Digha Nikaya 2

Samanaphala Sutta

Os Frutos da Vida Contemplativa

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Introduo de Thanissaro Bhikkhu

Este discurso uma das obras primas do Cnone em Pali. O que apresentado um retrato abrangente do mtodo de treinamento Budista, com a ilustrao de cada estgio do treinamento com vvidos smiles. Esse retrato colocado em justaposio com a viso Budista dos ensinamentos de mestres filosficos rivais da poca, mostrando como o Buda - contrariamente abordagem inflexvel e sectria dos seus contemporneos - apresenta os seus ensinamentos de uma forma que pertinente e sensvel s necessidades dos seus ouvintes. Esse retrato mais amplo do contexto intelectual da ndia nesse perodo inicial do Budismo ento apresentado como uma narrativa: a triste histria do rei Ajatasattu.

Ajatasattu era o filho do rei Bimbisara de Magadha, um dos primeiros discpulos do Buda. Encorajado por Devadatta - o primo do Buda, que queria usar o apoio de Ajatasattu na sua tentativa de tomar a posio do Buda como chefe da Sangha - Ajatasattu organizou a morte do prprio pai de forma que ele pudesse assegurar sua prpria subida ao trono. Como resultado dessa m ao, ele estava destinado a no somente ser morto por seu prprio filho - Udayibhadda (mencionado no discurso) - mas tambm de imediatamente renascer em uma das regies inferiores do inferno.

Neste discurso, Ajatasattu visita o Buda na esperana de que este possa trazer um pouco de paz para a sua mente. A questo que ele coloca para o Buda mostra o limitado nvel do seu prprio entendimento, dessa forma o Buda pacientemente descreve os passos do treinamento, comeando pelo nvel mais bsico e gradualmente evoluindo, como uma forma de ampliar o horizonte espiritual do rei. Ao final do discurso, Ajatasattu toma refgio na Jia Trplice. Embora as aes praticadas anteriormente eram to pesadas que essa expresso de f poderia ter uma conseqncia apenas limitada no presente imediato, o comentrio assegura que a histria do rei acabaria tendo um final feliz. Aps a morte do Buda, ele patrocinou o Primeiro Conclio, no qual um congresso de arahants produziu o primeiro conjunto padronizado dos ensinamentos do Buda. Como resultado do mrito proveniente desse ato, Ajatasattu estava destinado - aps a sua libertao do inferno - a alcanar a Iluminao como um Paccekabuddha.

 


 

1. Assim ouvi. Em certa ocasio o Abenoado estava em Rajagaha, no manguezal de Jivaka Komarabhacca [1]com uma grande Sangha de bhikkhus - 1.250 bhikkhus no total. Agora naquela ocasio, sendo o Uposatha do dcimo quinto dia [2], a noite de lua cheia no quarto ms[3], chamado Komudi [4] - o rei Ajatasattu Vedehiputta de Magadha [5], estava sentado no terrao no topo do seu palcio cercado pelos seus ministros. Ento ele sentiu inspirao para exclamar: Que maravilhosa esta noite iluminada pela lua! Que bonita ... Que agradvel ... Que inspiradora ... Que auspiciosa esta noite iluminada pela lua! Qual brmane ou contemplativo deveramos visitar esta noite que possa iluminar e trazer paz para os nossos coraes? [6]

2. Quando isto foi dito, um dos ministros disse ao rei: Majestade, a est Purana Kassapa, o lder de uma comunidade, o lder de um grupo, o mestre de um grupo, honrado e famoso, estimado como santo pelas pessoas. Ele idoso, adotou a vida santa h muito tempo, com a idade avanada, na sua ltima fase da vida. Voc deveria visit-lo. Talvez, se voc o visitasse, ele pudesse iluminar e trazer paz para o seu corao. Quando isso foi dito, o rei permaneceu em silncio.

3-7. Ento um outro ministro disse ao rei: Majestade, a est Makkhali Gosala ... Majestade, a est Ajita Kesakambala ... Majestade, a est Pakudha Kaccayana ... Majestade, a est Sajaya Belatthaputta ... Majestade, a est Nigantha Nataputta, o lder de uma comunidade, o lder de um grupo, o mestre de um grupo, honrado e famoso, estimado como santo pelas pessoas. Ele idoso, adotou a vida santa h muito tempo, com a idade avanada, na sua ltima fase da vida. Voc deveria visit-lo. Talvez, se voc o visitasse, ele pudesse iluminar e trazer paz para o seu corao. Quando isso foi dito, o rei permaneceu em silncio.

8. Todo esse tempo Jivaka Komarabhacca estava sentado em silncio no muito distante do rei. Assim o rei lhe disse: Amigo Jivaka, por que voc esta silencioso?

Majestade, a est o Abenoado, o Arahant, o Buda perfeitamente iluminado, ele est no meu manguezal com uma grande Sangha de bhikkhus - 1.250 no total. E acerca desse mestre Gotama existe essa boa reputao: Esse Abenoado um arahant, perfeitamente iluminado, consumado no verdadeiro conhecimento e conduta, bem-aventurado, conhecedor dos mundos, um lder insupervel de pessoas preparadas para serem treinadas, [7] mestre de devas e humanos, desperto, sublime. Voc deveria visit-lo. Talvez se voc o visitasse, ele pudesse iluminar e trazer paz para o seu corao.

Ento nesse caso, amigo Jivaka, prepare os elefantes de montaria.

9. Tendo respondido, Assim seja, majestade, e aps preparar quinhentas elefantas bem como o elefante pessoal do rei, Jivaka anunciou para o rei: Majestade, os elefantes de montaria esto preparados. Faa como julgar adequado.

Ento o rei, tendo quinhentas das suas mulheres montadas nas quinhentas elefantas - uma em cada - e tendo montado o seu elefante real, saiu de Rajagaha com toda a pompa da realeza, com criados carregando tochas, na direo do manguezal de Jivaka Komarabhacca.

10. Porm quando o rei estava no muito distante do manguezal, ele foi tomado pelo medo, terror, o seu cabelo em p. Temeroso, agitado, seu cabelo em p, ele disse para Jivaka Komarabhacca: Amigo Jivaka, voc no est me enganando, est? Voc no est me traindo, est? Voc no est me entregando para meus inimigos, est? Como pode haver uma comunidade de bhikkhus to grande - 1.250 no total - sem nenhum rudo de espirros, nenhum rudo de tosse, sem qualquer rudo de vozes?

No tema, grande rei. No tema. Eu no o estou enganando ou traindo ou entregando aos seus inimigos. V em frente, grande rei, v em frente! Aquelas so lmpadas ardendo no pavilho.

11. Ento o rei foi at onde a estrada permitia o acesso dos elefantes e depois desmontou e se aproximou da porta do pavilho a p. Chegando, ele perguntou a Jivaka: Aonde, amigo Jivaka, est o Abenoado?

Aquele o Abenoado, grande rei, sentado contra o pilar do meio, cercado pela comunidade de bhikkhus.

12. Ento o rei se aproximou do Abenoado e permaneceu em p a um lado. Enquanto estava ali em p - inspecionando a comunidade de bhikkhus sentada em absoluto silncio, calma como um lago - ele se sentiu inspirado para exclamar: Que o meu filho, Prncipe Udayibhadda, desfrute da mesma paz que esta comunidade de bhikkhus agora desfruta!"

[O Abenoado disse:] Voc veio, grande rei, junto com aqueles por quem voc tem afeto?

Venervel senhor, meu filho, Prncipe Udayibhadda,[8] muito querido. Que ele desfrute a mesma paz que esta comunidade de bhikkhus agora desfruta!

13. Ento, curvando-se ante o Abenoado, e saudando a comunidade de bhikkhus com as suas mos postas, ele sentou a um lado e disse para o Abenoado: Eu gostaria de perguntar ao Abenoado acerca de um certo assunto, se ele me desse a oportunidade de explicar minha questo.

Pergunte, grande rei, o que voc quiser.

(A Pergunta do Rei)

14. Venervel senhor, existem estes especialistas: treinadores de elefantes, treinadores de cavalos, condutores de carruagens, arqueiros, porta-estandartes, marechais de campo, oficiais do grupo de abastecimento, oficiais reais de alto escalo, comandos, heris militares, guerreiros com armaduras, guerreiros com vestimentas de couro, escravos domsticos, confeiteiros, barbeiros, banhistas, cozinheiros, arteses de grinaldas, lavadeiras, teceles, cesteiros, oleiros, aritmticos, contadores, e qualquer outro especialista semelhante. Eles vivem dos frutos do seu ofcio, visveis no aqui e agora. Eles mantm a si mesmos e aos seus pais, esposa e filhos, amigos e colegas, com conforto e felicidade. Eles do excelentes oferendas, para brmanes e contemplativos, que os conduzem ao paraso, contribuem para a sua felicidade, tm a bem-aventurana como resultado. possvel, venervel senhor, apontar um fruto similar da vida contemplativa, visvel no aqui e agora?

15. Voc se recorda, grande rei, de alguma vez ter perguntado isto a outros brmanes ou contemplativos?

Sim, eu me lembro.

Se no for um problema para voc, como eles responderam?

No, no um problema responder ao Abenoado, ou algum como o Abenoado.

Ento fale, grande rei.

16. Certa vez, venervel senhor eu fui at Purana Kassapa [9] e, chegando, nos cumprimentamos. Aps a troca de saudaes amigveis e corteses, sentei a um lado e perguntei: Venervel Kassapa, existem estes especialistas ... Eles vivem dos frutos do seu trabalho, visvel no aqui e agora ... possvel, venervel senhor, apontar um fruto similar da vida contemplativa, visvel no aqui e agora?

