Majjhima Nikaya 35

Culasaccaka Sutta

O Pequeno Discurso para Saccaka

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1. Em certa ocasio o Abenoado estava em Vesali na Grande Floresta no Salo com um pico na cumeeira.

2. Agora, naquela ocasio Saccaka, o filho de Nigantha, estava em Vesali, um polemista e hbil orador considerado por muitos como um santo. [1] Ele estava fazendo a seguinte afirmao perante a assemblia de Vesali: Eu no vejo contemplativo ou brmane, ou cabea de uma ordem, ou cabea de um grupo, ou mestre de um grupo, ou mesmo algum que reivindique ser um arahant, perfeitamente iluminado, que no sacudisse, tiritasse, tremesse e suasse nas axilas, se fosse engajado num debate comigo. Mesmo que eu engajasse um poste insensvel num debate, ele iria sacudir, tiritar e tremer se fosse engajado num debate comigo, ento o que posso dizer de um ser humano?

3. Ento, ao amanhecer, o venervel Assaji se vestiu e tomando a tigela e o manto externo, foi para Vesali para esmolar alimentos.[2] Enquanto Saccaka, o filho de Nigantha, caminhava e perambulava em Vesali fazendo exerccio, ele viu o venervel Assaji vindo distncia e foi at ele e ambos se cumprimentaram. Quando a conversa amigvel e corts havia terminado, Saccaka, o filho de Nigantha, ficou em p a um lado e disse:

4. Mestre Assaji, como o contemplativo Gotama disciplina os seus discpulos? E como, em geral, so apresentadas as instrues do contemplativo Gotama aos seus discpulos?

Assim como o Abenoado disciplina os seus discpulos, Aggivessana, e assim como, em geral, so apresentadas as instrues do Abenoado aos seus discpulos: Bhikkhus, a forma material impermanente, a sensao impermanente, a percepo impermanente, as formaes volitivas so impermanentes, a conscincia impermanente. Bhikkhus, a forma material no-eu, a sensao no-eu, a percepo no-eu, as formaes volitivas so no-eu, a conscincia no-eu. Todas as formaes so impermanentes, todas os dhammas so no-eu. [3] Assim como o Abenoado disciplina os seus discpulos, e assim como, em geral, so apresentadas as instrues do Abenoado aos seus discpulos.

Se isso o que o contemplativo Gotama afirma, de fato ouvimos algo desagradvel. Talvez em alguma ocasio possamos encontrar com o Mestre Gotama e ter uma conversa com ele. Talvez possamos fazer com que ele abandone essa idia malfica.

5. Agora naquela ocasio quinhentos Licchavis haviam se reunido no salo de assemblias para tratar de negcios. Ento Saccaka, o filho de Nigantha, foi at eles e disse: Venham, bons Licchavis, venham! Hoje haver uma discusso com o contemplativo Gotama. Se o contemplativo afirmar perante mim aquilo que foi afirmado perante mim por um dos seus discpulos famosos, o bhikkhu chamado Assaji, ento da mesma forma como um homem forte capaz de agarrar os plos de um carneiro peludo e arrast-lo para c e para l e arrast-lo em crculos, assim em debate eu irei arrastar o contemplativo Gotama para c e para l e em crculos. Da mesma forma como um forte cervejeiro capaz de arremessar uma peneira grande num tanque de gua profundo e agarrando-a pelos cantos capaz de arrast-la para c e para l e em crculos, assim em debate eu irei arrastar o contemplativo Gotama para c e para l e em crculos. Da mesma forma como um forte cervejeiro capaz de tomar um filtro pelos cantos e agit-lo para cima e para baixo e dar-lhe pancadas, assim em debate eu agitarei o contemplativo Gotama para cima e para baixo e darei pancadas nele. E da mesma forma como um elefante sexagenrio capaz de mergulhar num lago profundo e desfrutar o jogo de lavar o cnhamo, assim eu desfrutarei o jogo de lavar o cnhamo com o contemplativo Gotama. [4] Venham, bons Licchavis, venham! Hoje haver uma discusso entre eu e o contemplativo Gotama.

