visto atravs do conhecimento direto, proclama e com relao s quais, aqueles que com sinceridade elogiam o Tathagata falam da forma correta.

3.27. Esses so os quarenta e quatro modos atravs dos quais alguns contemplativos e Brmanes especulam sobre o futuro, possuem idias acerca do futuro, fazem vrias alegaes doutrinrias em relao ao futuro. Quaisquer contemplativos e Brmanes que especulem sobre o futuro, que possuam idias acerca do futuro, que faam vrias alegaes doutrinrias em relao ao futuro, assim o fazem com base em um ou outro desses quarenta e quatro modos. No h outra forma.

3.28. Isto, bhikkhus, o Tathagata sabe: esses pontos de vista assim formulados e agarrados iro conduzir a tal e qual destino num outro mundo. Isso o Tathagata sabe, e ele sabe muito mais alm disso, mas ele no tem apego por esse conhecimento. E estando assim desapegado ele experimenta a perfeita paz, e tendo compreendido como na verdade a origem e a cessao das sensaes, a gratificao, o perigo e a escapatria das sensaes, o Tathagata est libertado sem restar nenhum resduo.

Essas, bhikkhus, so aquelas outras questes, profundas, difceis de ver e difceis de compreender, pacficas e sublimes, que no podem ser alcanadas atravs do mero raciocnio, sutis, para serem experimentadas pelos sbios, que o Tathagata, tendo visto atravs do conhecimento direto, proclama e com relao s quais, aqueles que com sinceridade elogiam o Tathagata falam da forma correta.

Esses so os sessenta e dois modos atravs dos quais alguns contemplativos e Brmanes que especulam sobre o passado, o futuro, ou ambos, apresentam as suas idias. Quaisquer contemplativos e Brmanes que especulem sobre o passado, o futuro, ou ambos, que apresentem as suas idias, assim o fazem com base em um ou outro desses quarenta e quatro modos. No h outra forma.

3.30. Isto, bhikkhus, o Tathagata sabe: esses pontos de vista assim formulados e agarrados iro conduzir a tal e qual destino num outro mundo. Isso o Tathagata sabe, e ele sabe muito mais alm disso, mas ele no tem apego por esse conhecimento. E estando assim desatado ele experimenta a perfeita paz, e tendo compreendido como na verdade a origem e a cessao das sensaes, a gratificao, o perigo e a escapatria das sensaes, o Tathagata est libertado sem restar nenhum resduo.

3.31. Essas, bhikkhus, so aquelas outras questes, profundas, difceis de ver e difceis de compreender, pacficas e sublimes, que no podem ser alcanadas atravs do mero raciocnio, sutis, para serem experimentadas pelos sbios, que o Tathagata, tendo visto atravs do conhecimento direto, proclama e com relao s quais, aqueles que com sinceridade elogiam o Tathagata falam da forma correta.

[Concluso]

3.32. [Entendimento Incorreto 1-4] Portanto, bhikkhus, quando aqueles que afirmam a eternidade, afirmam a eternidade do eu e do mundo de quatro modos distintos, isso est baseado apenas na sensao daqueles que no sabem e no vem, a preocupao e vacilao daqueles imersos na cobia.

3.33. [Entendimento Incorreto 5-8] Quando aqueles que afirmam em parte a eternidade e em parte a no-eternidade, que afirmam a eternidade parcial e a no-eternidade parcial do eu e do mundo de quatro modos distintos, isso est baseado apenas na sensao daqueles que no sabem e no vem ...

3.34. [Entendimento Incorreto 9-12] Quando aqueles que afirmam a finitude e a infinitude, que afirmam a finitude e a infinitude do mundo de quatro modos distintos, isso est baseado apenas na sensao daqueles que no sabem e no vem ...

3.35. [Entendimento Incorreto 13-16] Quando aqueles que se contorcem como enguias, ao serem questionados sobre este ou aquele assunto, recorrem evaso verbal, contorcendo-se como uma enguia, de quatro modos distintos, isso est baseado apenas na sensao ...

3.36. [Entendimento Incorreto 17-18] Quando aqueles que afirmam a origem fortuita, que afirmam a origem fortuita do eu e do mundo de dois modos distintos, isso est baseado apenas na sensao ...

3.37. [Entendimento Incorreto 1-18] Quando aqueles que especulam sobre o passado, possuem idias acerca do passado, fazem vrias alegaes doutrinrias em relao ao passado de dezoito modos distintos, isso est baseado apenas na sensao daqueles que no sabem e no vem, a preocupao e vacilao daqueles imersos na cobia.

3.38. [Entendimento Incorreto 19-34] Quando aqueles que afirmam a sobrevivncia perceptiva aps a morte, e eles assim o fazem de dezesseis modos distintos, isso est baseado apenas na sensao ...

3.39. [Entendimento Incorreto 35-42] Quando aqueles que afirmam a sobrevivncia no-perceptiva aps a morte, e eles assim o fazem de dezesseis modos distintos, isso est baseado apenas na sensao ...

3.40. [Entendimento Incorreto 43-50] Quando aqueles que afirmam a sobrevivncia nem perceptiva e tampouco no-perceptiva aps a morte, e eles assim o fazem de oito modos distintos, isso est baseado apenas na sensao ...