17. Quando isto foi dito, Purana Kassapa me disse, Grande rei, agindo ou fazendo com que outros ajam, mutilando ou fazendo com que outros mutilem, torturando ou fazendo com que outros torturem, causando sofrimento ou fazendo com que outros causem sofrimento, atormentando ou fazendo com que outros atormentem, intimidando ou fazendo com que outros intimidem, matando, tomando o que no dado, arrombando casas, pilhando riquezas, roubando, emboscando nas estradas, cometendo adultrio, dizendo mentiras - a pessoa no faz o mal. Se com uma lmina afiada como uma navalha algum convertesse todos os seres vivos sobre a terra em um nico amontoado de carne, uma nica pilha de carne, no haveria mal por essa causa, nenhum resultado do mal. Mesmo se algum fosse ao longo da margem direita do rio Ganges, matando e fazendo com que outros matem, mutilando e fazendo com que outros mutilem, torturando e fazendo com que outros torturem, no haveria mal por essa causa, nenhum resultado do mal. Mesmo se algum fosse ao longo da margem esquerda do rio Ganges, dando oferendas e fazendo com que outros dem oferendas, por causa disso no haveria mrito e nenhum resultado do mrito. Atravs da generosidade, do autocontrole, da conteno e dizendo a verdade no h mrito por essa causa, nenhum resultado do mrito.

18. Dessa forma, quando questionado acerca do fruto da vida contemplativa, visvel no aqui e agora, Purana Kassapa respondeu com a sua teoria da no ao. Tal como se uma pessoa, perguntada a respeito de manga, respondesse com uma fruta po; ou quando perguntada a respeito da fruta po, respondesse com uma manga: da mesma forma, quando perguntado a respeito do fruto da vida contemplativa, visvel no aqui e agora, Purana Kassapa respondeu com a sua teoria da no ao. O pensamento me ocorreu: Como pode uma pessoa como eu pensar em menosprezar um brmane ou contemplativo que viva no meu reino? [10] No entanto eu no concordei e tampouco critiquei as palavras de Purana Kassapa. Assim sem concordar nem criticar o que ele disse, e embora estivesse insatisfeito, sem expressar a minha insatisfao, sem aceitar nem rejeitar o seu ensinamento, eu levantei do meu assento e parti.

(Purificao atravs do samsara)

19. Em uma outra ocasio eu fui at Makkhali Gosala [11] e, chegando, nos cumprimentamos. Aps a troca de saudaes amigveis e corteses, sentei a um lado e lhe perguntei: Venervel Gosala, existem estes especialistas ... Eles vivem dos frutos do seu trabalho, visvel no aqui e agora ... possvel, venervel senhor, apontar um fruto similar da vida contemplativa, visvel no aqui e agora?

20. Quando isto foi dito, Makkhali Gosala me disse, Grande rei, no existem causas e condies[12] para a contaminao dos seres. Os seres so contaminados sem causas e condies. No h causas e condies para a purificao dos seres. Os seres so purificados sem causas e condies. A realizao de uma dada condio, de qualquer carter, no depende quer seja das prprias aes, ou das aes dos outros, ou do esforo humano. No h tal coisa como o poder ou energia, nem o poder humano ou a energia humana. Todos os animais, todas as criaturas, todos os seres, todas as almas, no tm fora, poder e energia por si mesmos. Eles se inclinam nesta ou naquela direo de acordo com o seu destino, moldado de acordo com as circunstncias e natureza da classe qual pertencem, de acordo com a sua respectiva natureza: e de acordo com a sua posio numa dessas seis classes que eles experimentam o prazer e a dor.

Existem 1.400.000 tipos principais de nascimento, 6.000 outros, e mais 600; existem 500 tipos de kamma,[13] ou 5 tipos [14]e 3 tipos,[15] e meio kamma [16]; existem 62 caminhos (modos de conduta), 62 ciclos csmicos intermedirios, 6 classes (diferenas entre os seres humanos), 8 estgios na existncia humana, 4.900 ocupaes, 4.900 tipos de errantes, 4.900 moradas dos Nagas,[17] 2.000 existncias sencientes, 3.000 infernos, 36 lugares com poeira, 7 classes de renascimento de seres com conscincia, 7 sem conscincia, 7 classes de seres livres dos grilhes, 7 tipos de divindades, 7 tipos de seres humanos, 7 tipos de demnios, 7 lagos, 7 ns, 7 grandes e 7 pequenos precipcios, 7 grandes e 7 pequenos tipos de sonhos.

Existem 8 milhes e 400 mil grandes ciclos csmicos durante os quais, ambos os sbios e os tolos, transmigrando e perambulando atravs do ciclo de renascimentos daro um fim ao sofrimento da mesma forma. Embora os sbios aspirem: Atravs desta virtude ou observncia ou ascetismo ou desta vida santa eu amadurecerei o kamma que no est maduro e aniquilarei o kamma amadurecido na medida em que ele surgir. [18] Embora os tolos tenham a mesma aspirao, nenhum deles ser capaz de fazer isso. O prazer e a dor so repartidos e no podem ser alterados ao longo da transmigrao, no pode haver o seu incremento nem a sua diminuio, no h excesso nem falta. Tal como uma bola de linha, quando arremessada, chega ao seu fim simplesmente desenrolando, da mesma forma, tendo transmigrado e perambulado atravs do ciclo de renascimentos, durante o tempo determinado, e somente depois disso, ambos os sbios e os tolos daro um fim ao sofrimento.

21. Dessa forma, quando questionado acerca do fruto da vida contemplativa, visvel no aqui e agora, Makkhali Gosala respondeu com a sua teoria da purificao atravs da perambulao. Tal como se uma pessoa, perguntada a respeito de manga, respondesse com uma fruta po; ou quando perguntada a respeito da fruta po, respondesse com uma manga: da mesma forma, quando perguntado a respeito do fruto da vida contemplativa, visvel no aqui e agora, Makkhali Gosala respondeu com a sua teoria da purificao atravs da perambulao. O pensamento me ocorreu: Como pode uma pessoa como eu pensar em menosprezar um brmane ou contemplativo que viva no meu reino? No entanto eu no concordei e tampouco critiquei as palavras de Makkhali Gosala. Assim sem concordar nem criticar o que ele disse, e embora estivesse insatisfeito, sem expressar a minha insatisfao, sem aceitar nem rejeitar o seu ensinamento, eu levantei do meu assento e parti.

(Aniquilao)

22. Em uma outra ocasio eu fui at Ajita Kesakambala [19] e, chegando, nos cumprimentamos. Aps a troca de saudaes amigveis e corteses, sentei a um lado e lhe perguntei: Venervel Ajita, existem estes especialistas ... Eles vivem dos frutos do seu trabalho, visvel no aqui e agora ... possvel, venervel senhor, apontar um fruto similar da vida contemplativa, visvel no aqui e agora?

23. Quando isso foi dito, Ajita Kesakambala me disse, Grande rei, no existe nada que dado, nada que oferecido, nada que sacrificado; no existe fruto ou resultado de aes boas ou ms; no existe este mundo nem outro mundo; no existe me, nem pai; nenhum ser que renasa espontaneamente; no existem no mundo brmanes nem contemplativos bons e virtuosos que, aps terem conhecido e compreendido diretamente por eles mesmos, proclamam este mundo e o prximo. [20] Uma pessoa consiste dos quatro grandes elementos. Quando ela morre, a terra retorna e vai para o corpo da terra, a gua retorna e vai para o corpo da gua, o fogo retorna e vai para o corpo do fogo, o ar retorna e vai para o corpo do ar; as faculdades so transferidas para o espao. Quatro homens com o atade como quinto levam o corpo embora. As oraes funerrias duram at chegar no cemitrio; os ossos branqueiam; as oferendas queimadas terminam como cinzas. A generosidade uma doutrina dos tolos. Qualquer um que afirme uma doutrina de que a generosidade existe, isso vazio, falsa tagarelice. Tolos e sbios so da mesma forma extintos e aniquilados com a dissoluo do corpo; depois da morte eles no existem.

24. Dessa forma, quando questionado acerca do fruto da vida contemplativa, visvel no aqui e agora, Ajita Kesakambala respondeu com a sua teoria da aniquilao. Tal como se uma pessoa, perguntada a respeito de manga, respondesse com uma fruta po; ou quando perguntada a respeito da fruta po, respondesse com uma manga: da mesma forma, quando perguntado a respeito do fruto da vida contemplativa, visvel no aqui e agora, Ajita Kesakambala respondeu com a sua teoria da aniquilao. O pensamento me ocorreu: Como pode uma pessoa como eu pensar em menosprezar um brmane ou contemplativo que viva no meu reino? No entanto eu no concordei e tampouco critiquei as palavras de Ajita Kesakambala. Assim sem concordar nem criticar o que ele disse, e embora estivesse insatisfeito, sem expressar a minha insatisfao, sem aceitar nem rejeitar o seu ensinamento, eu levantei do meu assento e parti.

(No relao)

25. Em uma outra ocasio eu fui at Pakudha Kaccayana [21] e, chegando, nos cumprimentamos. Aps a troca de saudaes amigveis e corteses, sentei a um lado e lhe perguntei: Venervel Kaccayana, existem estes especialistas ... Eles vivem dos frutos do seu trabalho, visvel no aqui e agora ... possvel, venervel senhor, apontar um fruto similar da vida contemplativa, visvel no aqui e agora?

26. Quando isto foi dito, Pakudha Kaccayana me disse, Grande rei, existem esses sete elementos - no feitos, no causados, no criados, sem um criador, estreis como o pico de uma montanha, plantados firmes como um pilar - que no se alteram, no mudam, no interferem uns com os outros, so incapazes de causar um ao outro o prazer, a dor, ou ambos. Quais sete? O elemento terra, o elemento gua, o elemento fogo, o elemento ar, prazer, dor e alma como stimo. Esses so os sete elementos no feitos, no causados, no criados, sem um criador, estreis como o pico de uma montanha, plantados firmes como um pilar que no se alteram, no mudam, no interferem uns com os outros, so incapazes de causar um ao outro o prazer, a dor, ou ambos. Portanto no h matador ou morto, ouvinte ou falante, conhecedor ou explicador. Quando algum com uma espada afiada corta a cabea de outra pessoa, no tirada a vida de ningum, a espada simplesmente passa no espao entre os sete elementos.

27. Portanto, quando questionado acerca do fruto da vida contemplativa, visvel no aqui e agora, Pakudha Kaccayana respondeu com a sua teoria da no relao. Tal como se uma pessoa, perguntada a respeito de manga, respondesse com uma fruta po; ou quando perguntada a respeito da fruta po, respondesse com uma manga: da mesma forma, quando perguntado a respeito do fruto da vida contemplativa, visvel no aqui e agora, Pakudha Kaccayana respondeu com a sua teoria da no relao. O pensamento me ocorreu: Como pode uma pessoa como eu pensar em menosprezar um brmane ou contemplativo que viva no meu reino? No entanto eu no concordei e tampouco critiquei as palavras de Pakudha Kaccayana. Assim sem concordar nem criticar o que ele disse, e embora estivesse insatisfeito, sem expressar a minha insatisfao, sem aceitar nem rejeitar o seu ensinamento, eu levantei do meu assento e parti.