6. Aps o que, alguns Licchavis disseram: Como poder o contemplativo Gotama refutar as afirmaes de Saccaka, o filho de Nigantha? Ao contrrio, Saccaka, o filho de Nigantha, ir refutar as afirmaes do contemplativo Gotama. E alguns Licchavis disseram: Quem Saccaka, o filho de Nigantha, para poder refutar as afirmaes do Abenoado? Ao contrrio, o Abenoado ir refutar as afirmaes de Saccaka, o filho de Nigantha. Ento Saccaka, o filho de Nigantha foi junto com quinhentos Licchavis ao Salo com um pico na cumeeira na Grande Floresta.

7. Agora, naquela ocasio muitos bhikkhus estavam caminhando para c e para l ao ar livre. Ento Saccaka, o filho de Nigantha, foi at eles e perguntou: Onde est o Mestre Gotama agora, senhores? Queremos ver o Mestre Gotama.

O Abenoado foi para a Grande Floresta, Aggivessana, e est sentado sombra de uma rvore para passar o resto do dia.

8. Ento Saccaka, o filho de Nigantha, juntamente com um grande nmero de Licchavis, entrou na Grande Floresta e foi at o Abenoado. Eles se cumprimentaram e depois que a conversa amigvel e corts havia terminado, ele sentou a um lado. Alguns Licchavis homenagearam o Abenoado e sentaram a um lado; alguns trocaram saudaes corteses com ele e aps a troca de saudaes sentaram a um lado; alguns ajuntaram as mos em respeitosa saudao e sentaram a um lado; alguns anunciaram o seu nome e cl e sentaram a um lado. Alguns permaneceram em silncio e sentaram a um lado.

9. Quando Saccaka o filho de Nigantha havia sentado, ele disse para o Abenoado: Eu faria uma pergunta ao Mestre Gotama acerca de certo tema, se o Mestre Gotama concedesse o favor de uma resposta minha pergunta.

Pergunte o que voc quiser, Aggivessana.

Como o contemplativo Gotama disciplina os seus discpulos? E como, em geral, so apresentadas as instrues do contemplativo Gotama aos seus discpulos?

Assim como disciplino os meus discpulos, Aggivessana, e assim como, em geral, so apresentadas as instrues aos meus discpulos: Bhikkhus, a forma material impermanente, a sensao impermanente, a percepo impermanente, as formaes volitivas so impermanentes, a conscincia impermanente. Bhikkhus, a forma material no-eu, a sensao no-eu, a percepo no-eu, as formaes volitivas so no-eu, a conscincia no-eu. Todas as formaes so impermanentes, todos os dhammas so no-eu.

10. Um smile me vem mente, Mestre Gotama.

Explique o que lhe vem mente, Aggivessana, o Abenoado disse.

Tal como quando as sementes e plantas, qualquer que seja o seu tipo, crescem, aumentam e amadurecem, todas assim o fazem na dependncia da terra, baseadas na terra; e como quando as tarefas extenuantes, qualquer que seja o seu tipo, so feitas, todas so feitas na dependncia da terra, baseadas na terra assim tambm, Mestre Gotama, uma pessoa tem a forma material como eu, e baseada na forma material ela produz mrito ou demrito. Uma pessoa tem a sensao como eu, e baseada na sensao ela produz mrito ou demrito. Uma pessoa tem a percepo como eu, e baseada na percepo ela produz mrito ou demrito. Uma pessoa tem as formaes volitivas como eu, e baseada nas formaes volitivas ela produz mrito ou demrito. Uma pessoa tem a conscincia como eu, e baseada na conscincia ela produz mrito ou demrito.

11. Aggivessana, voc est afirmando que: A forma material o meu eu, a sensao o meu eu, a percepo o meu eu, as formaes volitivas so o meu eu, a conscincia o meu eu?