3.41. [Entendimento Incorreto 51-57] Quando aqueles que afirmam a aniquilao, a destruio e a no existncia dos seres, e eles assim o fazem de sete modos distintos, isso est baseado apenas na sensao ...

3.42. [Entendimento Incorreto 58-62] Quando aqueles que afirmam nibbana aqui e agora para um ser vivo, e eles assim o fazem de cinco modos distintos, isso est baseado apenas na sensao ...

3.43. [Entendimento Incorreto 19-62] Quando aqueles que especulam sobre o futuro, possuem idias acerca do futuro, fazem vrias alegaes doutrinrias em relao ao futuro de quarenta e quatro modos, isso est baseado apenas na sensao daqueles que no sabem e no vem, a preocupao e vacilao daqueles imersos na cobia.

3.44. [Entendimento Incorreto 1 -62] Quando aqueles contemplativos e Brmanes especulam sobre o passado, o futuro, ou ambos, apresentam as suas idias de sessenta e dois modos distintos, isso est baseado apenas na sensao daqueles que no sabem e no vem, a preocupao e vacilao daqueles imersos na cobia .

3.45. Quando aqueles contemplativos e Brmanes que afirmam a eternidade, afirmam a eternidade do eu e do mundo de quatro modos distintos, isso condicionado pelo contato.[31]

3.46. Quando aqueles que afirmam em parte a eternidade e em parte a no-eternidade ...

3.47. Quando aqueles que afirmam a finitude e a infinitude ...

3.48. Quando aqueles que se contorcem como enguias ...

3.49. Quando aqueles que afirmam a origem fortuita ...

3.50. Quando aqueles que especulam sobre o passado ...

3.51. Quando aqueles que afirmam a sobrevivncia perceptiva aps a morte ...

3.52. Quando aqueles que afirmam a sobrevivncia no-perceptiva aps a morte ...

3.53. Quando aqueles que afirmam a sobrevivncia nem perceptiva e tampouco no-perceptiva aps a morte ...

3.54. Quando aqueles que afirmam a aniquilao ...

3.55. Quando aqueles que afirmam nibbana aqui e agora ...

3.56. Quando aqueles que especulam sobre o futuro ...

3.57. Quando aqueles contemplativos e Brmanes que especulam sobre o passado, o futuro, ou ambos, apresentam as suas idias de sessenta e dois modos distintos, isso condicionado pelo contato.

3.58-70. Que todos eles (que afirmam a eternidade e todos os demais) possam experimentar aquela sensao sem o contato impossvel.

3.71. Com relao a todos eles ..., eles experimentam essas sensaes atravs do repetido contato atravs das seis bases dos sentidos; da sensao como condio, o desejo surge; do desejo como condio, o apego; do apego como condio, o ser/existir; do ser/existir como condio, o nascimento; do nascimento como condio, ento o envelhecimento e morte, tristeza, lamentao, dor, angstia e desespero surgem.[32]

Quando, bhikkhus, um bhikkhu compreende como na verdade a origem e a cessao das seis bases do contato, a sua gratificao, perigo e escapatria, ele sabe aquilo que supera todas essas idias.

3.72. Quaisquer contemplativos e Brmanes que especulem sobre o passado, o futuro, ou ambos, tm idias fixas e apresentem as suas idias a esse respeito, todos eles esto aprisionados na rede com essas sessenta e duas divises, e sempre que eles emergem e tentam escapar, eles so capturados e presos nessa rede. Tal qual um hbil pescador, ou o seu aprendiz, cobre uma pequena extenso de gua com uma rede com a malha fina, pensando: Quaisquer criaturas de um certo porte, que estejam nessa gua, sero capturadas nesta rede, aprisionadas e mantidas nesta rede, da mesma forma com relao a todos contemplativos e Brmanes: eles so capturados e presos nessa rede.

3.73. Bhikkhus, o corpo do Tathagata permanece com o vnculo que o atava ao ser/existir cortado. Enquanto o corpo subsistir, devas e humanos o vero. Mas com a dissoluo do corpo e a exausto do tempo de vida, devas e humanos no mais o vero. Bhikkhus, como num galho com um cacho de mangas, todas as mangas tm o mesmo destino do galho se ele for partido, da mesma forma o vnculo do Tathagata com o ser/existir foi partido. Enquanto o corpo subsistir, devas e humanos o vero. Mas com a dissoluo do corpo e a exausto do tempo de vida, devas e humanos no mais o vero ...

3.74. Quando isso foi dito o venervel Ananda disse para o Abenoado: maravilhoso, venervel senhor, admirvel. Qual o nome deste discurso do Dhamma?

Ananda, voc poder se lembrar deste discurso do Dhamma como a Rede Vantajosa, a Rede do Dhamma, a Rede Suprema, a Rede de Idias ou como a Incomparvel Vitria em Batalha.

Isso foi o que disse o Abenoado. Os bhikkhus ficaram satisfeitos e contentes com as palavras do Abenoado. E enquanto esta explicao estava sendo proferida o sistema csmico com dez mil mundos tremeu.