(Conteno de Quatro Modos)

28. Em uma outra ocasio eu fui at Nigantha Nataputta [22] e, chegando, nos cumprimentamos. Aps a troca de saudaes amigveis e corteses, sentei a um lado e lhe perguntei: Venervel Aggivessana, existem estes especialistas ... Eles vivem dos frutos do seu trabalho, visvel no aqui e agora ... possvel, venervel senhor, apontar um fruto similar da vida contemplativa, visvel no aqui e agora?

29. Quando isto foi dito, Nigantha Nataputta me disse, Grande rei, o caso que o Nigantha contido com quatro controles. E como o Nigantha contido com quatro controles? o caso em que o Nigantha coibido por todas as coibies, sujeitado por todas as coibies, purificado por todas as coibies e demandado por todas as coibies.[23] Assim como o Nigantha contido com quatro controles. Quando o Nigantha contido com esses quatro controles, se diz que ele algum livre de grilhes (Nigantha), um filho de Nata (Nataputta), com o seu eu aperfeioado, seu eu controlado, seu eu estabelecido.

30. Dessa forma, quando questionado acerca do fruto da vida contemplativa, visvel no aqui e agora, Nigantha Nataputta respondeu com a sua teoria da conteno de quatro modos. Tal como se uma pessoa, perguntada a respeito de manga, respondesse com uma fruta po; ou quando perguntada a respeito da fruta po, respondesse com uma manga: da mesma forma, quando perguntado a respeito do fruto da vida contemplativa, visvel no aqui e agora, Nigantha Nataputta respondeu com a sua teoria da conteno de quatro modos. O pensamento me ocorreu: Como pode uma pessoa como eu pensar em menosprezar um brmane ou contemplativo que viva no meu reino? No entanto eu no concordei e tampouco critiquei as palavras de Nigantha Nataputta. Assim sem concordar nem criticar o que ele disse, e embora estivesse insatisfeito, sem expressar a minha insatisfao, sem aceitar nem rejeitar o seu ensinamento, eu levantei do meu assento e parti.

(Evaso)

31. Em uma outra ocasio eu fui at Sajaya Belatthaputta e, chegando, nos cumprimentamos. Aps a troca de saudaes amigveis e corteses, sentei a um lado e lhe perguntei: Venervel Sajaya, existem estes especialistas ... Eles vivem dos frutos do seu trabalho, visvel no aqui e agora ... possvel, venervel senhor, apontar um fruto similar da vida contemplativa, visvel no aqui e agora?

32. Quando isto foi dito, Sajaya Belatthaputta me disse, Se voc me perguntasse se existe um outro mundo (aps a morte), se eu pensasse que existe um outro mundo, eu o declararia para voc? Eu no creio. Eu no penso dessa forma. Eu no penso de outra forma. Eu no penso que no. Eu no penso que no no. Se voc me perguntasse se no h um outro mundo ... ambos h e no h ... nem h, nem no h ... se existem seres que transmigram ... se no existem ... ambos existem e no ... nem existem, nem no ... se o Tathagata existe aps a morte ... no existe ... ambos ... nem existe, nem no existe aps a morte, eu o declararia para voc? Eu no creio. Eu no penso dessa forma. Eu no penso de outra forma. Eu no penso que no. Eu no penso que no no.

33. Dessa forma, quando questionado acerca do fruto da vida contemplativa, visvel no aqui e agora, Sajaya Belatthaputta respondeu com a evaso. Tal como se uma pessoa, perguntada a respeito de manga, respondesse com uma fruta po; ou quando perguntada a respeito da fruta po, respondesse com uma manga: da mesma forma, quando perguntado a respeito do fruto da vida contemplativa, visvel no aqui e agora, Sajaya Belatthaputta respondeu com a evaso. O pensamento me ocorreu: esse entre esses brmanes e contemplativos o mais tolo e confuso de todos. Como pode ele, quando perguntado sobre o fruto da vida contemplativa, visvel no aqui e agora, responder com a evaso? E novamente o pensamento me ocorreu: Como pode uma pessoa como eu pensar em menosprezar um brmane ou contemplativo que viva no meu reino?' No entanto eu no concordei e tampouco critiquei as palavras de Sajaya Belatthaputta. Assim sem concordar nem criticar o que ele disse, e embora estivesse insatisfeito, sem expressar a minha insatisfao, sem aceitar nem rejeitar o seu ensinamento, eu levantei do meu assento e parti.

(O Primeiro Fruto Visvel da Vida Contemplativa)

34. Dessa forma, venervel senhor, eu tambm pergunto ao Abenoado. Existem estes especialistas: treinadores de elefantes, treinadores de cavalos, condutores de carruagens, arqueiros, porta-estandartes, marechais de campo, oficiais do grupo de abastecimento, oficiais reais de alto escalo, comandos, heris militares, guerreiros com armaduras, guerreiros com vestimentas de couro, escravos domsticos, confeiteiros, barbeiros, banhistas, cozinheiros, arteses de grinaldas, lavadeiras, teceles, cesteiros, oleiros, aritmticos, contadores, e qualquer outro especialista semelhante. Eles vivem dos frutos do seu ofcio, visveis no aqui e agora. Eles mantm a si mesmos e aos seus pais, esposa e filhos, amigos e colegas, com conforto e felicidade. Eles do excelentes oferendas, para brmanes e contemplativos, que os conduzem ao paraso, contribuem para a sua felicidade, tm a bem-aventurana como resultado. possvel, venervel senhor, apontar um fruto similar da vida contemplativa, visvel no aqui e agora?

Sim, possvel, grande rei. Porm, primeiro, em relao a isso, eu lhe farei uma contra pergunta. Responda como quiser.

35. Suponha que houvesse um homem: seu escravo, seu trabalhador, levantando-se pela manh antes de voc, indo para a cama noite somente depois de voc, fazendo tudo que voc ordene, sempre agindo para agrad-lo, dirigindo-lhe a palavra com cortesia, sempre atento ao seu semblante. Ele poderia pensar: Isto no maravilhoso? Isto no admirvel? - a conseqncia, o resultado, de aes meritrias![24] Pois este rei Ajatasattu um ser humano, e eu, tambm sou um ser humano, no entanto o rei Ajatasattu goza, provido e dotado, dos cinco elementos do prazer sensual - como se uma divindade fosse - enquanto que eu sou seu escravo, seu trabalhador ... sempre atento ao seu semblante. Eu tambm deveria praticar aes meritrias. E se eu raspasse meu cabelo e minha barba, vestisse os mantos de cor ocre e seguisse a vida santa?

Assim aps algum tempo ele raspa o seu cabelo e barba, veste o manto de cor ocre e segue a vida santa. Vivendo a vida santa dessa forma ele vive com controle sobre o corpo, linguagem e mente, satisfeito com a comida e moradia mais simples, sentindo prazer no isolamento. Ento suponha que um dos seus homens lhe informe: Majestade, voc deve saber, que um dos seus homens - seu escravo, seu trabalhador ... sempre atento ao seu semblante ... seguiu a vida santa ... satisfeito com a comida e moradia mais simples, sentindo prazer no isolamento. Tendo sido informado dessa forma, voc diria, Traga-me esse homem de volta. Faam-no novamente meu escravo, meu trabalhador ... sempre atento ao meu semblante!?

36. De forma nenhuma, venervel senhor. Ao invs disso, sou eu quem deveria me curvar ante ele, levantar-me por respeito a ele, convid-lo a sentar, convid-lo a aceitar oferendas de mantos, alimentos, moradia e medicamentos. E eu lhe proveria guarda, defesa e proteo.

Ento o que voc pensa, grande rei. Sendo esse o caso, existe um fruto visvel da vida contemplativa, ou no existe?

Sim, venervel senhor. Sendo esse o caso, certamente existe um fruto visvel da vida contemplativa.

Este, grande rei, o primeiro fruto da vida contemplativa, visvel no aqui e agora, que eu lhe aponto.

(O Segundo Fruto Visvel da Vida Contemplativa)

37. Porm, possvel, venervel senhor, apontar mais um fruto da vida contemplativa, visvel no aqui e agora?

Sim, possvel, grande rei. Mas, primeiro, em relao a isso, eu lhe farei uma contra pergunta. Responda como quiser. Suponha que houvesse um homem: um lavrador, um chefe de famlia, um pagante de tributos inchando o tesouro real. Ele poderia pensar: Isto no maravilhoso? Isto no admirvel? - a conseqncia, o resultado, de aes meritrias. Pois este rei Ajatasattu um ser humano, e eu, tambm sou um ser humano, no entanto o rei Ajatasattu goza, provido e dotado, dos cinco elementos do prazer sensual - como se uma divindade fosse - enquanto que eu sou um lavrador, um chefe de famlia, um pagante de tributos inchando o tesouro real. Eu tambm deveria praticar aes meritrias. E se eu raspasse meu cabelo e minha barba, vestisse os mantos de cor ocre e seguisse a vida santa?

Assim aps algum tempo ele abandona a sua fortuna, grande ou pequena; deixa o seu crculo de parentes, grande ou pequeno; raspa o seu cabelo e barba, veste o manto de cor ocre e segue a vida santa. Vivendo a vida santa dessa forma ele vive com controle sobre o corpo, linguagem e mente, satisfeito com a comida e moradia mais simples, sentindo prazer no isolamento. Ento suponha que um dos seus homens lhe informe: Majestade, voc deve saber, que um dos seus homens - seu lavrador, seu chefe de famlia, seu pagante de tributos inchando o tesouro real ... seguiu a vida santa ... satisfeito com a comida e moradia mais simples, sentindo prazer no isolamento. Tendo sido informado dessa forma, voc diria, Traga-me esse homem de volta. Faam-no novamente um lavrador, um chefe de famlia, um pagante de tributos inchando o tesouro real!?