Eu assim afirmo, Mestre Gotama: A forma material o meu eu, a sensao o meu eu, a percepo o meu eu, as formaes volitivas so o meu eu, a conscincia o meu eu. E assim tambm o faz esta grande multido.[5]

O que tem esta grande multido a ver com voc, Aggivessana? Por favor limite-se somente sua prpria afirmao.

Ento, Mestre Gotama, eu assim afirmo: A forma material o meu eu, a sensao o meu eu, a percepo o meu eu, as formaes volitivas so o meu eu, a conscincia o meu eu.

12. Nesse caso, Aggivessana, eu lhe farei uma pergunta em retorno. Responda como quiser. O que voc pensa, Aggivessana? Um nobre rei ungido por exemplo o Rei Pasenadi de Kosala ou o Rei Ajatasatu Vedehiputta de Magadha exerceria o poder no seu prprio reino para executar aqueles que devem ser executados, multar aqueles que devem ser multados e de banir aqueles que devem ser banidos?

Mestre Gotama, um nobre rei ungido por exemplo o Rei Pasenadi de Kosala ou o Rei Ajatasatu Vedehiputta de Magadha exerceria o poder no seu prprio reino para executar aqueles que devem ser executados, multar aqueles que devem ser multados e de banir aqueles que devem ser banidos. Pois mesmo aquelas comunidades [oligrquicas] tal como os Vajjias e os Mallias exercem o poder no seu prprio reino para executar aqueles que devem ser executados, multar aqueles que devem ser multados e de banir aqueles que devem ser banidos; ento muito mais um nobre rei ungido como o Rei Pasenadi de Kosala ou o Rei Ajatasatu Vedehiputta de Magadha. Ele o exerceria, Mestre Gotama, e ele teria dignidade para exerc-lo.

13. O que voc pensa, Aggivessana? Quando voc assim diz: A forma material o meu eu, voc exerce algum poder como esse sobre essa forma material para poder dizer: Que a minha forma seja assim; que a minha forma no seja assim? [6] Quando isso foi dito, Saccaka, o filho de Nigantha, ficou em silncio.

Pela segunda vez o Abenoado fez a mesma pergunta e pela segunda vez Saccaka, o filho de Nigantha, ficou em silncio. Ento o Abenoado disse: Aggivessana, responda agora. Agora no o momento de ficar em silncio. Se algum for questionado com uma pergunta razovel pela terceira vez pelo Tathagata, e ainda assim no responder, a sua cabea se partir em sete pedaos no mesmo instante.

14. Agora, naquele momento um yakkha, segurando nas mos um raio de ferro em chamas, incandescente e brilhante, apareceu no ar sobre a cabea de Saccaka, o filho de Nigantha, pensando: Se esse Saccaka, o filho de Nigantha, que foi questionado com uma pergunta razovel pela terceira vez pelo Tathagata, ainda assim no responder, partirei a sua cabea em sete pedaos neste instante.[7] O Abenoado viu o yakkha e Saccaka, o filho de Niganttha, tambm o viu. Ento Saccaka, o filho de Nigantha, ficou amedrontado, alarmado e aterrorizado. Buscando abrigo, proteo e refgio no Abenoado, ele disse: Pergunte, Mestre Gotama, eu responderei.

15. O que voc pensa, Aggivessana? Quando voc assim diz: A forma material o meu eu, voc exerce algum tipo de poder sobre essa forma material para poder dizer: Que a minha forma material seja assim; que a minha forma material no seja assim? No, Mestre Gotama.

16. Preste ateno, Aggivessana, preste ateno sua reposta! O que voc disse antes no est de acordo com o que disse depois, nem aquilo que voc disse depois est de acordo com o que disse antes. O que voc pensa, Aggivessana? Quando voc assim diz: A sensao o meu eu, voc exerce algum tipo de poder sobre essa sensao para poder dizer: Que a minha sensao seja assim; que a minha sensao no seja assim? No, Mestre Gotama.