 


 

Notas:

[1] Nalanda, que mais tarde sediou a famosa universidade Budista ficava cerca de 12 km ao norte de Rajagaha,(a moderna Rajgir), a capital de Magadha. [Retorna]

[2] Um discpulo de Sajaya Belatthaputta (veja o DN 2.31). Sariputta e Moggallana, os dois principais discpulos do Buda tambm haviam sido discpulos de Sajaya, e foi a desero deles, alm da perda de renda, que irritou Suppiya. [Retorna]

[3] DA aponta que a prtica da virtude, numa comparao, est subordinada s qualidades superiores, pois a virtude no alcana a excelncia da concentrao, nem a concentrao a excelncia da sabedoria, conforme o verso 28. [Retorna]

[4] Puthujjana: uma pessoa comum que ainda no rompeu os trs primeiros grilhes, (idia da existncia de um eu, dvida, apego a preceitos e rituais), e que portanto ainda no entrou na correnteza. [Retorna]

[5] Este refro repetido em todos os versos que seguem. [Retorna]

[6] Estas idias incorretas esto sumarizadas no verso 3.32. [Retorna]

[7] Isto , no produz nada novo. [Retorna]

[8] Os devas do Abhassara, ou "que emanam radincia," fazem parte do reino da matria sutil, (rupaloka), e escapam da destruio. [Retorna]

[9] Manomaya: criados pela mente, no atravs da relao sexual. Estes seres so devas. [Retorna]

[10] Eles no necessitam de comida pois se alimentam do xtase, (piti), do segundo jhana. [Retorna]

[11] No Budismo, Brahma desfruta de uma posio relativamente humilde e o seu papel como criador explicado. Veja tambm o MN 49.8. [Retorna]

[12] O tempo de vida dos seres fixo em alguns mundos e varivel em outros. O mrito, (pua), a ao benfica sob o ponto de vista de kamma e que conduz a um renascimento favorvel. [Retorna]

[13] Khiddapadosika: estes devas e o grupo que segue so mencionados apenas neste sutta e no DN 20 e 24. Eles ilustram as conseqncias da cobia e raiva at mesmo nesses mundos (relativamente) superiores. [Retorna]

[14] Manopadosika. DA diz que estes devas habitam o mundo dos Quatro Grandes Reis, isto , um mundo acima do mundo humano. [Retorna]

[15] Citta: mente, (ou corao) veja o Glossrio. [Retorna]

[16] Veja o MN 76.30. [Retorna]

[17] Quer seja tendo em vista o treinamento superior ou o renascimento no paraso. [Retorna]

[18] Devido vergonha e o temor de cometer transgresses (hiri-ottappa). Portanto reconhecido que os primeiros trs tipos daqueles que se contorcem como enguias possuem uma conscincia moral. O seu equvoco provem da falta de entendimento no da falta de escrpulos.[Retorna]

[19] O renascimento neste mundo alcanado atravs da percepo desenvolvida nas realizaes meditativas imateriais. [Retorna]

[20] A doutrina dos Ajivikas: veja o DN 2.19-20. [Retorna]

[21] A doutrina dos Jainistas. DA afirma que as outras idias mencionadas esto baseadas em distintas experincias meditativas. [Retorna]

[22] (1) est baseado na experincia de uma existncia num mundo no perceptivo (veja a nota 19), (2) assume que a percepo o eu, (3) assume que os dhammas materiais, ou os materiais e imateriais mais a percepo, sejam o eu, (4) baseado no raciocnio, (5-8) idias provenientes das realizaes meditativas imateriais. [Retorna]

[23] (1) est baseado numa percepo sutil incapaz de realizar sua funo no momento da morte e na conscincia de renascimento. (veja o DN 2 nota 27). O restante igual nota 22. [Retorna]

[24 ] Dibba: derivado da mesma raiz que deva. [Retorna]

[25] Kamavacara: pertencente ao reino da esfera sensual, (kamaloka), o mais inferior dos trs reinos da existncia. [Retorna]

[26] Kabalinkarahara em geral significa comida. Neste caso denota o tipo de alimento do qual subsistem os devas dos mundos paradisacos inferiores. [Retorna]

[27] DA diz que eles crem que a forma divina, (dibbatthabhava), isto , a forma dos devas do reino da esfera sensual, seja o eu. A idia que esse eu sobrevive a dissoluo do corpo fsico durante um certo tempo, (com uma durao no especificada), com a aniquilao ocorrendo na sua cessao. [Retorna]

[28] Produzido pela mente em jhana. [Retorna]

[29] Os quatro que seguem correspondem s quatro realizaes imateriais, ou jhanas imateriais (DN 15.35). [Retorna]

[30] Os vrios jhanas so confundidos com Nibbana. [Retorna]

[31] Phassa, contato, o encontro entre a base sensual interna, (por ex. o olho), a base sensual externa, (por ex. a forma externa), e a respectiva conscincia. O contato a base para a sensao, (vedana). [Retorna]

[32] Esta a primeira exposio parcial da origem dependente, (paticca-samuppada), no Cnone. [Retorna]

 

 

Revisado: 5 Julho 2013

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