38. De forma nenhuma, venervel senhor. Ao invs disso, sou eu quem deveria me curvar ante ele, levantar-me por respeito a ele, convid-lo a sentar, convid-lo a aceitar oferendas de mantos, alimentos, moradia, e medicamentos. E eu lhe proveria guarda, defesa, e proteo.

Ento o que voc pensa, grande rei. Sendo esse o caso, existe um fruto visvel da vida contemplativa, ou no existe?

Sim, venervel senhor. Sendo esse o caso, certamente existe um fruto visvel da vida contemplativa.

Este, grande rei, o segundo fruto da vida contemplativa, visvel no aqui e agora, que eu lhe aponto.

(Frutos Mais Elevados da Vida Contemplativa)

39. Mas possvel, venervel senhor, apontar mais um fruto da vida contemplativa, visvel no aqui e agora?

Sim, possvel, grande rei. Oua e preste muita ateno.

40. o caso, grande rei, que um Tathagata surge no mundo, um arahant, Perfeitamente Iluminado, consumado no verdadeiro conhecimento e conduta, bem-aventurado, conhecedor dos mundos, um lder insupervel de pessoas preparadas para serem treinadas, mestre de devas e humanos, desperto, sublime. Ele declara - tendo realizado por si prprio com o conhecimento direto - este mundo com os seus devas, maras e brahmas, esta populao com seus contemplativos e brmanes, seus prncipes e povo. Ele ensina o Dhamma, com o significado e fraseado corretos, que admirvel no incio, admirvel no meio, admirvel no final; e ele revela uma vida santa que completamente perfeita e imaculada.

41. Um chefe de famlia ou o filho de um chefe de famlia ou algum nascido em algum outro cl ouve o Dhamma. Ouvindo o Dhamma ele adquire convico no Tathagata. Possuindo essa f ele reflete da seguinte forma: 'A vida em famlia confinada, um caminho empoeirado; a vida santa como o ar livre. No fcil viver em casa e praticar a vida santa completamente perfeita, totalmente pura, como uma concha polida. E se eu raspasse o meu cabelo e barba, vestisse os mantos de cor ocre e seguisse a vida santa.' Ento aps algum tempo ele abandona a sua fortuna, grande ou pequena; deixa o seu crculo de parentes, grande ou pequeno; raspa o seu cabelo e barba, veste o manto de cor ocre e segue a vida santa.

42. Vivendo a vida santa, ele vive contido pelas regras do Patimokkha, perfeito na conduta e na sua esfera de atividades, temendo a menor falha. Consumado em virtude, ele guarda as portas dos meios dos sentidos, possui ateno plena e plena conscincia, e est satisfeito.

(A Pequena Seo sobre a Virtude)

43-62. E como um bhikkhu consumado em virtude? Abandonando tirar a vida de outros seres, ele se abstm de tirar a vida de outros seres; ele permanece com a sua vara e arma postas de lado, bondoso e gentil, compassivo com todos os seres vivos. Isto parte da sua virtude.

Abandonando tomar o que no seja dado, ele se abstm de tomar o que no dado; tomando somente aquilo que dado, aceitando somente aquilo que dado, no roubando ele permanece puro. Isto, tambm, parte da sua virtude.

Abandonando o no celibato, ele vive uma vida celibatria, vive separado, abstendo-se da prtica vulgar do ato sexual. Isto, tambm, parte da sua virtude.

Abandonando a linguagem mentirosa, ele se abstm da linguagem mentirosa. Ele fala a verdade, mantm a verdade, firme e confivel, no um enganador do mundo. Isto, tambm, parte da sua virtude.

Abandonando a linguagem maliciosa, ele se abstm da linguagem maliciosa. O que ele ouviu aqui ele no conta ali para separar aquelas pessoas destas. O que ele ouviu l ele no conta aqui para separar estas pessoas daquelas. Assim ele reconcilia aquelas pessoas que esto divididas, promove a amizade, ele ama a concrdia, se delicia com a concrdia, desfruta da concrdia, diz coisas que criam a concrdia. Isto, tambm, parte da sua virtude.

Abandonando a linguagem grosseira, ele se abstm da linguagem grosseira. Ele diz palavras que so gentis, que agradam aos ouvidos, carinhosas, que penetram o corao, que so corteses, desejadas por muitos e que agradam a muitos. Isto, tambm, parte da sua virtude.

Abandonando a linguagem frvola, ele se abstm da linguagem frvola. Ele fala na hora certa, diz o que fato, aquilo que bom, fala de acordo com o Dhamma e a Disciplina; nas horas adequadas ele diz palavras que so teis, racionais, moderadas e que trazem benefcio. Isto, tambm, parte da sua virtude.

Ele se abstm de danificar sementes e plantas.

Ele come somente uma vez ao dia, privando-se da refeio noturna e de alimentos nas horas incorretas.

Ele se abstm de danar, cantar, ouvir msica e de ver espetculos de entretenimento.

Ele se abstm de usar ornamentos, usar perfumes e de embelezar o corpo com cosmticos.

Ele se abstm de deitar em leitos elevados e luxuosos.

Ele se abstm de aceitar ouro e dinheiro.

Ele se abstm de aceitar gros que no estejam cozidos ... carne crua ... mulheres e garotas ... escravos e escravas ... cabras e ovelhas ... aves e porcos ... elefantes, gado, cavalos e guas ... terras e propriedades.

Ele se abstm de fazer pequenas tarefas e levar mensagens ... de comprar e vender ... de lidar com balanas falsas, metais falsos, falsas medidas ... do suborno, burla e fraude.

Ele se abstm de mutilar, executar, aprisionar, roubar, pilhar e violentar.

Isto, tambm, parte da sua virtude.

(A Seo Intermediria sobre a Virtude)

Enquanto que alguns brmanes e contemplativos, vivendo de alimentos dados em boa f, esto habituados a danificar sementes e plantas tais como estas - plantas que se propagam pelas razes, caules, juntas, germinaes, e sementes - ele se abstm de danificar sementes e plantas tais como essas. Isto, tambm, parte da sua virtude.

Enquanto que alguns brmanes e contemplativos, vivendo de alimentos dados em boa f, esto habituados a consumir mercadorias armazenadas tais como estas - comida armazenada, bebidas armazenadas, roupas armazenadas, veculos armazenados, roupas de cama armazenadas, perfumes armazenados, carne armazenada - ele se abstm de consumir mercadorias armazenadas como esssas. Isto, tambm, parte da sua virtude.

Enquanto que alguns brmanes e contemplativos, vivendo de alimentos dados em boa f, esto habituados a assistir espetculos tais como estes danas, canto, instrumentos musicais, recitaes de baladas, bater palmas, cmbalos e tambores, cenas pintadas, truques acrobticos e de splicas, luta de elefantes, luta de cavalos, luta de bfalos, touradas, luta de bodes, luta de carneiros, briga de galos, luta de codornas; luta com paus, boxe, luta livre, jogos de guerra, listas de chamada, planos de batalha, e paradas militares ele se abstm de assistir espetculos como esses. Isto, tambm, parte da sua virtude.

Enquanto que alguns brmanes e contemplativos, vivendo de alimentos dados em boa f, esto habituados a jogos insensatos e ociosos tais como estes xadrez de oito filas, xadrez de dez filas, xadrez no ar, amarelinha, jogo de varetas, dados, jogos com paus, desenhos com a mo, jogos com bola, soprar flautas de brinquedo, brincar com arados de brinquedo, piruetas, brincar com moinhos de vento de brinquedo, medidas de brinquedo, carruagens de brinquedo, arcos de brinquedo, adivinhar letras desenhadas no ar, adivinhar pensamentos, imitando deformidades ele se abstm de jogos insensatos e ociosos tais como esses. Isto, tambm, parte da sua virtude.

Enquanto que alguns brmanes e contemplativos, vivendo de alimentos dados em boa f, esto habituados a uma moblia alta e luxuosa tais como essas sofs de grande tamanho, enfeitados com animais esculpidos; colchas felpudas, com retalhos multicoloridos, de l branca, de l bordadas com flores ou figuras de animais, acolchoadas, com franjas, de seda bordadas com pedras preciosas; tapetes grandes de l; tapetes com elefantes, com cavalos e carruagens, de pele de antlope, de pele de gamo; camas com baldaquino, com almofadas vermelhas para a cabea e os ps ele se abstm de usar moblias altas e luxuosas tais como essas. Isto, tambm, parte da sua virtude.

Enquanto que alguns brmanes e contemplativos, vivendo de alimentos dados em boa f, esto habituados a perfumes, cosmticos, e meios de embelezamento tais como estes ps para massagear o corpo, massagem com leos, banho em gua perfumada, massagem nos membros, usar espelhos, pomadas, ornamentos, perfumes, cremes, ps de arroz, mscara, braceletes, tiaras, bengalas decoradas, garrafas de gua ornamentadas, espadas, guarda sis enfeitados, sandlias decoradas, turbantes, pedras preciosas, espanador feito de pelos de yak, tnicas longas com franjas ele se abstm de usar perfumes, cosmticos e meios de embelezamento tais como esses. Isto, tambm, parte da sua virtude.

Enquanto que alguns brmanes e contemplativos, vivendo de alimentos dados em boa f, esto habituados a falar de tpicos inferiores tais como estes falar sobre reis, ladres, ministros de estado, exrcitos, alarmes e batalhas; comida e bebida, roupas, moblia, ornamentos e perfumes, parentes; veculos; vilarejos, vilas, cidades, o campo; mulheres e heris; as fofocas das ruas e do poo; contos dos mortos; contos da diversidade (discusses filosficas do passado e futuro), a criao do mundo e do mar e falar sobre a existncia ou no das coisas ele se abstm de falar de tpicos inferiores tais como esses. Isto, tambm, parte da sua virtude.

Enquanto que alguns brmanes e contemplativos, vivendo de alimentos dados em boa f, esto habituados a debates tais como estes Voc entende esta doutrina e disciplina? Eu sou aquele que entende esta doutrina e disciplina. Como pode voc entender esta doutrina e disciplina? A sua prtica incorreta. Eu pratico corretamente. Eu sou consistente. Voc no . O que deve ser dito primeiro voc fala por ltimo. O que deve ser dito por ltimo voc fala primeiro. O que lhe tardou tanto tempo para pensar foi refutado. A sua doutrina foi derrubada. Voc est derrotado. V e tente salvar a sua doutrina; solte a si mesmo se voc puder! ele se abstm de debates tais como estes. Isto, tambm, parte da sua virtude.