17. Preste ateno, Aggivessana, preste ateno sua reposta! O que voc disse antes no est de acordo com o que disse depois, nem aquilo que voc disse depois est de acordo com o que disse antes. O que voc pensa, Aggivessana? Quando voc assim diz: A percepo o meu eu, voc exerce algum tipo de poder sobre essa percepo para poder dizer: Que a minha percepo seja assim; que a minha percepo no seja assim? No, Mestre Gotama.

18. Preste ateno, Aggivessana, preste ateno sua reposta! O que voc disse antes no est de acordo com o que disse depois, nem aquilo que voc disse depois est de acordo com o que disse antes. O que voc pensa, Aggivessana? Quando voc assim diz: As formaes so o meu eu, voc exerce algum tipo de poder sobre essas formaes para poder dizer: Que as minhas formaes sejam assim; que as minhas formaes no sejam assim? No, Mestre Gotama.

19. Preste ateno, Aggivessana, preste ateno sua reposta! O que voc disse antes no est de acordo com o que disse depois, nem aquilo que voc disse depois est de acordo com o que disse antes. O que voc pensa, Aggivessana? Quando voc assim diz: A conscincia o meu eu, voc exerce algum tipo de poder sobre essa conscincia para poder dizer: Que a minha conscincia seja assim; que a minha conscincia no seja assim? No, Mestre Gotama.

20. Preste ateno, Aggivessana, preste ateno sua reposta! O que voc disse antes no est de acordo com o que disse depois, nem aquilo que voc disse depois est de acordo com o que disse antes. O que voc pensa, Aggivessana, a forma material permanente ou impermanente? Impermanente, Mestre Gotama. Aquilo que impermanente sofrimento ou felicidade? Sofrimento, Mestre Gotama. Aquilo que impermanente, sofrimento e sujeito mudana adequado que seja assim considerado: Isto meu, isto sou eu, isto o meu eu? No, Mestre Gotama.

O que voc pensa, Aggivessana? A sensao permanente ou impermanente? ... A percepo permanente ou impermanente? ... As formaes volitivas so permanentes ou impermanentes? ... A conscincia permanente ou impermanente? Impermanente, Mestre Gotama. Aquilo que impermanente sofrimento ou felicidade? Sofrimento, Mestre Gotama. Aquilo que impermanente, sofrimento e sujeito mudana adequado que seja assim considerado: Isto meu, isto sou eu, isto o meu eu? No, Mestre Gotama.

21. O que voc pensa, Aggivessana? Quando algum adere ao sofrimento, recorre ao sofrimento, se agarra ao sofrimento e considera aquilo que sofrimento assim: Isto meu, isto sou eu, isto o meu eu, seria ele capaz de entender completamente o sofrimento ou permanecer com o sofrimento totalmente destrudo?

Como poderia ser, Mestre Gotama? No, Mestre Gotama.

O que voc pensa, Aggivessana? Em sendo assim, voc ento adere ao sofrimento, recorre ao sofrimento, se agarra ao sofrimento e considera aquilo que sofrimento assim: Isto meu, isto sou eu, isto o meu eu,? Como no poderia ser, Mestre Gotama? Sim, Mestre Gotama. [8]

22. como se um homem que precisasse de madeira, procurasse madeira, perambulasse em busca de madeira, pegasse um machado afiado e entrasse na floresta, l ele veria uma grande bananeira, ereta, jovem, sem frutos. Ento ele a cortaria pela raiz, removeria a coroa e desenrolaria as folhas que envolvem o tronco; mas ao desenrolar as folhas do tronco ele no encontra nem alburno e muito menos madeira. Assim tambm, Aggivessana, quando voc pressionado, questionado e interrogado por mim acerca da sua afirmao, voc se revela vazio, oco e equivocado. Mas foi voc quem fez esta afirmativa perante a assemblia de Vessali: Eu no vejo contemplativo ou brmane, ou cabea de ordem, ou cabea de grupo, ou mestre de grupo, ou mesmo algum que reivindique ser um arahant, perfeitamente iluminado, que no sacudisse, tiritasse, tremesse e suasse nas axilas, se fosse engajado num debate comigo. Mesmo se eu engajasse um poste insensvel num debate, este iria sacudir, tiritar e tremer se fosse engajado num debate comigo, ento o que posso dizer de um ser humano? Agora na sua testa h gotas de suor e estas encharcaram o seu manto superior e caram no solo. Mas no meu corpo agora no h suor. E o Abenoado revelou o seu corpo com a tez dourada para toda a assemblia. Quando isso foi dito, Saccaka, o filho de Nigantha, permaneceu sentado em silncio, consternado, com os ombros cados e a cabea baixa, deprimido e sem resposta.

23. Ento Dummukha, o filho dos Licchavis, vendo Saccaka, o filho de Nigantha, em tal condio disse para o Abenoado:

Um smile me vem mente, Mestre Gotama.

Explique o que lhe vem mente, Dummukha.

Suponha, venervel senhor, que no distante de um vilarejo ou cidade houvesse uma lagoa com um caranguejo. Ento, um grupo de meninos e meninas sassem do vilarejo ou cidade indo at a lagoa, entrassem na gua e tirassem o caranguejo da gua e o colocassem sobre a terra firme. E sempre que o caranguejo estendesse uma perna, eles a cortassem, quebrassem e esmagassem com paus e pedras, de modo que o caranguejo tendo todas as pernas cortadas, quebradas e esmagadas, seria incapaz de regressar lagoa. Da mesma forma, todas as contores, entortaduras e vacilaes de Saccaka, o filho de Nigantha, foram cortadas, quebradas e esmagadas pelo Abenoado, e agora ele no capaz de novamente se aproximar do Abenoado para debater.

24. Quando isso foi dito, Saccaka, o filho de Nigantha disse: Espere, Dummukha, espere! Ns no estamos conversando com voc, aqui estamos conversando com o Mestre Gotama.

[Ento ele disse]: Deixe essa nossa conversa, Mestre Gotama, ficar como a conversa de contemplativos e brmanes comuns, isso foi s tagarelice, eu penso. Mas de que forma um discpulo do contemplativo Gotama aquele que executa as suas instrues, que responde ao seu conselho, que superou a dvida, se libertou da perplexidade, conquistou a intrepidez, e se tornou independente dos outros no Dhamma do Mestre?[9]

Aqui, Aggivessana, qualquer tipo de forma material, quer seja passada, futura ou presente, interna ou externa, grosseira ou sutil, inferior ou superior, prxima ou distante um discpulo meu v toda forma material como na verdade ela , com correta sabedoria assim: Isto no meu, isto no sou eu, isto no o meu eu. Qualquer tipo de sensao ... Qualquer tipo de percepo ... Qualquer tipo de formao ... Qualquer tipo de conscincia quer seja passada, futura ou presente, interna ou externa, grosseira ou sutil, inferior ou superior, prxima ou distante um discpulo meu v toda conscincia como na verdade ela , com correta sabedoria assim: Isto no meu, isto no sou eu, isto no o meu eu. dessa forma que um discpulo meu aquele que executa as minhas instrues, que responde ao meu conselho, que superou a dvida, se libertou da perplexidade, conquistou a intrepidez, e se tornou independente dos outros no Dhamma do Mestre.

25. Mestre Gotama, de que forma um bhikkhu um arahant com as impurezas destrudas, que viveu a vida santa, fez o que devia ser feito, deps o fardo, alcanou o verdadeiro objetivo, destruiu os grilhes da existncia e est completamente libertado atravs do conhecimento supremo?