Enquanto que alguns brmanes e contemplativos, vivendo de alimentos dados em boa f, esto habituados a levar mensagens e fazer pequenas tarefas para pessoas tais como estas reis, ministros de estado, nobre guerreiros, brmanes, contemplativos, chefes de famlia, ou jovens (que dizem), Venha aqui, v ali, leve isto l, v buscar e traga isto aqui ele se abstm de levar mensagens e fazer pequenas tarefas para pessoas como essas. Isto, tambm, parte da sua virtude.

Enquanto que alguns brmanes e contemplativos, vivendo de alimentos dados em boa f, se ocupam com tramar, persuadir, aconselhar, depreciar e perseguir o ganho com o ganho, ele se abstm de tramar, persuadir, aconselhar, depreciar e perseguir o ganho com o ganho (maneiras inadequadas de obter apoio material de doadores). Isto, tambm, parte da sua virtude.

(A Grande Seo sobre a Virtude)

Enquanto que alguns brmanes e contemplativos, vivendo de alimentos dados em boa f, mantm a si mesmos atravs de um modo de vida incorreto, por meio de artes inferiores tais como:

leitura de marcas nos membros [ex: quiromancia];
leitura de pressgios e sinais;
interpretao de eventos celestiais [estrelas cadentes, cometas];
interpretao de sonhos;
leitura de marcas no corpo [ex: frenologia];
leitura de marcas em tecidos rodos por ratos;
oblao oferecida com o fogo, oblao de uma concha, oblao de palhas, p de arroz, gorduras, e leo;
oferecer oblaes com a boca;
oferecer sacrifcios de sangue;
fazer previses baseadas nas pontas dos dedos;
geomancia;
deitar demnios em um cemitrio;
colocar feitios em espritos;
recitar feitios protetores em casas;
encantar serpentes, xamanismo com venenos, xamanismo com escorpies, xamanismo com ratos, xamanismo com pssaros, xamanismo com corvos;
ler a sorte com base em vises;
dar encantos protetores;
interpretar o chamado de pssaros e animais

ele se abstm do modo de vida incorreto, atravs de artes inferiores tais como essas.

Enquanto que alguns brmanes e contemplativos, vivendo de alimentos dados em boa f, mantm a si mesmos atravs de um modo de vida incorreto, atravs de artes inferiores tais como: determinar o que traz e no traz a sorte com pedras preciosas, roupas, bengalas, espadas, lanas, flechas, arcos, e outras armas; mulheres, meninos, meninas, escravos, escravas; elefantes, cavalos, bfalos, touros, vacas, bodes, carneiros, aves, codornas, lagartos, roedores com orelhas grandes, tartarugas, e outros animais ele se abstm do modo de vida incorreto, atravs de artes inferiores tais como essas.

Enquanto que alguns brmanes e contemplativos, vivendo de alimentos dados em boa f, mantm a si mesmos atravs de um modo de vida incorreto, atravs de artes inferiores como prever que:

os regentes marcharo para a frente;
os regentes marcharo para a frente e retornaro;
nossos regentes atacaro e os regentes deles recuaro;
os regentes deles atacaro e os nossos regentes recuaro;
haver triunfo para os nossos regentes e derrota para os regentes deles;
haver triunfo para os regentes deles e derrota para os nosso regentes;
dessa forma haver triunfo, dessa forma haver derrota -

ele se abstm do modo de vida incorreto, atravs de artes inferiores tais como essas.

Enquanto que alguns brmanes e contemplativos, vivendo de alimentos dados em boa f, mantm a si mesmos atravs de um modo de vida incorreto, atravs de artes inferiores como prever que:

haver um eclipse lunar;
haver um eclipse solar;
haver a ocultao de um astro;
o sol e a lua continuaro no seu curso normal;
o sol e a lua sairo do seu curso normal;
os astros seguiro no seu curso normal;
os astros sairo do seu curso normal;
haver uma chuva de meteoros;
haver um escurecimento do cu;
haver um terremoto;
haver troves vindo de um cu claro;
haver um nascente, um poente, um escurecimento, um brilho mais intenso do sol, lua, e astros;
assim ser o resultado do eclipse lunar ... o nascente, poente, escurecimento, brilho mais intenso do sol, lua e astros -

ele se abstm do modo de vida incorreto, atravs de artes inferiores tais como essas.

Enquanto que alguns brmanes e contemplativos, vivendo de alimentos dados em boa f, mantm a si mesmos atravs de um modo de vida incorreto, por meio de artes inferiores como prever que:

haver chuva em abundncia; haver uma seca;
haver abundncia; haver fome;
haver paz e segurana; haver insegurana;
haver doena; no haver doena;
ou eles ganham a vida fazendo contas, contabilidade, clculos, compondo poesias, ou ensinando artes e doutrinas hedonsticas -

ele se abstm do modo de vida incorreto, atravs de artes inferiores tais como essas.

Enquanto que alguns brmanes e contemplativos, vivendo de alimentos dados em boa f, mantm a si mesmos atravs de um modo de vida incorreto, por meio de artes inferiores como:

calcular as datas mais auspiciosas para casamentos, noivados, divrcios; para cobrar dvidas ou fazer investimentos e emprstimos; para ser atraente ou no atraente; curar mulheres que abortaram;
recitar feitios para amarrar a lngua de um homem, para paralisar a sua mandbula, para fazer com que ele perca o controle das mos, ou torn-lo surdo;
obter respostas de orculo a questes dirigidas a um espelho, a uma jovem garota, ou a um mdium espiritual;
cultuar o sol, cultuar o Grande Brahma, fazer sair chamas pela boca,
invocar deusa da sorte -

ele se abstm do modo de vida incorreto, atravs de artes inferiores tais como essas.

Enquanto que alguns brmanes e contemplativos, vivendo de alimentos dados em boa f, mantm a si mesmos atravs de um modo de vida incorreto, atravs de artes inferiores como:

prometer presentes para divindades em troca de favores; cumprir essas promessas;
demonologia;
ensinar feitios que protegem as casas;
induzir virilidade e impotncia;
consagrar terrenos para construo;
dar colutrios cerimoniais e banhos cerimoniais;
oferecer fogueiras de sacrifcio;
preparar emticos, purgativos, expectorantes, diurticos, curas para dor de cabea; preparar leo para os ouvidos, gotas para os olhos, leo para tratamento atravs do nariz, colrio e antdotos; curar cataratas, praticar cirurgia, praticar pediatria, prescrever medicamentos e tratamentos para curar efeitos colaterais -

ele se abstm do modo de vida incorreto, atravs de artes inferiores tais como essas.

63. Um bhikkhu consumado em virtude dessa forma, no v perigo em lugar nenhum pela sua conteno atravs da virtude. Da mesma forma, como um rei ungido, nobre guerreiro, que derrotou os seus inimigos no v perigo em lugar nenhum, da mesma forma, um bhikkhu consumado em virtude dessa forma no v perigo em lugar nenhum pela sua conteno atravs da virtude. Dotado desse nobre agregado da virtude, ele experimenta dentro de si uma felicidade que imaculada. Assim como um bhikkhu consumado em virtude.

(Conteno dos Sentidos)

64. Ao ver uma forma com o olho, um bhikkhu no se agarra aos seus sinais ou detalhes. Visto que, se permanecer com a faculdade do olho descuidada, ele ser tomado pelos estados ruins e prejudiciais de cobia e tristeza. Ele pratica a conteno, ele protege a faculdade do olho, ele se empenha na conteno da faculdade do olho. Ao ouvir um som com o ouvido ... Ao cheirar um aroma com o nariz Ao saborear um sabor com a lngua Ao tocar um tangvel com o corpo Ao conscientizar um objeto mental com a mente, ele no se agarra aos seus sinais ou detalhes. Visto que, se permanecer com a faculdade da mente descuidada, ele ser tomado pelos estados ruins e prejudiciais de cobia e tristeza. Ele pratica a conteno, ele protege a faculdade da mente, ele se empenha na conteno da faculdade da mente. Dotado dessa nobre conteno das faculdades, ele experimenta dentro de si uma felicidade que imaculada. Assim como um bhikkhu guarda as portas dos seus meios dos sentidos.

(Ateno Plena e Plena Conscincia)

65. E como um bhikkhu possui ateno plena e plena conscincia? Um bhikkhu age com plena conscincia quando vai para a frente e quando retorna; age com plena conscincia quando olha para a frente e quando desvia o olhar; age com plena conscincia quando dobra e estende os seus membros; age com plena conscincia quando carrega o manto externo, o manto superior, a tigela; age com plena conscincia quando come, bebe, mastiga e saboreia; age com plena conscincia quando defeca e urina; age com plena conscincia quando caminha, fica em p, senta, adormece, acorda, fala e permanece em silncio. Assim como um bhikkhu possui ateno plena e plena conscincia.

(Satisfao)

66. E como um bhikkhu est satisfeito? Igual a um passarinho, aonde quer que ele v, voa com as asas como seu nico fardo, assim tambm, o bhikkhu est satisfeito com os mantos que protegem o seu corpo e com os alimentos esmolados que mantm o seu estmago, e aonde quer que v ele apenas leva essas coisas consigo. Assim como um bhikkhu est satisfeito.

(Abandonando os Obstculos)

67. Dotado desse nobre agregado da virtude, essa nobre conteno das faculdades sensoriais, essa nobre ateno plena e plena conscincia, ele procura um local isolado: na floresta, sombra de uma rvore, uma montanha, uma ravina, uma caverna em uma encosta, um cemitrio, um matagal, um espao aberto, uma cabana vazia. Depois de esmolar alimentos, aps a refeio, ele senta com as pernas cruzadas, com o corpo ereto e coloca a ateno plena sua frente.