Aqui, Aggivessana, qualquer tipo de forma material, quer seja passada, futura ou presente, interna ou externa, grosseira ou sutil, inferior ou superior, prxima ou distante um bhikkhu viu toda forma material como na verdade ela , com correta sabedoria assim: Isto no meu, isto no sou eu, isto no o meu eu, e atravs do desapego ele est libertado. Qualquer tipo de sensao ... Qualquer tipo de percepo ... Quaisquer tipos de formaes volitivas ... Qualquer tipo de conscincia quer seja passada, futura ou presente, interna ou externa, grosseira ou sutil, inferior ou superior, prxima ou distante um bhikkhu viu toda conscincia como na verdade ela , com correta sabedoria assim: Isto no meu, isto no sou eu, isto no o meu eu, e atravs do desapego ele est libertado. dessa forma que um bhikkhu um arahant com as impurezas destrudas, que viveu a vida santa, fez o que devia ser feito, deps o fardo, alcanou o verdadeiro objetivo, destruiu os grilhes da existncia e est completamente libertado atravs do conhecimento supremo.

26. Quando a mente de um bhikkhu est assim libertada, ele possui trs qualidades insuperveis: a viso insupervel, a prtica do caminho insupervel e a libertao insupervel. [10] Quando um bhikkhu est assim libertado, ele ainda honra, reverencia e venera o Tathagata assim: O Abenoado iluminado e ele ensina o Dhamma tendo como objetivo a iluminao. O Abenoado domado e ele ensina o Dhamma para cada um domar a si mesmo. O Abenoado est em paz e ele ensina o Dhamma tendo como objetivo a paz. O Abenoado cruzou a torrente e ele ensina o Dhamma para cruzar a torrente. O Abenoado realizou Nibbana e ele ensina o Dhamma para realizar Nibbana.

27. Quando isso foi dito, Saccaka, o filho de Nigantha, respondeu: Mestre Gotama, fomos atrevidos e imprudentes em pensar que poderamos atacar o Mestre Gotama num debate. Um homem poderia atacar um elefante louco e se sentir seguro, no entanto ele no poderia atacar o Mestre Gotama e se sentir seguro. Um homem poderia atacar uma massa de fogo incandescente e se sentir seguro, no entanto ele no poderia atacar o Mestre Gotama e se sentir seguro. Um homem poderia atacar uma terrvel cobra venenosa e se sentir seguro, no entanto ele no poderia atacar o Mestre Gotama e se sentir seguro. Fomos atrevidos e imprudentes em pensar que poderamos atacar o Mestre Gotama num debate.

Que o Abenoado junto com a Sangha dos bhikkhus concorde em aceitar a refeio de amanh. O Abenoado consentiu em silncio.

28. Ento, sabendo que o Abenoado havia consentido, Saccaka, o filho de Nigantha, se dirigiu aos Licchavis: Ouam, Licchavis. O contemplativo Gotama junto com a Sangha dos bhikkhus foi convidado por mim para a refeio de amanh. Vocs podero me trazer qualquer coisa que considerem ser adequada para ele.

29. Ento, quando a noite terminou, os Licchavis trouxeram quinhentos pratos cerimoniais de arroz com leite como oferenda de alimentos. Ento Saccaka, o filho de Nigantha, preparou vrios tipos de boa comida no seu prprio parque e anunciou a hora para o Abenoado: hora, Mestre Gotama, a refeio est pronta.

30. Ento, ao amanhecer, o Abenoado se vestiu e tomando a sua tigela e o manto externo, ele foi junto com a Sangha dos bhikkhus para o parque de Saccaka, o filho de Nigantha, e sentou num assento que havia sido preparado. Ento, com as suas prprias mos, Saccaka, o filho de Nigantha, serviu e satisfez a Sangha dos bhikkhus liderada pelo Buda com os vrios tipos de alimentos. Quando o Abenoado havia terminado de comer e removeu a mo da sua tigela, Saccaka, o filho de Nigantha, tomou um assento mais baixo e disse para o Abenoado: Mestre Gotama, que o mrito e os bons frutos meritrios deste ato de generosidade seja pela felicidade dos doadores.