68. Abandonando a cobia pelo mundo, ele permanece com a mente livre de cobia; ele purifica sua mente da cobia. Abandonando a m vontade, ele permanece com a mente livre de m vontade, com compaixo pelo bem-estar de todos seres vivos; ele purifica sua mente da m vontade. Abandonando a preguia e o torpor, ele permanece livre da preguia e do torpor, perceptivo luz,[25] atento e plenamente consciente; ele purifica sua mente da preguia e do torpor. Abandonando a inquietao e a ansiedade, ele permanece calmo com a mente em paz; ele purifica sua mente da inquietao e da ansiedade. Abandonando a dvida, ele assim permanece tendo superado a dvida, sem perplexidade em relao s qualidades mentais hbeis; ele purifica sua mente da dvida.

69. Suponha que um homem, tomando um emprstimo, invista no seu negcio. Os seu negcios vo bem. Ele paga a dvida e sobra algo para sustentar a sua esposa. O pensamento lhe ocorreria, Antes, tomei um emprstimo, investi no meu negcio. Agora o meu negcio foi bem. Eu paguei a dvida e sobrou algo para sustentar minha esposa. Por causa disso ele experimentaria alegria e felicidade.

70. Agora suponha que um homem se enferme com dores e seriamente doente. Ele no tolera a comida e no h fora no seu corpo. Conforme o tempo passa, ele finalmente se recupera dessa enfermidade. Ele tolera a comida e h fora no seu corpo. O pensamento lhe ocorreria, Antes, eu estava doente ... Agora estou recuperado daquela doena. Eu tolero a minha comida, h fora no meu corpo. Por causa disso ele experimentaria alegria e felicidade.

71. Agora suponha que um homem est na priso. Conforme o tempo passa, ele finalmente libertado dessa priso, so e salvo, sem perda de patrimnio. O pensamento lhe ocorreria, Antes, eu estava na priso. Agora estou livre da priso, so e salvo, sem perda do meu patrimnio. Por causa disso ele experimentaria alegria e felicidade.

72. Agora suponha que um homem um escravo, sujeito a outros, no sujeito a si mesmo, incapaz de ir aonde queira. Conforme o tempo passa, ele finalmente libertado daquela escravido, sujeito a si mesmo, no sujeito a outros, livre, capaz de ir aonde queira. O pensamento lhe ocorreria, Antes, eu era um escravo Agora estou livre daquela escravido, sujeito a mim mesmo, no sujeito a outros, livre, capaz de ir aonde queira. Por causa disso ele experimentaria alegria e felicidade.

73. Agora suponha que um homem, carregando dinheiro e mercadorias, est viajando por uma estrada em uma regio desolada. Conforme o tempo passa, ele finalmente emerge daquela regio desolada, so e salvo, sem perda de patrimnio. O pensamento lhe ocorreria, Antes, carregando dinheiro e mercadorias, eu estava viajando por uma estrada em uma regio desolada. Agora emergi dessa regio desolada, so e salvo, sem perda do meu patrimnio. Por causa disso ele experimentaria alegria e felicidade.

74. Da mesma forma, quando esses cinco obstculos [26] no so abandonados por ele, o bhikkhu os considera como uma dvida, uma enfermidade, uma priso, a escravido, uma estrada atravs de uma regio desolada. Porm, quando esses cinco obstculos so abandonados, ele os considera como no ter dvidas, ter boa sade, estar livre da priso, estar livre da escravido, estar num lugar com segurana. Vendo que os obstculos foram abandonados por ele, ele fica satisfeito. Satisfeito, o xtase surge. Com o xtase, o seu corpo se acalma. Com o corpo calmo, ele sente felicidade. Sentindo felicidade, a sua mente fica concentrada. [A]

(Os Quatro Jhanas)

75. Um bhikkhu afastado dos prazeres sensuais, afastado das qualidades no hbeis, entra e permanece no primeiro jhana, que caracterizado pelo pensamento aplicado e sustentado, com o xtase e felicidade nascidos do afastamento. Ele permeia e impregna, cobre e preenche o corpo com o xtase e felicidade nascidos do afastamento. No h nada em todo o corpo que no esteja permeado pelo xtase e felicidade nascidos do afastamento.

76. " como se um banhista habilidoso ou seu aprendiz vertesse p de banho numa bacia de lato e o misturasse, borrifando com gua de tempos em tempos, de forma que essa bola de p de banho - saturada, carregada de umidade, permeada por dentro e por fora - no entanto no pingasse; assim, o bhikkhu permeia, cobre e preenche o corpo com o xtase e felicidade nascidos do afastamento...

Este um fruto da vida contemplativa, visvel no aqui e agora, mais excelente do que os anteriores e mais sublime.

77. "E alm disso, abandonando o pensamento aplicado e sustentado, um bhikkhu entra e permanece no segundo jhana, que caracterizado pela segurana interna e perfeita unicidade da mente, sem o pensamento aplicado e sustentado, com o xtase e felicidade nascidos da concentrao. Ele permeia e impregna, cobre e preenche o corpo com o xtase e felicidade nascidos da concentrao. No h nada em todo o corpo que no esteja permeado pelo xtase e felicidade nascidos da concentrao.

78. "Como um lago sendo alimentado por uma fonte de gua interna, no tendo um fluxo de gua do leste, oeste, norte, ou sul, nem os cus periodicamente fornecendo chuvas abundantes, de modo que a fonte de gua interna permeia e impregna, cobre e preenche o lago de gua fresca, sem que nenhuma parte do lago no esteja permeada pela gua fresca; assim tambm o bhikkhu permeia e impregna, cobre e preenche o corpo com o xtase e felicidade nascidos da concentrao...

Este, tambm, um fruto da vida contemplativa, visvel no aqui e agora, mais excelente do que os anteriores e mais sublime.

79. "E alm disso, abandonando o xtase, um bhikkhu entra e permanece no terceiro jhana que caracterizado pela felicidade sem o xtase, acompanhada pela ateno plena, plena conscincia e equanimidade, acerca do qual os nobres declaram: Ele permanece numa estada feliz, equnime e plenamente atento. Ele permeia e impregna, cobre e preenche o corpo com a felicidade despojada do xtase, de forma que no exista nada em todo o corpo que no esteja permeado com a felicidade despojada do xtase.

80. "Como num lago que tenha flores de ltus azuis, brancas ou vermelhas, podem existir algumas flores de ltus azuis, brancas, ou vermelhas que, nascidas e tendo crescido na gua, permanecem imersas na gua e florescem sem sair de dentro da gua, de forma que elas permanecem permeadas e impregnadas, cobertas e preenchidas com gua fresca da raiz at a ponta, e nada dessas flores de ltus azuis, brancas ou vermelhas permanece sem estar permeado pela gua fresca; assim tambm o bhikkhu permeia e impregna, cobre e preenche o corpo com a felicidade despojada de xtase...

Este, tambm, um fruto da vida contemplativa, visvel no aqui e agora, mais excelente do que os anteriores e mais sublime.

81. "E alm disso, com o completo desaparecimento da felicidade, um bhikkhu entra e permanece no quarto jhana, que possui nem felicidade nem sofrimento, com a ateno plena e a equanimidade purificadas. Ele permanece permeando o corpo com a mente pura e luminosa, de forma que no exista nada em todo o corpo que no esteja permeado pela mente pura e luminosa.

82. "Como se um homem estivesse enrolado da cabea aos ps com um tecido branco de forma que no houvesse nenhuma parte do corpo que no estivesse coberta pelo tecido branco; assim tambm o bhikkhu permanece permeando o corpo com a mente pura e luminosa. No h nada no corpo que no esteja permeado por essa mente pura e luminosa.

Este, tambm, um fruto da vida contemplativa, visvel no aqui e agora, mais excelente do que os anteriores e mais sublime.

(Insight)

83. Com a sua mente dessa forma concentrada, purificada, luminosa, pura, imaculada, livre de defeitos, flexvel, malevel, estvel e atingindo a imperturbabilidade, ele a dirige e a inclina para o conhecimento e viso. Ele discerne: Este meu corpo composto de forma material, consistindo dos quatro grandes elementos, nascido de me e pai, alimentado com arroz e mingau, est sujeito impermanncia, a ser gasto e pulverizado, dissoluo e desintegrao, e esta minha conscincia est apoiada nele e atada a ele.[27]

84. Tal como se existisse uma linda pedra de berilo da mais pura gua, com oito facetas, bem lapidada, clara, lmpida, possuindo todas as boas qualidades, e atravs dela fosse passado um fio azul, amarelo, vermelho ou branco. Ento um homem com boa viso, tomando a pedra nas mos, a examinaria da seguinte forma: Esta uma bela pedra de berilo da mais pura gua, com oito facetas, bem lapidada, clara e lmpida, possuindo todas as boas qualidades, e atravs dela passa um fio azul, amarelo, vermelho, branco. Da mesma forma - com a sua mente dessa forma concentrada, purificada, luminosa, pura, imaculada, livre de defeitos, flexvel, malevel, estvel e atingindo a imperturbabilidade, ele a dirige e a inclina para o conhecimento e viso. Ele discerne: Este meu corpo composto de forma material, consistindo dos quatro grandes elementos, nascido de me e pai, alimentado com arroz e mingau, est sujeito impermanncia, a ser gasto e pulverizado, dissoluo e desintegrao, e esta minha conscincia est apoiada nele e atada a ele.

Este, tambm, grande rei, um fruto da vida contemplativa, visvel no aqui e agora, mais excelente do que os anteriores e mais sublime.

(O Corpo feito pela Mente)

85. Com a sua mente dessa forma concentrada, purificada, luminosa, pura, imaculada, livre de defeitos, flexvel, malevel, estvel e atingindo a imperturbabilidade, ele a dirige e a inclina para criar um corpo feito pela mente. Deste corpo ele cria um outro corpo, dotado de forma,[28] feito pela mente, completo com todas as suas partes, sem defeito em nenhuma das faculdades.

86. Tal como se um homem fosse tirar uma flecha do seu estojo. O pensamento lhe ocorreria: Este o estojo, esta a flecha. O estojo uma coisa, a flecha outra, porm a flecha foi tirada do estojo. Ou como se um homem fosse tirar uma espada da sua bainha. O pensamento lhe ocorreria: Esta a espada, esta a bainha. A espada uma coisa, a bainha outra, porm a espada foi tirada da bainha. Ou como se um homem puxasse uma cobra da sua pele morta. O pensamento lhe ocorreria: Esta a cobra, esta a pele. A cobra uma coisa, a pele outra, porm a cobra foi puxada da pele. Da mesma forma - com a sua mente deessa forma concentrada, purificada, luminosa, pura, imaculada, livre de defeitos, flexvel, malevel, estvel e atingindo a imperturbabilidade, ele a dirige e a inclina para criar um corpo feito pela mente. Deste corpo ele cria outro corpo, dotado de forma, feito pela mente, completo com todas as suas partes, sem defeito em nenhuma das faculdades.

Este, tambm, grande rei, um fruto da vida contemplativa, visvel no aqui e agora, mais excelente do que os anteriores e mais sublime.

(Poderes Supra-humanos)

87. Com a sua mente assim concentrada, purificada, luminosa, pura, imaculada, livre de defeitos, flexvel, malevel, estvel e atingindo a imperturbabilidade, ele a dirige e inclina para o modo de poderes supra-humanos. Ele exerce os vrios tipos de poderes supra-humanos: tendo sido um, ele se torna vrios; tendo sido vrios, ele se torna um; ele aparece e desaparece; ele cruza sem nenhum problema uma parede, um cercado, uma montanha ou atravs do espao; ele mergulha e sai da terra como se fosse gua; ele caminha sobre a gua sem afundar como se fosse terra; sentado de pernas cruzadas ele cruza o espao como se fosse um pssaro; com a sua mo ele toca e acaricia a lua e o sol to forte e poderoso[29]; ele exerce poderes corporais at mesmo nos distantes mundos de Brahma.

88. Tal como um hbil oleiro ou seu aprendiz podem fazer, com uma argila bem preparada, qualquer tipo de vasilhame de cermica que ele queira, ou como um hbil escultor de marfim ou seu aprendiz podem fazer, com marfim bem preparado, qualquer tipo de trabalho em marfim que ele queira, ou como um ourives ou seu aprendiz podem fazer, com ouro bem preparado, qualquer pea de ouro que ele queira. Da mesma forma - com a sua mente dessa forma concentrada, purificada, luminosa, pura, imaculada, livre de defeitos, flexvel, malevel, estvel e atingindo a imperturbabilidade, ele a dirige e a inclina para o modo de poderes supra-humanos. Ele exerce os vrios tipos de poderes supra-humanos: ... ele exerce poderes corporais at mesmo nos distantes mundos de Brahma.

Este, tambm, grande rei, um fruto da vida contemplativa, visvel no aqui e agora, mais excelente do que os anteriores e mais sublime.

(O Elemento do Ouvido Divino)

89. Com a sua mente assim concentrada, purificada, luminosa, pura, imaculada, livre de defeitos, flexvel, malevel, estvel e atingindo a imperturbabilidade, ele a dirige e a inclina para o elemento do ouvido divino. Com o elemento do ouvido divino, que purificado e ultrapassa o humano, ele ouve ambos tipos de sons, os divinos e os humanos, aqueles distantes bem como os prximos.

90. Tal como se um homem viajando por uma estrada ouvisse sons de tambores, pequenos tambores, conchas e cmbalos. Ele saberia, Esse o som de tambores, esse o som de tambores pequenos, esse o som de conchas, esse o som de cmbalos. Da mesma forma - com a sua mente assim concentrada, purificada, luminosa, pura, imaculada, livre de defeitos, flexvel, malevel, estvel e atingindo a imperturbabilidade, ele a dirige e a inclina para o elemento do ouvido divino. Ele ouve, atravs do elemento do ouvido divino, que purificado e ultrapassa o humano, ambos tipos de sons: divinos e humanos, quer estejam prximos ou distantes.

Este, tambm, grande rei, um fruto da vida contemplativa, visvel no aqui e agora, mais excelente do que os anteriores e mais sublime.

(Leitura da Mente)

91. Com a sua mente assim concentrada, purificada, luminosa, pura, imaculada, livre de defeitos, flexvel, malevel, estvel e atingindo a imperturbabilidade, ele a dirige e a inclina para compreender a mente dos outros seres. Ele compreende as mentes de outros seres, de outras pessoas, abarcando-as com a sua prpria mente. Ele compreende uma mente afetada pelo desejo como afetada pelo desejo e uma mente no afetada pelo desejo como no afetada pelo desejo; Ele compreende uma mente afetada pela raiva como afetada pela raiva e uma mente no afetada pela raiva como no afetada pela raiva; Ele compreende uma mente afetada pela deluso como afetada pela deluso e uma mente no afetada pela deluso como no afetada pela deluso; Ele compreende uma mente contrada como contrada e uma mente distrada como distrada; Ele compreende uma mente transcendente como transcendente e uma mente no transcendente como no transcendente; Ele compreende uma mente supervel como supervel e uma mente no supervel como no supervel; Ele compreende uma mente concentrada como concentrada e uma mente no concentrada como no concentrada; Ele compreende uma mente libertada como libertada e uma mente no libertada como no libertada.

92. Tal como um homem ou uma mulher jovens, plenos de juventude e que apreciam ornamentos ao verem a imagem do seu prprio rosto num espelho claro e brilhante ou numa tigela com gua limpa, saberiam se existe alguma mcula assim: Ali est uma mcula ou saberiam se no existe mcula assim: No h mcula. Da mesma forma - com a sua mente assim concentrada, purificada, luminosa, pura, imaculada, livre de defeitos, flexvel, malevel, estvel e atingindo a imperturbabilidade, ele a dirige e a inclina para o conhecimento da conscincia de outros seres. Ele compreende as mentes de outros seres, de outras pessoas, abarcando-as com a sua prpria mente. Ele compreende uma mente afetada pelo desejo como afetada pelo desejo e uma mente no afetada pelo desejo como no afetada pelo desejo Ele compreende uma mente libertada como libertada e uma mente no libertada como no libertada.

Este, tambm, grande rei, um fruto da vida contemplativa, visvel no aqui e agora, mais excelente do que os anteriores e mais sublime.

(Recordao de Vidas Passadas)

93. Com a sua mente assim concentrada, purificada, luminosa, pura, imaculada, livre de defeitos, flexvel, malevel, estvel e atingindo a imperturbabilidade, ele a dirige para o conhecimento da recordao de vidas passadas. Ele se recorda das suas muitas vidas passadas, isto , um nascimento, dois nascimentos, trs nascimentos, quatro, cinco, dez, vinte, trinta, quarenta, cinqenta, cem, mil, cem mil, muitos ciclos csmicos de contrao, muitos ciclos csmicos de expanso, muitos ciclos csmicos de contrao e expanso, L eu tinha tal nome, pertencia a tal cl, tinha tal aparncia. Assim era o meu alimento, assim era a minha experincia de prazer e dor, assim foi o fim da minha vida. Falecendo daquele estado, eu ressurgi ali. Ali eu tambm tinha tal nome, pertencia a tal cl, tinha tal aparncia. Assim era o meu alimento, assim era a minha experincia de prazer e dor, assim foi o fim da minha vida. Falecendo daquele estado, eu ressurgi aqui. Assim ele se recorda das suas muitas vidas passadas nos seus modos e detalhes.

94. Tal como se um homem fosse do seu vilarejo a um outro vilarejo e desse vilarejo a mais um outro vilarejo e ento, desse vilarejo de volta ao vilarejo onde ele mora. O pensamento lhe ocorreria, Eu fui do meu vilarejo para aquele vilarejo ali. Ali eu fiquei em p de tal forma, sentei de tal forma, falei de tal forma e permaneci em silncio de tal forma. Daquele vilarejo eu fui para o outro vilarejo l e l eu fiquei em p de tal forma, sentei de tal forma, falei de tal forma e permaneci em silncio de tal forma. Desse vilarejo eu voltei para o meu vilarejo. [30] Da mesma forma - com a sua mente assim concentrada, purificada, luminosa, pura, imaculada, livre de defeitos, flexvel, malevel, estvel e atingindo a imperturbabilidade, ele a dirige para o conhecimento da recordao de vidas passadas Ele se recorda das suas muitas vidas passadas ... nos seus modos e detalhes.

Este, tambm, grande rei, um fruto da vida contemplativa, visvel no aqui e agora, mais excelente do que os anteriores e mais sublime.

(O Olho Divino)

95. Com a sua mente assim concentrada, purificada, luminosa, pura, imaculada, livre de defeitos, flexvel, malevel, estvel e atingindo a imperturbabilidade, ele a dirige para o conhecimento do falecimento e reaparecimento dos seres. Por meio do olho divino, que purificado e ultrapassa o humano, ele v seres falecendo e renascendo, inferiores e superiores, bonitos e feios, afortunados e desafortunados. Ele compreende como os seres prosseguem de acordo com as suas aes desta forma: Esses seres dotados de m conduta com o corpo, linguagem e mente, que insultam os nobres, com o entendimento incorreto e realizando aes sob a influncia do entendimento incorreto com a dissoluo do corpo, aps a morte, renasceram num estado de privao, num destino infeliz, nos reinos inferiores, at mesmo no inferno. Porm estes seres - dotados de boa conduta com o corpo, linguagem e mente, que no insultam os nobres, com o entendimento correto e realizando aes sob a influncia do entendimento correto com a dissoluo do corpo, aps a morte, renasceram num destino feliz, no paraso. Dessa forma - por meio do olho divino, que purificado e ultrapassa o humano, ele v seres falecendo e renascendo, inferiores e superiores, bonitos e feios, afortunados e desafortunados, e ele compreende como os seres prosseguem de acordo com as suas aes.

96. Tal como se houvessem duas casas com portas e um homem com boa viso parado entre elas visse as pessoas entrando nas casas e saindo, indo e vindo. Da mesma forma - com a sua mente assim concentrada, purificada, luminosa, pura, imaculada, livre de defeitos, flexvel, malevel, estvel, e atingindo a imperturbabilidade, ele a dirige para o conhecimento do falecimento e reaparecimento dos seres. Por meio do olho divino, que purificado e sobrepuja o humano, ele v seres falecendo e renascendo, inferiores e superiores, bonitos e feios, afortunados e desafortunados ... de acordo com as suas aes.

Este, tambm, grande rei, um fruto da vida contemplativa, visvel no aqui e agora, mais excelente do que os anteriores e mais sublime.