Aggivessana, qualquer coisa que resulte da generosidade para com um receptor como voc que no est livre da cobia, no est livre da raiva, no est livre da deluso ser para os doadores. E qualquer coisa que resulte da generosidade para com um receptor como eu - que est livre da cobia, est livre da raiva, est livre da deluso ser para voc. [11]

 


 

Notas:

[1] De acordo com MA, o pai de Saccaka era um Niganttha, (Jainista), sendo que ambos tinham habilidade nos debates filosficos. Ele aprendeu mil doutrinas com o pai e muitos outros sistemas filosficos com outras pessoas. Na discusso que segue ele tratado pelo seu nome de cl, Aggivessana. [Retorna]

[2] O Ven. Assaji foi um dos cinco primeiros discpulos do Buda. [Retorna]

[3] Este resumo da doutrina omite a segunda das trs caractersticas, dukkha ou sofrimento. MA explica que Assaji omitiu isso evitando dar a Saccaka a oportunidade para tentar refutar a doutrina do Buda. [Retorna]

[4] MA explica que as pessoas jogam este jogo quando esto preparando o tecido de cnhamo. Elas amarram um punhado de cnhamo virgem imergindo-o na gua e golpeando-o sobre uma tbua esquerda, direita e no meio. Um elefante real viu esse jogo e mergulhando na gua, absorveu gua com a tromba e a espargiu sobre a barriga, os dois lados do corpo e a virilha. [Retorna]

[5] Ao afirmar que os cinco agregados so o eu, ele est, claro, contradizendo diretamente o ensinamento do Buda sobre anatta. Ele atribui essa idia grande multido com o pensamento de que a maioria no pode estar equivocada. [Retorna]

[6] O Buda neste caso sugere que os agregados no so o eu porque lhes falta uma das caractersticas essenciais da individualidade a de serem afetados pelo exerccio da vontade. Aquilo que no est sujeito a ser controlado por mim no pode ser identificado como meu eu. [Retorna]

[7] MA identifica esta divindade, (yakkha), como sendo Sakka, senhor dos devas. [Retorna]

[8] Os cinco agregados so aqui chamados de sofrimento porque so impermanentes e no esto sujeitos ao exerccio da vontade. [Retorna]

[9] Essas so as caractersticas de um sekha. O arahant, ao contrrio, no somente possui o entendimento correto do no-eu, como tambm o empregou para erradicar todo apego, tal como o Buda ir explicar no verso 25. [Retorna]

[10] MA oferece vrias explicaes alternativas para esses trs termos. Eles so sabedoria, prtica e libertao mundana e supramundana. Ou eles so totalmente supramundanos, sendo que: o primeiro o entendimento correto do caminho do arahant, o segundo corresponde aos sete fatores restantes do caminho e o terceiro o fruto supremo (do arahant); ou o primeiro a viso de Nibbana, o segundo os fatores do caminho e o terceiro o fruto supremo. [Retorna]

[11] Embora Saccaka tenha admitido a derrota no debate, parece que ele ainda se considerava um santo e assim no se sentiu compelido a buscar refgio na Jia Trplice. Alm disso, como ele continuava se considerando um santo, ele deve ter sentido que no era apropriado ele dedicar o mrito da oferta de alimentos para si mesmo e por isso ele quis dedicar o mrito para os Licchavis. Mas o Buda responde que os Licchavis obtero mrito ao prover Saccaka com alimentos para oferecer ao Buda, enquanto que o prprio Saccaka ir obter mrito ao oferec-los ao Buda. O mrito proveniente da oferta de alimentos difere em qualidade de acordo com a pureza do receptor, tal como explicado no MN 142.6. [Retorna]

 

 

Revisado: 12 Junho 2005

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