(A Destruio das Impurezas Mentais)

97. Com a sua mente dessa forma concentrada, purificada, luminosa, pura, imaculada, livre de defeitos, flexvel, malevel, estvel e atingindo a imperturbabilidade, ele a dirige para o conhecimento do fim das impurezas mentais. Ele compreende, da forma como na verdade que: Isto sofrimento; ele compreende, da forma como na verdade que: Esta a origem do sofrimento; ele compreende, da forma como na verdade que: Esta a cessao do sofrimento; ele compreende, da forma como na verdade que: Este o caminho que conduz cessao do sofrimento; ele compreende, da forma como na verdade que: Essas so impurezas mentais; ele compreende, da forma como na verdade que: Esta a origem das impurezas; ele compreende, da forma como na verdade que: Esta a cessao das impurezas; ele compreende, da forma como na verdade que: Este o caminho que conduz cessao das impurezas. Ao conhecer e ver, a sua mente est livre da impureza do desejo sensual, da impureza de ser/existir, da impureza da ignorncia. Quando ela est libertada surge o conhecimento, Libertada. Ele compreende que O nascimento foi destrudo, a vida santa foi vivida, o que deveria ser feito foi feito, no h mais vir a ser a nenhum estado.

98. Tal como se houvesse uma lagoa num vale em uma montanha - clara, lmpida e cristalina em que um homem com boa viso, em p na margem, pudesse ver conchas, cascalho e seixos e tambm cardumes de peixes nadando e descansando, isso lhe ocorreria, Esta lagoa tem a gua clara, lmpida e cristalina. Ali esto aquelas conchas, cascalho e seixos e tambm aqueles cardumes de peixes nadando e descansando. Da mesma forma - com a sua mente dessa forma concentrada, purificada, luminosa, pura, imaculada, livre de defeitos, flexvel, malevel, estvel e atingindo a imperturbabilidade, ele a dirige para o conhecimento do fim das impurezas mentais. Ele compreende, da forma como na verdade que: Isto sofrimento ... Esta a origem do sofrimento ... Esta a cessao do sofrimento ... Este o caminho que conduz cessao do sofrimento ... Estas so impurezas mentais ... Esta a origem das impurezas ... Esta a cessao das impurezas ... Este o caminho que conduz cessao das impurezas. Ao conhecer e ver, a sua mente est livre da impureza do desejo sensual, da impureza de ser/existir, da impureza da ignorncia. Quando ela est libertada surge o conhecimento, Libertada. Ele compreende que O nascimento foi destrudo, a vida santa foi vivida, o que devia ser feito foi feito, no h mais vir a ser a nenhum estado.

Este, tambm, grande rei, um fruto da vida contemplativa, visvel no aqui e agora, mais excelente do que os anteriores e mais sublime. E quanto a outro fruto visvel da vida contemplativa, maior e mais sublime do que isto, no existe."

99. Quando isto foi dito, o rei Ajatasattu disse ao Abenoado: Magnfico, venervel senhor! Magnfico! Como se colocasse em p o que estava virado, revelasse o que estava escondido, mostrasse o caminho para algum perdido, ou segurasse uma lmpada no escuro de forma que aqueles que possuem olhos possam ver as formas, da mesma forma o Abenoado atravs de muitas linhas de argumentao esclareceu o Dhamma. Eu busco refgio no Abenoado, no Dhamma e na comunidade de bhikkhus. Que o Abenoado se lembre de mim como o discpulo leigo que tomou refgio deste dia em diante para o resto da sua vida.

100. Uma transgresso foi cometida por mim, venervel senhor, em que eu fui to tolo, to atrapalhado e to inbil que matei meu pai um homem justo, um rei justo para obter o domnio do reinado. Que o Abenoado por favor aceite esta confisso da minha transgresso como tal, de forma que eu possa me refrear no futuro. [31]

Sim, grande rei, uma transgresso foi cometida por voc, em que voc foi to tolo, to atrapalhado e to inbil que matou o seu pai um homem justo, um rei justo para obter o domnio do reinado. Porm, porque voc v a sua transgresso como tal e faz correes de acordo com o Dhamma, ns aceitamos a sua confisso. Pois motivo de crescimento no Dhamma e Disciplina dos nobres quando, vendo uma transgresso como tal, a pessoa faz correes de acordo com o Dhamma e pratica a conteno no futuro."

101. Quando isto foi dito, o rei Ajatasattu disse ao Abenoado: Bem, ento, venervel senhor, eu partirei agora. Muitas so minhas tarefas, muitas minhas responsabilidades.

Agora o momento, grande rei, faa como julgar adequado.

102. Ento, o rei Ajatasattu, tendo ficado satisfeito e contente com as palavras do Abenoado, levantou-se do seu assento, curvou-se ante o Abenoado e mantendo-o sua direita partiu. No muito tempo depois que o rei Ajatasattu havia partido, o Abenoado dirigiu-se aos bhikkhus: O rei est derrotado, bhikkhus, a sua sorte est selada. [32] No tivesse ele matado o seu pai aquele homem justo, aquele rei justo o olho do Dhamma, [33] lmpido, imaculado teria surgido nele enquanto ele estava sentado neste assento.

Isso foi o que disse o Abenoado. Os bhikkhus ficaram satisfeitos e contentes com as palavras do Abenoado.

 


 

Notas:

[1] O mdico real. O MN 55 que explica as regras que se aplicam ao consumo de carne dirigido a ele. [Retorna]

[2] Uposatha: neste caso denota um dia de jejum dos Brmanes. Mais tarde, no Budismo, se converteu no dia de confisso dos monges. [Retorna]

[3] Kattika: meados de Outubro at meados de Novembro. [Retorna]

[4] Assim chamado devido flor de ltus branca que floresce nesse ms. [Retorna]

[5] Reinou por volta de 491-459 A.C. Ele havia matado o pai, o Rei Bimbisara, para conquistar o trono. [Retorna]

[6] Ajatasattu tinha a mente angustiada por conta do seu crime. [Retorna]

[7] Aquele que treina os homens (que so capazes de serem treinados) tal como um cocheiro treina os cavalos. [Retorna]

[8] O filho que no final acabaria tambm matando o pai e que por sua vez acabaria sendo morto pelo filho. [Retorna]

[9] De acordo com DA este era um contemplativo nu. Esse tipo de idias que envolvem a negao de qualquer tipo de recompensa ou punio por boas e ms aes so consideradas no Budismo como particularmente perniciosas. [Retorna]

[10] Talvez devido ao peso na sua conscincia. Mas essa observao tambm sugere o enorme respeito (nem sempre merecido) que esses mestres errantes recebiam. [Retorna]

[11] O lder dos Ajivikas. [Retorna]

[12] Hetu traduzido como causa significa raiz (ex: cobia, raiva, deluso); paccaya significa condio. [Retorna]

[13] Kamma: mas no com o mesmo significado Budista de ao volitiva. [Retorna]

[14] De acordo com as cinco faculdades dos sentidos. [Retorna]

[15] Pensamento, palavra e ao. [Retorna]

[16] Meia ao, apenas em pensamento. [Retorna]

[17] Divindades sob a forma de serpentes. [Retorna]

[18] A viso Budista de kamma portanto negada. [Retorna]

[19] Ajita com o Manto Peludo (ele usava um manto feito com cabelo humano): um materialista. [Retorna]

[20] Esta uma doutrina moral materialista niilista que nega a vida aps a morte e a conseqncia de kamma. No existe nada que dado significa que no existe fruto da generosidade; no existe este mundo, nem outro mundo significa que no existe renascimento neste mundo, nem num outro mundo; no existe me, nem pai significa que no existe fruto da boa conduta ou m conduta em relao me e ao pai. O enunciado sobre contemplativos e brmanes nega a existncia de Budas e arahants. Seres que renascem espontaneamente so devas criados pela mente e no atravs da relao sexual. [Retorna]

[21] Defendia uma teoria atomista. [Retorna]

[22] O nome dado no Cnone em Pali a Vardhamana Mahavira (aprox. 540-568 A.C.?), o lder dos Jainistas. Ele vrias vezes mencionado de modo desfavorvel no Cnone, por exemplo no MN 56. [Retorna]

[23] Sabba-vari-varito, sabba-vari-yuto, sabba-vari-dhuto, sabba-vari-phutto. Isto no representa a doutrina Jainista genuna mas parece ser uma pardia fazendo uso de trocadilhos. Os Jainistas possuem uma regra de coibio em relao gua, e vari pode significar gua, coibio, ou talvez transgresso. A referncia a algum livre de grilhes e no entanto atado por essas coibies (sejam quais forem) um paradoxo deliberado. [Retorna]

[24] Aes meritrias, (pua), no conduzem iluminao, mas felicidade (temporria) neste mundo ou noutro.[Retorna]

[25] O desenvolvimento da percepo da luz em geral dado como um antdoto padro para superar o obstculo do torpor e preguia. (thina-midha). [Retorna]

[26] Os cinco obstculos so superados temporariamente nos estados de jhana. [Retorna]

[A] Veja o AN X.2. [Retorna]

[27] Este trecho mostra que a conscincia, (viana), no transmigra de uma vida para outra. No MN 38 o bhikkhu Sati foi censurado pelo Buda por ter essa idia. Uma conscincia de renascimento, (patisandhi), surge no momento da concepo, na dependncia da conscincia anterior. [Retorna]

[28] Veja nota 20 acima. Este corpo feito pela mente aquilo que confundido com uma alma ou eu. [Retorna]

[29] DA no apresenta um comentrio que explique isto e os comentadores modernos tambm no dizem nada, mas tocar o sol e a lua talvez se refira a algum tipo de experincia mental. [Retorna]

[30] De acordo com DA os trs vilarejos so o reino da esfera sensual, o reino da matria sutil e o reino imaterial. [Retorna]

[31] Esta a frmula empregada pelos bhikkhus ao confessar transgresses. [Retorna]

[32] Khatayam bhikkhave raja, upahatayam bhikkhave raja. Esta expresso indica que Ajatasattu estava obstaculizado pelo seu kamma de obter os resultados que seriam possveis de outro modo, visto que o parricdio um dos atos ruins com resultado imediato (no prximo mundo) que no pode ser evitado. [Retorna]

[33] O olho do Dhamma, (dhamma-cakkhu), um termo para entrar na correnteza. [Retorna]

 

 

Revisado: 16 Abril 2013

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